Doutrinador – ANÁLISE TÁTICA DE SANTOS 0 X 3 GRÊMIO

Por Rodrigo Costa e Maurício Wiklicky

WhatsApp Image 2019-09-22 at 14.49.59Matheus Henrique, da Seleção Brasileira e do Grêmio, doutrinando o jogo na Vila. Foto de Lucas Uebel/Grêmio

Buscando recuperar o bom desempenho e as vitórias dentro de casa, o Santos entrou em campo no 4-3-3 com Éverson; Ferraz, Veríssimo, Luiz Felipe e Jorge; Alison, Pituca e Sánchez; Marinho, Soteldo e Sasha. Surpresa entrada de Luiz Felipe após 26 jogos fora do time titular. Já o Grêmio, com foco no Brasileiro, mas já de olho na decisão da Libertadores contra o Flamengo, veio com o que tem de melhor. Sem Geromel, Leonardo Gomes e Maicon já lesionados, sendo David Braz, Galhardo e Michel seus substitutos. A novidade das lesões foi de Jean Pyerre, e assim seu substituto foi Luan.

<blockquote class=”twitter-tweet”><p lang=”pt” dir=”ltr”>Caso Jean Pyerre não se recupere contra Flamengo, quem você escalaria?</p>&mdash; Maurício Wiklicky (@mwgremio) <a href=”https://twitter.com/mwgremio/status/1175157963415326720?ref_src=twsrc%5Etfw”>September 20, 2019</a></blockquote> https://platform.twitter.com/widgets.js

A torcida gremista elegeu Luan como substituto de Jean Pyerre.

 

Os primeiros minutos santistas na Vila Belmiro são sempre da mesma forma: intensidade, agressividade, tentando encurralar o adversário e buscando abrir o placar logo cedo. Sem a bola, o Santos se defendeu basicamente num bloco médio/alto, com os encaixes setoriais habituais da equipe. Nesse sentido, o meio campo com Pituca, Sánchez e, principalmente, Alison, é bastante combativo, subindo linhas quando necessário para pressionar o adversário. Destaque para Jorge também, que se antecipou a todas a bolas que disputou (roubada de bola no lance das duas defesas de Paulo Victor). Foi a grande preocupação tricolor no primeiro tempo. Sem controle do jogo como está habituado, sofria nessa pressão do Santos. Um grande teste do que terá contra o Flamengo, mas que suportou bem.

fram 1O jovem Matheus Henrique nas entrelinhas dos santistas. Fonte: InStat; Premiere. Edição: Rodrigo Costa

 

Já na organização ofensiva santista, cabe ressaltar dois detalhes: saída de bola e criação. A saída ocorria como de costume, com Éverson + os dois zagueiros (Veríssimo e Luiz Felipe) e uma linha de três com Ferraz, Alison e Jorge. Mas, na criação, quando o Santos tinha a bola na altura do meio campo, Jorge ficava como um terceiro zagueiro pela esquerda, dando liberdade para Ferraz atuar como um meio campista, fato que dava muita liberdade para Carlos Sánchez, aparecendo em diversas partes do campo, explorando espaços e buscando infiltrações. O Grêmio marcava no seu tradicional perde-pressiona, com dois jogadores mais ofensivos, porém por vezes com extremas fazendo marcação dos laterais.

fram-2.jpgSaída de bola em 2+3, mas percebemos que Jorge ficava em uma altura diferente da de Victor Ferraz. Grêmio com três jogadores a frente e depois com marcação media. Fonte: InStat; Premiere. Edição: Rodrigo Costa

fram 3Fonte: InStat; Premiere. Edição: Rodrigo Costa

Mas Jorge tinha liberdade para chegar ao ataque ocasionalmente, situação que se tornou mais recorrente após os 15 minutos finais do 1° tempo, tentando criar mais associações, principalmente com Soteldo, que fica muito preso a linha lateral, geralmente buscando só jogadas de linha de fundo. E aqui o talvez, afunilar mais as jogadas, buscando o espaço entre as linhas gremistas, poderia causar mais estrago. Aqui o grande teste tricolor, pois o lado esquerdo do ataque flamenguista, com Bruno Henrique é sua principal arma. Apesar de alguma falhas, Galhardo deve ser o titular contra o Flamengo. Apesar da qualidade técnica superior de Leo Moura, seria muito arriscado colocar o experiente lateral, que não tem a força e preparo físico, além de estar voltando de lesão. Alisson será fundamental nessa recomposição, além da permanência de Michel no lugar de Maicon, para sustentação defensiva, mais isso fica para a próxima análise.

