Um gelado e premiado Shakhtar Donetsk – ANÁLISE TÁTICA ATALANTA 1×2 SHAKHTAR DONETSK

Por Juliano Rangel e Henrique Mathias

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Diferente da estreia diante do Manchester City, o técnico do Shakhtar Donetsk, Luís Castro, resolveu redobrar a cautela jogando no San Siro, e para isso escalou sua equipe num 4-1-4-1. Se o português esperava uma Atalanta vindo para cima desde os minutos iniciais, ele pôde ver isso logo nos primeiros segundos de jogo.

WhatsApp Image 2019-10-02 at 19.46.01Diferente da estreia diante do Manchester City, Luís Castro armou o Shakhtar num 4-1-4-1 bem compacto. (Foto: Instat / Edição: Juliano Rangel)

Caracterizado por seu modelo de jogo propositivo, trabalhando as jogadas desde a saída de bola, a movimentação da equipe de Donetsk na hora de construir era vigiada por uma marcação bem encaixada da equipe italiana. Nesses momentos, Stepanenko recuava para atuar entre os zagueiros, os laterais “abriam o campo” em amplitude, enquanto que Alan Patrick e Kovalenko se movimentavam pelo meio para oferecer apoio.

O problema era que justamente nessas buscas por uma saída mais apoiada, a equipe esbarrava nos fortes encaixes feitos, primeiramente, pelo trio Alejandro Gómez, Josip Ilicic e Duván Zapata, e, já na linha de meio-campo, com Hateboer e Castagne, pelos lados, e Pasalic e Marten de Roon, pelo meio.

WhatsApp Image 2019-10-02 at 19.46.07A equipe ucraniana sofria com a marcação por encaixes do Atalanta em sua saída de bola (Foto: Instat / Edição: Juliano Rangel)

Com isso, as alternativas que restavam para os comandados de Luís Castro eram as bolas longas e também, quando encaixadas, as jogadas em profundidade buscando o atacante Júnior Moraes.

Por outro lado, a equipe conseguia se manter bem compacta e atuava marcando por zona num bloco médio, o que fazia a Atalanta ter que apostar nas bolas em profundidade buscando os lados e tendo como referência o atacante Zapata.

WhatsApp Image 2019-10-02 at 19.46.12Com o Shakhtar bem compacto, a Atalanta buscava as bolas em profundidade tendo Zapata como a referência. (Foto: Instat / Edição: Juliano Rangel)

Depois dos 10 minutos iniciais e como uma Atalanta chegando ao ataque com bastante frequência, o Shakhtar começou a ganhar mais campo, o quarteto do meio de campo trabalhava mais próximo e por dentro, enquanto que os laterais se apresentavam abertos pelos lados.

WhatsApp Image 2019-10-02 at 19.46.17Transições ofensivas do Shakhtar, com Stepanenko entre a dupla de zaga, o quarteto de meio-campo mais centralizado e os laterais pelos lados gerando amplitude. (Foto: Instat / Edição: Juliano Rangel)

Junto com Kovalenko e Alan Patrick, Marlos e Taison retornavam para ajudar na construção das jogadas. Nesses momentos de aproximação junto ao trio Kryvtsov, Matviyenko e Stepanenko, o Shakhtar continuava sofrendo com a forte marcação da equipe italiana. E foi justamente em um desses momentos, com Alan Patrick vindo buscar a bola e se bloqueado, que a Atalanta iniciou a jogada que terminou no pênalti de Kryvtsov em Ilicic. Na cobrança, Pyatov acabou defendendo a cobrança do próprio Ilicic.

Tendo muitas dificuldades para avançar – uma característica marcante do Shakhtar – principalmente pelo setor esquerdo com Ismaily e Taison, as descidas pelos lados eram pouco utilizadas. Já defensivamente e mesmo se mantendo muito compacto, a linha defensiva da equipe ucraniana era alvo das bolas em profundidade pelos lados e nas infiltrações.

E foi em um momento de desatenção na marcação pelo lado esquerdo da defesa, com Alan Patrick e Ismaily deixando Hateboer livre para cruzar, que Zapata, dentro da área, aproveitou a falha na saída de Pyatov para marcar de cabeça.

WhatsApp Image 2019-10-02 at 19.46.22Trabalhando muito pelos lados, a Atalanta soube aproveita a desatenção defensiva do Shakhtar para abrir o placar no San Siro. (Foto: Instat / Edição: Juliano Rangel)

Depois do gol, a equipe ucraniana conseguiu avançar mais para o campo de ataque e também finalizar nos chutes de fora da área com Marlos e Alan Patrick. Os espaços para as bolas em profundidade, buscando a infiltração de Júnior Moraes nascostas da linha de defesa da Atalanta, começaram a aparecer.

Desse jeito e já aos 41 minutos da primeira etapa, que Alan Patrick conseguiu projetar Júnior Moraes, que se infiltrava entra linha de defesa da Atalanta e recebeu a bola livre vencer o goleiro Gollini e empatar o jogo.

WhatsApp Image 2019-10-02 at 19.46.28A grande arma do Shakhtar, que resultou no gol de empate marcado por Júnior Moraes, eram as bolas em profundidade somadas as infiltrações do camisa 10 da equipe de Donetsk. (Foto: Instat / Edição: Juliano Rangel)

Na segunda etapa, a marcação por encaixes da equipe italiana na saída de bola do Shakhtar continuava, mas os comandados de Luís Castro já conseguiam avançar e contavam com a presença dos laterais nos apoios já no campo de ataque.

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Depois dos primeiros minutos, a Atalanta recuperou aquele domínio apresentado em boa parte do primeiro tempo e o técnico do Shakhtar resolveu mexer na equipe. Inicialmente manteve o 4-1-4-1 colocando Solomon na vaga de Alan Patrick, na esquerda, e trazendo Marlos para atuar mais pelo meio. Posteriormente, promoveu a entrada de Konoplyanka na vaga de Marlos e deixou a equipe num 4-4-2, com Taison se aproximando de Júnior Moraes.

Enquanto que a Atalanta chegava nos chutes de fora da área, a medida adotando por Luís Castro era continuar se defendendo bem e sair com muita velocidade para os ataques. E foi dessa forma, já contando com Dodô na vaga de Bolbat, que a equipe ucraniana explorou a velocidade do camisa 98, que foi acionado por Taison, e o mesmo, após vencer a marcação de Marten de Roon com um corte, serviu Solomon que mandou para o gol e deu números finais ao jogo.

EUROPA LEAGUE: Depois desta derrota, jogando em casa, o caminho da Atalanta para as oitavas de final se tornou espinhoso e praticamente impossível. Para uma equipe que tem qualidade, mas demonstrou uma falta de experiência notória para jogar em grandes noites europeias, a principal meta agora é duelar pela vaga na Liga Europa.

VIVO NA DISPUTA: Se o duelo diante da Atalanta era de suma importância para o Shakhtar, o resultado saiu melhor do que o esperado analisando os 90 minutos disputado no San Siro. A postura foi totalmente diferente da adotada no campeonato ucraniano e pode ser um caminho para os jogos longe de seus domínios. No dia 22 de outubro, o jogo será em casa diante do Dínamo Zagreb e a postura deverá ser bem mais propositiva com a segunda posição do grupo em jogo.

@julianords e @riquemathias

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