Fora de casa se resolve um confronto: ANÁLISE TÁTICA – INTERNACIONAL 1×2 Athletico-PR

Por Luiz Martins

Internacional e Athletico, dois times que possuem sua força dentro de seus dominíos, retornaram para os noventa minutos finais da decisão da Copa do Brasil. Com a vantagem, o Athletico iniciou a partida tendo dificuldades de se desvencilhar da pressão imposta pelo adversário, que jogando em casa, usou esta característica para buscar empatar o confronto. Esta pressão inicial era gerada desde os homens de frente, mas se intensificava com os encaixes individuais de Patrick e Edenilson, os responsáveis pelos mecanismos deste jogo transicional colorado, com muita imposição física.

inter1Pressão colorada desde o início no setor da bola. Ideia era roubar e ser agressivo no ataque (Fonte: Instat /Edição: Luiz Martins)

Assim o Inter conseguiu assustar o furacão, tendo ótima chance com Nico López, defendida por Santos. O volume ofensivo era grande do time, mesmo que não conseguisse transformar as chances criadas em finalizações, o time imprimia velocidade no ataque, por ter Nico López e Wellington Silva como responsáveis por ditar o ritmo do time, mas aos poucos o Athletico foi equilibrando o jogo e conseguindo também encaixar sua marcação aos jogadores colorados, dificultando e negando espaços para o Inter e sua agressividade.

inter4Athletico com encaixes de marcação mais ajustados, dificultando construção do Inter (Fonte: Instat /Edição: Luiz Martins)

Com a estratégia mais ajustada, quando tinha a bola, o meio-campo paranaense, liderado por Bruno Guimarães, já mostrava sinais de aproveitamento das debilidades da entrelinha colorada, quando buscava atacar os espaços cedidos. Em uma destes lances, Rony se desvencilha da marcação, gerando belo contra-ataque, obriga Moledo a sair em sua caça, Marco Ruben ataca o espaço, recebe a bola e encontra Cittadini livre para marcar, também atacando espaço aberto por erro coletivo.

inter2Athletico aproveitando os espaços cedidos pelo Inter, no momento do gol que abre o placar. (Fonte: Instat /Edição: Luiz Martins)

Assim o Furacão amplia sua vantagem, obrigando o Inter a sair mais pro jogo, mesmo que com falta de maior organização de ataque e com extrema dificuldade de encontrar espaços no bloco compacto organizado pelos comandados de Tiago Nunes, tendo Nico López se movimentando bastante, por ser o jogador de maior capacidade criativa em campo pelo lado gaúcho, o time aumentou a intensidade de suas ações ofensivas e logo consegue o empate após bate-rebate dentro da área, com diversas disputas de bola, em finalização de Nico López.

O panorama o segundo tempo parecia demonstrar que seria um embate mais equilibrado, mesmo que o Inter tivesse que ainda virar a partida para levar ao menos aos pênaltis.

Com esta premissa de atacar, Odair retirou Patrick do jogo, que com a bola, não conseguia realizar jogadas e condução e ataque ao espaço, pra comportar Rafael Sobis, jogador de aproximação e bom arremate de média e longa distância. Sobis entrou jogando aberto pelo lado direito, tendo Nico centralizado para ser o elo de ligação entre meio e ataque, mas em questões defensivas o time ficou exposto e com um jogador a menos para pressionar os meio-campistas curitibanos, assim deixando-os livres para construir jogadas, principalmente de inversões rápidas de corredor, além de dar maior liberdade aos laterais (Márcio Azevedo e Khellven), que também não eram pressionados por Sobis e Wellington Silva, que após um primeiro tempo razoável, demonstrava muitas falhas de tomada de decisão, principalmente próximo à área, quando poderia encontrar companheiros em zonas livres, preferindo conduzir.

inter5Com Sobis em campo, pouca pressão nos jogadores do Athletico, principalmente Bruno e Rony (Fonte: Instat /Edição: Luiz Martins)

Aos poucos Inter foi perdendo o meio-campo novamente na partida e deixando Guerrero cada vez mais isolado entre os zagueiros athleticanos, mas quando recebia algumas bolas, conseguia sustenta-las, mas a aproximação foi ineficiente no progresso de jogadas.

Odair retirou ainda Bruno (por risco de expulsão), colocando Nonato para tentar controlar mais a bola e organizar o time na base da jogada, com Edenilson sendo recuado para a lateral direita, mas assim o time perdeu mais um jogador físico de pressão no setor, cedendo mais espaços para as transições do adversário. Tiago Nunes lendo muito bem o jogo, retirou Marco Rúben, colocando Marcelo Cirino, que foi o responsável por uma das belas jogadas da partida, se desvencilhando de dois marcadores e encontrando Rony dentro da área, selando o placar e encaminhando o título para Curitiba, demonstrando que o time que soube se organizar em todas as fases de jogo, fora de casa, seria o campeão da Copa do Brasil 2019.

@ojunomartins

 

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