Aconteceu de tudo – ANÁLISE TÁTICA FLUMINENSE 1×1 SANTOS

Por Jorge Coutinho e Rodrigo Costa

Fluminense e Santos se enfrentaram na noite desta quinta-feira, pela vigésima primeira rodada do Campeonato Brasileiro. As equipes com objetivos distintos no torneio foram pressionados para a partida. O Santos buscava a vitória para manter vivo o sonho do título, já o Fluminense buscava fugir da degola. Necessitando do resultado as equipes fizeram um jogo truncado e nervoso, com 3 expulsões e xingamentos entre Ganso e Oswaldo de Oliveira.

O Tricolor carioca foi ao campo com uma única alteração em relação a última partida em que foi derrotado para o Goiás:saiu Frazan para o retorno de Nino. O modelo de jogoapresentado como padrão em boa parte foi o 1-4-2-3-1.

WhatsApp Image 2019-09-28 at 18.14.08Formação inicial da equipe do Fluminense.

Já o Santos entrou em campo com uma escalação bastante diferente. Tendo o 3-4-3 como desenho tático, o time escolhido foi Éverson; Veríssimo, Aguilar e Gustavo Henrique; Derlis, Alison, Pituca e Felipe Jonatan; Sasha, Uribe e Soteldo. Derlis e Felipe Jonatan eram os alas da escalação.

No momento defensivo, o Fluminense tentou, principalmente no início do jogo, adiantar seus jogadores. A orientação dada seria fazer o pressing com o Nene e João Pedro. Sem resultado efetivo e ficando exposto, voltou ao padrão apresentado no jogo anterior, isto é, temporizava e arrumava a casa atrás, de preferência com todos os atletas atrás da linha da bola.

WhatsApp Image 2019-09-28 at 18.15.09Momento defensivo do Fluminense, tentativa de pressionar a saída de bola adversária.
WhatsApp Image 2019-09-28 at 18.19.11Momento defensivo do Fluminense, com todos atrás da linha da bola.

Defensivamente a equipe do Santos pressionava num bloco alto, sempre realizando encaixes setoriais, principalmente com os alas que subiam metros para pressionar o jogador que caia no seu setor, exemplo: time postado no 5-2-3, bola pelo lado esquerdo de ataque do Fluminense, Derlis então subia para encaixar no portador da bola ou alguma opção de passe, marcando então num 4-3-3. A saída de bola acontecia em 3+2: três zagueiros mais Alison e Pituca. Mas, o Santos teve dificuldade de transpor a primeira linha de marcação tricolor, errando muitos passes, além desses setores estarem muito distantes.

WhatsApp Image 2019-09-28 at 18.15.26Fonte: GloboEsporte.com – Edição: Rodrigo Costa.

 Já quando a equipe conseguia chegar ao campo de ataque, encontrava muito espaço entre as linhas adversárias, com isso criando duas boas chances no início do jogo (Derlis e Felipe Jonatan). O Santos criava a partir do 3-2-5, com Alison e Pituca na base, tendo Felipe Jonatan e Derlis abertos nas pontas, Sasha e Soteldo mais entre as linhas e Uribe centralizado. Detalhe para Soteldo nesse setor, tendo liberdade, além de atuar também pela ponta.Quando isso ocorria, Felipe Jonatan ficava por trás ou entre as linhas.

WhatsApp Image 2019-09-28 at 18.15.34Fonte: GloboEsporte.com – Edição: Rodrigo Costa.

O Fluminense conseguiu equilibrar a partida, fechando espaços e tentando sair nos contra-ataques (conseguiu o gol numa jogada assim). O golpe de sorte mais uma vez garantiu um gol para o Fluminense (anteriormente o goleiro Cassio havia dado aquela ajuda), e o talento do goleiro Muriel garantia atrás, sendo mais uma vez o destaque da equipe na partida. Abaixo algumas informações e vídeos que ilustram sua boa atuação

WhatsApp Image 2019-09-28 at 18.15.42Dados quantitativos do Goleiro Muriel do Fluminense.

Voltando ao pressing santista. nesse sentido Alison é o jogador ideal para o perde-pressiona alvinegro, ele é o símbolo da agressividade (no bom sentido), da raça e da pressão intensa ao portador, que impediu alguns contra-ataques tricolores.

Mais dois jogadores que merecem destaque são Pituca e Sasha. O primeiro negativamente. Esteve muito mal, errando muitos passes e deixando Alison sobrecarregado na marcação. Já Sasha, buscava jogo constantemente, recuando para receber a bola, criar associações e conectar os setores.

O Santos voltou do intervalo com Sánchez no lugar de Derlis, modificando o time para um 4-1-4-1 (tanto ofensiva quanto defensivamente), com o uruguaio jogando pelo meio e deixando Sasha como ponta direito, além de ter Veríssimo como lateral direito. Com isso, o Fluminense, que colocou Wellington Nem, voltou melhor, pressionando, conseguindo criar perigo e impedindo que o Peixe tivesse a bola e criasse as jogadas, visto que Sánchez entrou apagado. Aos 11 minutos, Marinho entrou na vaga de Uribe, passando a atuar na ponta direita e empurrando Sasha para o centro do ataque.

Ainda assim o Santos não retomou o controle total do jogo, conseguindo apenas algumas escapadas em contra-ataques pelo lado direito, com isso, Victor Ferraz entrou no lugar de Aguilar, atuando na sua posição de origem, recuando Veríssimo para a zaga. Desse modo, Ferraz afunilava bastante no campo, tentando criar a partir do meio, deixando os flancos livres para Marinho e Sánchez.

O nervosismo das equipes exalava no Maracanã. Pelo lado tricolor dois jogadores abusaram do excesso de força em cima de Marinho, resultado Digão e depois Frazan expulsos. Nervos à flor da pele no banco, com troca de ofensas entre Ganso e seu treinador, Oswaldo de Oliveira. Já a equipe da Vila se mostrou visivelmente afobada e apressada, abandonando o característico modelo de jogo pautado na posse de bola, muitos toques até encontrar os espaços, aproximações para a criação de triangulações e passou a jogar no abafa, além de levantar a bola na área tricolor de qualquer jeito.

WhatsApp Image 2019-09-28 at 18.15.53WhatsApp Image 2019-09-28 at 18.16.01Fonte: GloboEsporte.com – Edição: Rodrigo Costa.

O principal exemplo disso são as jogadas em que Soteldo recebia a bola e ficava sozinho contra no mínimo dois adversários, como se fosse um recado: “resolve aí que a gente espera aqui dentro da área”. Sem contar que, mesmo com jogadores a mais, o Santos cedeu espaço para o Fluminense criar contra-ataques perigosos que só não acabaram em gol por muitíssimo pouco (principalmente a chance clara de Allan após driblar Éverson).

Nível de atuação preocupante, principalmente no segundo tempo. Queda brusca do rendimento da equipe, que demonstra também sinais de queda psicológica, o exemplo disso é esse jogo. A chance de retornar às boas atuações é contra o CSA, na Vila Belmiro.

Pelo lado carioca, mesmo com o empate contra uma das melhores equipes do torneio e o time fora da zona de rebaixamento, o momento é de tensão. Oswaldo embora tenha resultados melhores que o antecessor, não conseguiu dar padrão ao time, perdeu o vestiário e sem prestígio com a torcida, foi mandado embora na manhã do dia seguinte. O Fluminense agoniza, e na próxima rodada recebe o Grêmio, mais uma vez no Maracanã.

@costarodrigosfc e @JorginhoFFC

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