É tão maneiro, uai… ANÁLISE TÁTICA – CRUZEIRO 1×2 FLAMENGO

Por Felipe Henriques

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Buscando a histórica e inédita sétima vitória seguida no Campeonato Brasileiro, superando as sequências de seis vitórias ocorridas em 1978, 1982 e 2015, o Flamengo foi até a capital mineira para enfrentar o Cruzeiro, que vive uma angustiante briga contra o rebaixamento. Sem Everton Ribeiro, lesionado, Mister Jorge Jesus promoveu a entrada de Vitinho no XI inicial rubro-negro para formar o quarteto ofensivo com Bruno Henrique, Arrascaeta e Gabigol.

Aliás, Vitinho estava ausente do time titular há dois meses (desde 21/Julho) quando se lesionou ainda no primeiro tempo no empate com o Corinthians, em 1-1, em Itaquera.

Em um ataque que tem muita movimentação e que tem em Everton Ribeiro, seu principal criador e organizador, não ter o camisa 7 na equipe poderia resultar em uma perda criativa ainda que a equipe seja sustentável para encontrar outras formas de fazer com que o jogo fluísse de maneira satisfatória.

Se Everton e Arrascaeta tem seus movimentos de inversão de posicionamento ofensivo bem naturais, Vitinho buscaria fazer com que o trio com Gabriel e Bruno fosse imprevisível devido a qualidade técnica, adaptabilidade e habilidade para criar espaços ou aproveitar as transições. Porém, Vitinho ainda estava abaixo fisicamente e não fez um bom jogo.

screEm uma das primeiras investidas ofensivas do Flamengo na partida, Vitinho atacou por dentro com Arrascaeta conduzindo pelo meio; Detalhe para Gabigol e BH bem abertos e gerando amplitude ao ataque.

Em tempo: É claro que Gérson, Arrascaeta, Filipe Luís e Rafinha também contribuem na fase construtiva da equipe, mas praticamente todas as jogadas passam, ao menos uma vez, pelos pés de Everton que sempre busca o setor da bola para arriscar passes de ruptura ou uma triangulação. É um craque silencioso cujo sua ausência causaria muito barulho em qualquer outra equipe.

Com um início de jogo dominante, o Fla teve como destaque a boa exploração do jogo entre linhas ao movimentar suas peças ofensivas com a criação vindo de trás, seja com Filipe Luís ou com a condução dos volantes. Isso fez com que o ataque rubro-negro sempre tivesse vantagem em relação à defesa cruzeirense, seja nas transições com superioridade numérica ou no domínio territorial onde um ataque organizado enfrenta uma defesa desorganizada, gerando inclusive a possibilidade clara de abertura do placar logo nos primeiros seis minutos.

Logo após o lance acima, o Fla abriu o placar no Mineirão novamente usando a pressão na saída de bola adversária ao realizar os encaixes individuais para forçar o erro ou o chutão: Fábio saiu jogando com o zagueiro Cacá, que acabou desarmado por Vitinho, que mesmo sem fazer uma atuação agradável, ainda assim foi decisivo no lance ao dar o passe de primeira para Gérson realizar um belíssimo lançamento para Gabriel cabecear para o gol.

Pressionar para retomar e pegar a defesa adversária desarrumada, subir suas peças para tornar o time mais ofensivo e capitalizar para marcar. É preciso muita atenção para sair jogando contra o Flamengo. O Cruzeiro não foi a primeira vítima.

Porém, o cenário da partida mudou da superioridade rubro-negra para o domínio territorial cruzeirense que, pouco a pouco e comendo pelas beiradas como um bom time mineiro, foi neutralizando as transições rubro-negras e passou a não sofrer com contra-ataques, tendo a bola no campo ofensivo e vencendo o duelo no meio-campo. Rogério Ceni mudou do 4-2-3-1 para o 4-4-2, posicionando Thiago Neves ao lado de Pedro Rocha e abrindo Robinho e David pelos lados.