Ajude a melhorar nossas análises táticas! Contribua com o MW Futebol e ajude a manter o acesso gratuito aos nossos textos.

R$10,00

O Grêmio voltou melhor no segundo tempo. A entrada de Juninho Capixaba melhorou bastante o setor esquerdo da equipe, principalmente nas transições ofensivas, criando mais chances que o Santos e igualando a partida em termos de volume ofensivo. Esse cenário de transições rápidas e “trocação” pura se tornou mais recorrente após as mexidas de Jorge Sampaoli, que deixaram a equipe santista mais aberta e propensas aos contra-ataques tricolores.

fram 4As transições ofensivas gremistas, em especial com Matheus Henrique, começaram a encaixar desde o início do segundo tempo, inclusive com o meio-campo titular santista. Fonte: InStat; Premiere. Edição: Rodrigo Costa

Uribe entrou na vaga de Marinho e Felipe Jonatan na do machucado Luiz Felipe. Com isso, Alison se tornou zagueiro, Pituca começou a fazer a função de “5” e Felipe Jonatan jogando como interior pelo lado esquerdo. A mudança buscava mais poderio ofensivo, principalmente na criação por conta da qualidade de Felipe atuando como meia, mas, acabou expondo mais espaço para o time gremista explorar, principalmente com Luan, visto que o poderio de marcação do camisa 36 santista não é dos melhores. Luan com liberdade é craque. Apesar de não estar na sua melhor fase, fez 7 gols e deu oito assistências em 30 jogos (a maioria incompletos). A média de participação direta de Luan em um gol é de um jogo e pouco, sendo assim muito decisivo.

fram 5Fonte: InStat; Premiere. Edição: Rodrigo Costa

Aos 30 minutos, Lucas Venuto entrou no lugar de Sánchez, abrindo a equipe de vez em busca da virada, jogando agora no 4-4-2 (ou 4-2-4), já que o Santos tinha Soteldo (esquerda) e Venuto (direita) como pontas bem abertos e Uribe e Sasha como atacantes pelo meio. Com menos um meio-campista, os espaços que já apareciam à frente da defesa santista se tornaram mais recorrentes após a mexida, com isso, os contra-ataques gremistas aconteciam de forma natural, com o tricolor convertendo duas chances das inúmeras que tiveram no segundo tempo. Esse aspecto da transição ofensiva rápida e vertical será muito vista nos jogos contra o Flamengo, pois ambos times terão espaços.

fram-6.jpg4-2-4 santista deixou muito espaço no meio para o Grêmio. Felipe Jonatan avançava bastante e Pituca ficava sozinho na criação. Sasha tentou dar opção e se movimentar o jogo todo, mas sem sucesso. Fonte: InStat; Premiere. Edição: Rodrigo Costa

Para o Santos, a disputa pelo título ficou distante. A queda de desempenho é visível e Sampaoli não consegue encontrar soluções para a volta das boas atuações. Percebemos bons lampejos em algumas partidas quando a equipe pratica um Jogo de Posição mais flexível, com os jogadores (ou alguns) tendo maior liberdade de movimentação. Já para o Grêmio, aprovação no grande teste antes dos jogos contra o Flamengo, pois os próximos dois jogos contra Avaí e Fluminense serão diferentes, o primeiro na Arena, pois os catarinenses devem vir retrancados, e o segundo o Grêmio deverá jogar no RJ com os reservas. Os jogos servirão para definir o time titular, e dar entrosamento aos comandado de Renato Portaluppi, que dessa vez deu mais do que um nó tático em Sampaoli,

@costarodrigosfc e @mwgremio

 

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s