Fernando Diniz: Ideias, problemas e contexto

Por Pedro Galante

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Depois da derrota de um a zero para o Goiás, Cuca pediu demissão do seu posto de treinador do São Paulo. No mesmo dia, a diretoria tricolor anunciou a contratação de Fernando Diniz, uma figura interessante – no mínimo – e que gera debates no cenário do futebol brasileiro.

Ideias

Falar sobre as ideias de Fernando Diniz é uma tarefa complicada, pois existe um estereotipo muito forte construído em torno do treinador. Diniz não é um cavaleiro da modernidade que veio reinventar o futebol brasileiro. Seus conceitos não são nada especialmente novo – talvez a sensação de modernidade apareça em função das nomenclaturas dadas aos conceitos, estas sim, diferentes – e dizer que são melhores que os de outros treinadores é uma questão estritamente pessoal.

A nível de análise, a proposta de Diniz merece tanto respeito quanto qualquer outra.

Desde seu trabalho no Audax, Diniz tem conceitos bem definidos: pratica um futebol com a posse da bola, com imposição e protagonismo. Estruturalmente suas equipes se organizam em 4-3-3 ou variações de esquemas com três zagueiros. Quanto aos comportamentos, Diniz concebe o toque de bola como principal ferramenta para criar chances. Trocar passes, bagunçar a defesa adversária e levar a bola até o espaço vazio. Uma ideia muito parecida com o “atrair para liberar” de André Jardine.

Para praticar todos esses conceitos, existem alguns mecanismos específicos melhores explicados neste texto de André Ribas, quando o treinador ainda estava no comando do Athletico Paranaense.

Problemas

Analisando os últimos trabalhos do treinador, ficam muito evidentes algumas questões a serem destacadas.

Seus conceitos precisam ser muito bem assimilados a nível coletivo para que a equipe produza o que se propõe, e está é uma tarefa dificílima. O resultado é uma equipe que demora a atingir um nível competitivo.

Como dito, as equipes Diniz atacam através de uma lógica de atrair o adversário para ocupar os espaços. A questão é: e se os adversários – conscientes desse funcionamento ou não – optarem por não pressionar a bola e, portanto, negar qualquer espaço? O treinador ainda não encontrou soluções para situações como essa.

Fernando é dogmático. Tem muita claridade sobre sua concepção do futebol e não abre mão de executá-la. Aqui há uma virtude e um defeito, simultaneamente. É preciso acreditar em uma ideia, da mesma maneira que é preciso saber ignorá-la quando for preciso – não conveniente.

Contexto

Com dois outros momentos de contratações além da janela no início do ano e, especialmente, com a astronômica chegada de Daniel Alves o São Paulo possui divida considerável. Classificar-se para a Taça Libertadores é importantíssimo não só pelo ganho esportivo, mas também financeiro.

Restam 16 rodadas e os quatro concorrentes diretos (Internacional, Corinthians, Grêmio e Bahia) à quarta posição possuem treinadores estabelecidos e modelos minimamente consolidados. Para conseguir uma classificação é primordial que o São Paulo seja competitivo e Diniz demora para entregar competitividade com sua ideia.

Soma-se a isso o fato de que Cuca, o último treinador, é bastante diferente de Diniz. Os jogadores passaram por uma mudança brusca. Adicione mais tempo na equação da competitividade.

Diniz será o quarto técnico do São Paulo no ano. Pensando em sua qualidade enquanto treinador, possui virtudes e defeitos como todos. Mas considerando o contexto da equipe, fica claro como é contratação bastante desconexa das pretensões da equipe.

Atentos aos próximos episódios.

@pedro17galante

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