Essa mudança gerou melhora ao ataque cruzeirense por alguns detalhes: Aberto pela direita, Thiago Neves não estava conseguindo levar vantagem sobre Filipe Luís, imponente nos desarmes. Atuando por dentro, o camisa 10 conseguia potencializar Pedro Rocha quando esse vinha de trás em velocidade, como no lance que gerou o pênalti, convertido por Thiago para empatar o jogo no Mineirão. Além disso, David causou problemas a Rafinha com sua velocidade pelo lado, o que conseguia abrir a defesa rubro-negra.

Novamente podemos citar a ausência de Everton Ribeiro como algo determinante para que o controle do Flamengo sofresse um declínio na segunda metade do 1T, já que em momentos que o adversário passa a requerer o domínio da partida, é necessário ter um jogador que segure a bola, amarre o jogo e esfrie esse ímpeto.

Claro que há cenários que propiciam a chamada “trocação”, por exemplo quando existe um resultado a ser buscado nos minutos finais ou quando existe uma grande desvantagem a ser revertida. Busca-se acelerar o ritmo do jogo para potencializar seus velocistas pelos lados nos duelos contra os defensores e alterar até mesmo o momento psicológico da partida.

No caso do Cruzeiro, buscou-se acelerar; Ao Flamengo, faltou controlar.

No 2T, o 4-2-3-1 rubro-negro sofreu alterações. Primeiro, com Filipe Luís buscando o jogo por dentro para ajudar a recuperar o controle no meio, já que o lateral consegue ser excelente destruindo as jogadas adversárias, recuperando a posse e ditando o ritmo da fase construtiva. Logo depois, utilizou Arão e Gérson pelos lados como peças de amplitude, fazendo com que Arrascaeta ganhasse liberdade para se movimentar no último terço.

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Laterais por dentro, volantes abertos e a posse voltando para os pés rubro-negros; A grande mudança, entretanto, foi a de passar a verticalizar mais as ações ofensivas para empurrar o adversário para trás. Ofensivamente, o Flamengo criou boas chances; Defensivamente, houve problemas para acompanhar os velozes atacantes cruzeirenses, principalmente com Rafinha e Gérson demonstrando cansaço para recompor em velocidade.

O Cruzeiro soube incomodar o Flamengo como poucas conseguiram nesse Campeonato desde que JJ chegou ao rubro-negro carioca. Porém, por mais vertical e direto que o Fla tenha sido em seus ataques na segunda etapa, o gol saiu da forma mais controladora possível.

A entrada de Ezequiel pelo lado direito, às costas de Filipe Luís, foi importante para causar problemas a defensiva rubro-negra, Aliás, ouso dizer que o trio que formou com David e Pedro Rocha foi perigosíssimo com direito a uma bola na trave, que por muito pouco não foi o segundo gol cruzeirense.

Não podemos ignorar, inclusive, a importância de Piris da Motta, que entrou após o intervalo no lugar de Vitinho, para liberar Arão e Gérson para o ataque. Com isso, Piris ficava como suporte na fase defensiva para manter o Flamengo com a posse no ataque e, com o Cruzeiro passando a rifar a bola e não ter ela em sua posse, o Fla teve tempo para criar e atacar.

36 toques na bola em 46 segundos da recuperação e reinício da jogada com Pablo Marí até a finalização de Arrascaeta na área, após o lindo corta-luz de Gabriel. Destaque para Willian Arão posicionado como extremo na direita e para o 3-4-3 no início da construção do ataque, com Arrascaeta posicionado como meia ao lado de Gérson e com Arão e BH pelo flanco direito.

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Uma atuação que não encantou, mas que teve detalhes interessantes para serem abordados. Além disso, é preciso reconhecer os méritos de Rogério Ceni para fazer com que o Cruzeiro fosse um forte adversário no Mineirão, mas ver um Flamengo que mesmo longe de seus melhores momentos conseguiu ser superior no geral, mostra o quão bom é o trabalho do Mister até aqui.

É tão maneiro, uai. É bom demais. Não tem como duvidar.

@Lipe_Henry

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