Na cobertura, no topo… ANÁLISE TÁTICA – FLAMENGO 1 x 0 SANTOS

Por Felipe Henriques

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O cenário estava montado para um grande jogo: Dois grandes times treinados por dois ótimos técnicos e que lideravam o campeonato com todos os méritos, além de um Maracanã lotado e na expectativa de mais uma vitória rubro-negra, a sexta consecutiva na liga nacional. Rodrigo Caio, Arrascaeta e Bruno Henrique estavam de volta ao XI inicial do Mengão, enquanto o Santos contava com Marinho no lado direito do ataque, formando o trio ofensivo com Soteldo e Eduardo Sasha.

Falando no Marinho, comecemos falando sobre ele, já que o duelo vencido por ele contra o Pablo Marí aos 7’ poderia resultar em gol, mas Jorge acabou furando na grande área e, no rebote, Rafinha bloqueou o remate de Eduardo Sasha, mostrando que os encaixes individuais rubro-negros precisariam ser perfeitos para deter um ataque rápido e habilidoso, além de receber bons passes de Carlos Sánchez na criação do meio-campo.

Se esperar a tomada de decisão adversária significa correr riscos devido à possibilidade de espaços nas costas dos marcadores quando há linhas altas, pressionar a saída santista pareceu ser uma boa idéia, como foi feito em muitos momentos contra o Palmeiras.

Pareceu confuso? Calma, vou explicar.

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Digamos que você esteja jogando contra um time criativo que tem um bom ataque e quanto mais tempo e espaço seja concedido, mais chances essa equipe X terá de marcar o gol. No futebol americano existe o seguinte argumento: “Quanto menos tempo um ataque forte estiver em campo, menos chances terá de pontuar.”

Em relação a esse exemplo, podemos dizer que quanto menos tempo times como Flamengo, Santos e Grêmio tiverem a bola em seus pés, menos chances terão de conseguir balançar as redes e, de forma óbvia, cada vez menos ataques e gols, menos chances de vitória.

Nesse caso, nota-se a importância de Willian Arão e Gérson na imposição no meio-campo para aproveitar o chutão ou forçar o erro de passe.

Contra o Palmeiras, Gérson forçou o erro e Filipe Luís iniciou a jogada do segundo gol. Contra o Santos, Éverson não encontrou opções livres para iniciar a saída pelo chão e mandou o chutão pelo meio, interceptado por Arão de cabeça e com Everton Ribeiro acionando Gabigol na entrada da área. Gustavo Henrique conseguiu o desarme, mas a bola sobrou para Arrascaeta que finalizou pra fora. Encaixes individuais para atrapalhar a saída e forçar o erro; Rapidez para acelerar e finalizar depois de retomar. Uma verdadeira arapuca de Mister Jorge.

Porém, quando o Peixe conseguiu sair para criar, conseguiu encontrar espaços na defesa rubro-negra, como aos 19’ quando Carlos Sánchez recebeu de Marinho totalmente livre na ponta direita, às costas de Marí e mandou direto pro gol, obrigando defesa de Diego Alves, com Rodrigo Caio salvando após remate de Soteldo. Nesse lance, Marinho conseguiu conduzir da ponta para dentro e atraiu a atenção dos marcadores, desarrumando todo o sistema defensivo rubro-negra, já que não havia uma cobertura correta dos volantes pelas laterais.

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Em questão de time dominante, foram 24 minutos de alternância de momentos de superioridade em uma partida muito estudada pelos dois treinadores. Se o Flamengo usava o lado esquerdo como o setor forte favorito para atacar com a aproximação de Arrascaeta e Everton Ribeiro, o Santos conseguia usufruir bem de seu ataque veloz contra os encaixes individuais.

Outro detalhe que podemos destacar: Construtivamente, o Flamengo enfrentou dificuldades para infiltrar na defesa santista no 1T, muito pelo bom posicionamento defensivo dos três zagueiros principalmente nas bolas aéreas quando conseguiu cortar os cinco cruzamentos tentados pelo rubro-negro carioca nos primeiros 45 minutos.

Se por um lado estava difícil entrar na área santista, a partir dos 26’ houve uma melhora na cobertura defensiva com Arão e Gérson acompanhando as tentativas alvinegras. Com isso, o Santos precisou trabalhar mais a bola por dentro e gerou mais tempo para que a defesa do Flamengo se posicionasse e protegesse melhor a sua área.

Em um jogo equilibrado, vence quem mostrar mais eficiência em sua estratégia e criatividade para surpreender o adversário. Aos 43’, Everton Ribeiro interceptou o passe de Eduardo Sasha em sua intermediária defensiva e lançou Gabigol em velocidade, daí o artilheiro do campeonato confirmou a eficiência do plano de Jesus ao exalar a sua criatividade com um belo gol de cobertura.

Aliás, não podemos ignorar o quão Éverton Ribeiro é fundamental para dar mais criatividade ao ataque rubro-negro, ditando o ritmo com um controle de bola e de ação incrível, sendo um jogador totalmente cerebral que sempre busca o jogo e se aproxima do setor onde a bola está. Extremamente acima da média e parece que tem o mapa do campo totalmente em sua mente, sabendo muito bem quais espaços explorar. Foi o melhor em campo, indubitavelmente.

WhatsApp Image 2019-09-16 at 08.49.01                                      Mapa de movimentação de Everton Ribeiro. Fonte: Footstats

Se Everton desequilibrou ofensivamente, não podemos ignorar a grande atuação defensiva de Filipe Luís, com ênfase nos desarmes: 100% de aproveitamento (9/9), vencendo duelos contra um insinuante Marinho e com inteligência para contribuir na construção com uma visão de jogo apurada digna de um jogador experiente e que ainda é um dos melhores em sua posição.

E sempre fica a dúvida que fisicamente, Filipe ainda não está 100%. Justificável, já que ainda seria um rotineiro início de temporada para o lateral. Assim como Rafinha, importante para dar amplitude a equipe pelo lado direito e permitir as movimentações de Gérson e Everton por dentro.

No 2T, o Flamengo desceu suas linhas defensivas e deixou a iniciativa propositiva para o Santos, fazendo até uma linha de cinco em determinados momentos para proteger a sua área e efetuar a cobertura de forma eficiente, principalmente na marcação sobre Jorge e Soteldo pelo lado esquerdo para não deixá-los no mano a mano.

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Após a entrada de Felipe Jonatan no lugar de Carlos Sánchez, o Santos migrou do 3-4-3 para o 4-3-3 deslocando Jorge para a LE e usando Felipe Jonatan para fortalecer o lado esquerdo com Soteldo, deixando Cueva livre para se movimentar na entrelinha e mantendo Marinho pelo lado direito do ataque, com Sasha ainda como 9.

Houve superioridade na posse de bola, mas o quadro havia se invertido. Se o Flamengo não conseguia penetrar na área alvinegra no primeiro tempo, agora era o Santos que não conseguia prevalecer sobre a defesa rubro-negra, devido ao bom posicionamento.

Mesmo com tentativas de executar suas estratégias de forma competente, não houve criatividade para surpreender. No duelo dos líderes, a cobertura do condomínio segue sendo rubro-negra com uma vista privilegiada.

 

@Lipe_Henry

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