Estreia fenomenal – ANÁLISE TÁTICA SHAKHTAR DONETSK 0x3 MANCHESTER CITY

Por Juliano Rangel e Ícaro Caldas

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Velhos conhecidos quando o assunto é ChampionsLeague, ShakhtarDonetsk e Manchester City se enfrentaram pela primeira rodada do Grupo C. Em campo, o que se viu foi um amplo domínio dos comandados de PepGuardiola, que num jogo de imposição, souber aproveitar as falhas apresentadas pela equipe do português Luís Castro.

Manchester City foi até a Ucrânia e conseguiu repetir seu ótimo desempenho fora de casa, venceu e não sofreu nenhum gol. O equilíbrio, que tanto vinha faltando nos últimos jogos pela Premier League, na noite desta quarta-feira apareceu.

Conforme o esperado, os citizens controlaram a maior parte do jogo com a bola em seus pés. Diante disso, a equipe do Shakthar fechava sua “casinha” e apostava no contra-ataque. O Shakthar não foi uma equipe retranqueira, foi uma equipe reativa. E buscava explorar em velocidade pelos lados nas costas dos laterais Walker e Zinchenko. 

O City explorava o jogo com toques curtos, movimentações e tabelas para tentar furar a defesa dos mandantes, porém quando isso ocorria, errava no passe final (assistência) para o jogador finalizar. 

Com o decorrer da partida, o gol do City era questão de tempo, pois o time conseguia romper as linhas de defesa do Shakthar, mas não tocava com precisão e quando tinha sucesso nessa jogada, pecava na finalização.

Após uma sufocante pressão na saída de bola do adversário e recuperando a bola na defesa do Shakhtar, os citizens conseguem retomar. Jesus faz o pivô, toca para Gundogan que chuta, mas a bola carimba a trave, porém Mahrez pega a sobra e abre o placar. 

3323 City

Pelo lado esquerdo do City, Sterling e Zinchenko alternavam em quem ia ficar entre o corredor interno (entre a lateral e o meio), ambos revezavam entre ficar aberto dando amplitude e atacar o espaço ou jogar por dentro. 

Apesar de estar vindo vulneráveis e sem ter conseguido jogar bem, os citizens continuaram agredindo o Shakhtar e, 13 minutos depois, ampliaram o placar com Gundogan.

troca de posição cityTrocas de posições entre Walker e Mahrez, Gundogan e De Bruyne.

Nisso o jogo ia se desenvolvendo, nos minutos finais do lado branco e azul, os citizens baixaram seu time e começaram a agir como uma equipe reativa. No seu 4-4-2 bem compacto, com De Bruyne e Jesus à frente, a equipe recupera a posse e contragolpeia o Shakthar sem dó nem piedade.

442 city sem bola vs shakthar

Mesmo tendo sua variação tática na equipe e atuando de diversas maneiras nos seus jogos, o 4-2-4(com a bola) vem sendo o esquema novo que Guardiola está querendo utilizar no seu modelo de jogo para esta penúltima temporada. 

424 cityGabriel Jesus aberto, Sterling na referência.

Diante do Tottenham o 4-2-4 também foi utilizado. A equipe talvez esteja querendo variar do 3-2-5/2-3-5/3-1-4-2 e até o 3-3-2-3 para o 4-2-4 enquanto tiver a posse no seu domínio. 

As estreias fenomenais na Champions League voltaram a ocorrer para o City nesta temporada, depois da temporada passada, quando os Citizens estrearam perdendo para o Lyon no Etihad Stadium. Com esse desempenho, concentração e sem jogadores lesionados, a equipe pode sonhar em ser favorita ao título da tão sonhada orelhuda do clube e a primeira Champions de seu treinador fora do Barcelona.

Shakhtar Donetsk

Desde o primeiro de jogo, o Shakhtar enfrentou muitas dificuldades para avançar ao campo de ataque, com o Manchester City fazendo uma pressão alta com encaixes já tradicional saída de bola da equipe com a dupla de zaga formada por Kryvtsov e Matviyenko, que nesses momentos costuma contar com o apoio, por de dentro, dos volantes Stepanenko e Alan Patrick, e a dupla de laterais Bolbat e Ismaily avançandoe gerando amplitude.

