Reabilitação na Arena Condá – ANÁLISE TÁTICA CHAPECOENSE 1×2 VASCO

Por Ricardo Leite

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Neste sábado Vasco entrou em campo para enfrentar a Chapecoense na Arena Condá. E além de enfrentar o adversário, um tabu expressivo também apimentava a partida. Vasco nunca tinha vencido a equipe catarinense fora de São Januário. Em duelo de equipes da parte debaixo da tabela, o Vasco vinha de duas derrotas e buscava reabilitação. Com a volta de Talles, a novidade na escalação ficou por conta de Ribamar, antes afastado, voltou a ter oportunidades, após observação e aprovação do ex-meia e atual auxiliar técnico Ramon Menezes. Na lateral direita, Cáceres assumiu a vaga do suspenso Pikachu. Na esquerda, após dúvida na semana, Danilo Barcellos ficou com a titularidade.

O primeiro tempo apresentou baixo nível técnico e começou com o Vasco tendo a bola, e buscando propor as ações. Com a dificuldade habitual para criar, a equipe carioca apostava nas jogadas pela esquerda, iniciando com Marcos Jr, e dependendo da habilidade e irreverência de Talles nos dois últimos quartos do campo. Talles vem sendo com 17 anos, o ponta construtor que o esquema tanto almejava. Jogando pela esquerda e interiorizando a maior parte das jogadas, ele afunila, e espera a movimentação dos homens de frente, ou opta pela jogada individual. Nessa partida por exemplo, foi o destaque com 03 passes decisivos, 05 dribles (todos certos) e 02 finalizações certas, além do gol.

Com pouca inspiração, e pouca participação ofensiva do lado direito, Rossi esteve apagado, e Cáceres e Raul tiveram mais preocupações com o balanço defensivo, o que prejudicava a transição ofensiva e deixou o cruzmaltino “torto” e mais facilmente marcado. Após 15 minutos, Chapecoense tentou ser mais ativa na partida. Buscava acionar Everaldo, sempre no mano com os zagueiros, e com infiltrações “surpresa” de Augusto. Por algumas vezes geraram problemas para o sistema defensivo vascaíno. Com jogadas pelos lados e pivô de Everaldo, o Vasco tinha problemas para marcar por dentro, pois os volantes eram os responsáveis pelas coberturas nos flancos e acabavam não ocupando da melhor forma o setor central. Neste esquema de Luxemburgo, ele busca dar uma liberdade maior para os extremos, e com isso eles possuem menos obrigações defensivas, recompondo somente até a intermediária.

Com Ribamar, o Vasco ganhou em força e em referência, numa comparação com Marrony, mas ele precisa aperfeiçoar suas movimentações para gerar espaços, e para aproveitar diagonais nas jogadas por dentro. Ainda assim, teve grande utilidade na partida, apesar da limitação técnica. Curiosamente, apesar do volume pela esquerda, foi pela direita que aconteceram as duas melhores chances do Gigante na primeira etapa. A primeira, na única ultrapassagem de Cáceres em direção à linha de fundo, Ribamar disputou com o zagueiro, mas finalizou para ótima defesa de Tiepo. Na segunda, Raul desarma ainda no campo de defesa, e em velocidade aciona Ribamar, que saiu caracara com o goleiro, e cavou para abrir o placar.

Com vantagem no placar, o Vasco baixou um pouco o seu bloco do 4-1-4-1, mas não sofria grandes sustos. Apresentou boa solidez defensiva e negava os espaços para Chapecoense. Richard demonstra grande importância neste modelo de jogo. Segurança à frente da zaga, boa ocupação do setor de meio campo e papel importante nas coberturas dos dois lados. Se tivesse melhorado a sua transição poderia ter feito uma partida ainda mais tranquila. A Chape melhorou com a entrada de Arthur Gomes que flutuava do lado direito em direção ao meio, e apareceu em rara chegada da Chape para cabecear e empatar a partida. Antes que pudesse sentir o baque, o Gigante da Colina contou com a qualidade diferencial e a ousadia do menino Talles. Em contragolpe rápido, puxado por dentro, ele até tinha a opção de Clayton pela direita, mas puxou pra canhota e bateu de fora da área no cantinho pra dar a vitória ao Vasco.

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Com a vitória, a equipe carioca respira, vence um concorrente direto, fecha o primeiro turno na 12º colocação e se recupera após dois resultados negativos. O Vasco ainda mantém problemas na criação, mas vai encontrando pequenas alternativas no elenco. É preciso encontrar um equilíbrio na ação defensiva dos seus extremos e ainda assim potencializar suas transições.

@analisevasco

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