WhatsApp Image 2019-09-19 at 19.19.06Marcação por encaixes do Manchester City na saída de bola do Shakhtar, o que representou muitas dificuldades para os avanços dos comandados de Luís Castro. (Foto: Instat / Edição: Juliano Rangel)

Como alternativa, o sistema defensivo da equipe ucraniana, que atuava num 4-2-3-1, optava por sair na bola longa, mas o que se via era movimentos repetitivos rebater e devolver bolas para os cityzens. Pelos lados, o clube inglês marcava forte e consegui neutralizar as investidas do Shakhtar, principalmente no corredor esquerdo, que tradicionalmente é muito utilizadonas descidas de Ismailysomadas aos apoios de Taison e Alan Patrick.

WhatsApp Image 2019-09-19 at 19.19.12Marcação forte do City, que desconstruía as investidas de Ismaily, Taisone Alan Patrick pela lado esquerdo. (Foto: Instat / Edição: Juliano Rangel)

Por dentro, a equipe também sofria com o avanço sufocante das peças do City. Nesses momentos, Alan Patrick e Stepanenko apresentavam dificuldades para controlar as investidas de Kevin De Bruyne e Gundogan, que trabalhavam entre as linhas de defesa e meio-campo e se infiltravam na área da equipe ucraniana nos momentos de ataque.

WhatsApp Image 2019-09-19 at 19.19.17Defensivamente, o Shakhtar se organizava num 4-4-2, tendo Kevin De Bruyne e Gundogan trabalhando entre suas linhas de defesa e meio-campo. (Foto: Instat / Edição: Juliano Rangel)

Nesse sistema de marcação por encaixes, laterais e extremos do Shakhtar eram vigiados de uma forma bem organizada: na direita, Bolbat era marcado por Sterling e Solomon por Zinchenko, enquanto que na esquerda, Ismaily era acompanhado por Mahrez e Taison era observado por Walker.

Como resposta, Taison e Marlosse movimentavam bastante no campo de defesa, retornandopara oferecer apoios na tentativa de desafogar a saída de bola da equipe. Já nas transições ofensivas, a dupla contava com a aproximação de Alan Patrick e os laterais bem abertos nos corredores.

WhatsApp Image 2019-09-19 at 19.19.22Nas transições ofensivas, Alan Patrick se aproximava de Taison e Marlos que se movimentavam por dentro, com os Ismaily e Solomon nos corredores. (Foto: Instat / Edição: Juliano Rangel)

Reconhecido pelo seu jogo propositivo, o Shakhtar só conseguiu criar sua primeira finalização aos 11 minutos do primeiro tempo, num chute de fora da área disparado por Marlos. Tanto Taison, na esquerda, como Solomon, na direita, tentavam trabalhar por dentro, mas encontravam na marcação do City muita dificuldade para avançar.

Mais defensivo e muito diferente de tudo já visto neste início de temporada, o Shakhtar se posicionava mais no seu campo de defesa num 4-4-2 e executava uma marcação entre bloco médio e baixo. Mesmo com toda essa postura em seu campo de defesa, o Shakhtar viu os cityzens abrirem o placar aos 23 minutos, com a dupla Kevin De Bruyne e Gundogan entrando em ação.

Iniciando uma tentativa de transição ofensiva, pelo lado esquerdo e perto da área, Alan Patrick recebeu a bola já pressionado por De Bruyne, que a ganhou a pelota e a mesma sobrou para Gundogan. O alemão serviu Gabriel Jesus, que, entrando em diagonal na área, devolveu para o camisa 8 do City chutar a bola na trave e, no rebote, Mahrez conseguiu marcar.

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Só depois dos 25 minutos iniciais, o Shakhtarcomeçou a ser mais presente no campo de ataque, tendo como caminhos os lados do campo por meio das bolas em profundidade para os laterais, principalmente para Ismaily no setor esquerdo. Júnior Moraes, que era pouco acionado, tentava se movimentar entre as linhas as duas últimas linhas do City.

O problema nessas movimentações eram os retornos, com o City sendo muito rápido em suas transições e atacando justamente nos espaços deixados pelos laterais.

WhatsApp Image 2019-09-19 at 19.19.28Um dos grandes problemas enfrentados pelos Shakhtar, eram as investidas pelos lados do ataque do City, muito por conta das descidas de Ismaily e Bolbat. (Foto: Instat / Edição: Juliano Rangel)

A melhor jogada do Shakhtar na primeira etapa aconteceu aos 34 minutos, com a equipe apostando na velocidade de Taison. Rápido e ainda no campo de defesa, o camisa 7 conseguiu tabelar com Júnior Moraes para receber e disparar pelo meio, ainda venceu alguns duelos, com direito a uma “caneta” em Rodri. Já próximoà área, Taison serviu, novamente, Júnior Moraes, que realizou um movimento de infiltração e só parou na defesa de Ederson.

Três minutos mais tarde, e mais uma vez atacando os espaços vazios pelos lados, o City chegou ao seu segundo gol. O argelino Mahrez aproveitou o espaço deixado por Ismaily, cortou para o meio e serviu Gundogan, que num movimento de ultrapassagem, se infiltrou na área e mandou para as redes de Pyatov.

WhatsApp Image 2019-09-19 at 19.19.33Linha defensiva do Shakhtar desorganizada na origem do lance que resultou no segundo gol do City. (Foto: Instat / Edição: Juliano Rangel)

Na segunda etapa, Luís Castro resolveu controlar mais a investidas dos comandados de PepGuardiola e dar mais liberdade para Taison atacar. Para isso, ele promoveu a entrada de Konoplyanka no lugar de Solomon e avançou Taison para atuar mais próximo de Júnior Moraes.

Com isso, Marlospassou a ocupar a extrema esquerda, variando a equipe entre o 4-4-2 e 4-3-3.Mais móvel nesta etapa, Júnior Moraes era mais acionado nas bolas em profundidade, enquanto que Taison acelerava e entrava em diagonal.

WhatsApp Image 2019-09-19 at 19.19.38WhatsApp Image 2019-09-19 at 19.19.43No segundo tempo, Luís Castro variou a formação entre 4-4-2 e 4-3-3, nos momentos defensivos. (Foto: Instat / Edição: Juliano Rangel)

Para reforçar os lados, Konoplyankatambém participava nas fases defensivas, fechando a linha de defesa pela esquerda e variando a formatação para um 5-4-1, com Ismaily atuando como um terceiro zagueiro.

WhatsApp Image 2019-09-19 at 19.19.47Também foi possível ver o 5-4-1, com Konoplyanka fechando a linha de defesa pela esquerda e Ismaily atuando como um terceiro zagueiro. (Foto: Instat / Edição: Juliano Rangel)

Mas, mesmo contando todos esses ajustes, o Shakhtar continuava muito vulnerável na frente para sua área e desorganizado pelos lados, muito por conta das movimentações e as investidas de Kevin De Bruyne e Gundogan e pelas entradas em diagonal de Sterling e Mahrez.

WhatsApp Image 2019-09-19 at 19.19.53Mesmo com as modificações do segundo tempo, o Shakhtar ainda se mostrava desorganizado no trabalho das linhas durante os momentos defensivos. (Foto: Instat / Edição: Juliano Rangel)

Luís Castro ainda colocou os brasileiros Marcos Antônio (para auxiliar na saída de bola) e Dentinho (para dar um novo fôlego e mobilidade no ataque) nas vagas de Alan Patrick e Júnior Moraes, respectivamente. A equipe também continuava deixando espaços, muito por conta dos avanços em buscar de rever a situação no placar.

E foi em uma destas descidas para o ataque, que o City aproveitou para marcar seu terceiro e dar números finais ao jogo. Marlos tentou um lance na frente área dos cityzens, mas, muito marcado, acabou perdendo a posse da bola e viu o City ligar um rápido contra-ataque. Resultado, único atrás da linha de meio-campo, Matviyenko se viu no “mano a mano” com o trio Mahrez, De Bruyne e Gabriel Jesus, que recebeu para mandar as redes.

JUNTAR OS CACOS PARA SEGUIR – As dificuldades do jogo já eram esperadas, junto com o tom agressivo da equipe de Guardiola desde os primeiros segundos, mas o que mais surpreendeu foi à postura do Shakhtar, bem diferente do modelo propositivo apresentando nesse início de temporada. Luís Castro ainda terá tempo para trabalhar a equipe e focar no duelo diante da Atalanta, no próximo dia 1º de outubro, no Estádio Giuseppe Meazza, que será de suma importância para as pretensões da equipe, já pensando em uma possível classificação em segundo do grupo.

@caldasicaro@julianords

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