Camisa 10 nas costas e mais uma bola pra casa – ANÁLISE TÁTICA PALMEIRAS 3×0 FLUMINENSE

Por Rafael Santos e Jorge Coutinho

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O Palmeiras veio a campo novamente no 4-2-3-1 com três alterações em relação ao time que venceu o Goiás no sábado, no gol Fernando Prass ocupou a vaga de Jailson, Felipe Melo voltou de suspensão ocupando a vaga de Ramires e Zé Rafael que sofreu uma concussão deu vaga para Willian.

A proposta de jogo se manteve a mesma, mas a estratégia foi diferente devido ao fato que o gol saiu logo no começo do jogo, desse modo à equipe paulista teve menor posse de bola e uma quantidade inferior de passes trocados.

O Fluminense repetiu a escalação, a formação tática e a estratégia da rodada anterior, duelo que venceu, fora de casa, o Fortaleza. Com formação de saída o 4-3-3, com variação para o 4-1-4-1 ao defender, linhas baixas e Airton entre elas, a estratégia era dar a bola ao adversário, defender para tentar sair em contra-ataques. Contra o Fortaleza, o resultado veio no fim mas a performance não foi boa, vale lembrar que Muriel foi o nome do jogo. Contra um time qualificado como o Palmeiras, a repetição da “receita” e dos “ingredientes” era visivelmente arriscado.

WhatsApp Image 2019-09-11 at 21.35.17Momento do 4-1-4-1, linhas espaçadas, sem encaixes de marcação.

Com placar adverso e com nervos a flor da pele, a equipe carioca tentou tranquilizar a partida com trocas de passe no primeiro e segundo terços do campo.  As investidas ofensivas foram feitas nas individualidades de Yony e W. Nem, na busca de Ganso conseguir um passe chave e nas bolas paradas de Nene.

Mesmo com mais posse de bola no primeiro tempo, o Fluminense teve apenas uma chance clara. Após excelente passe de Ganso, João Pedro cara a cara com Fernando Prass chutou para fora, desperdiçando a melhor oportunidade do tricolor carioca na partida.

Melhor chance do Fluminense na partida – Ganso coloca João Paulo na cara do gol.

Pelo lado palmeirense, os laterais tiveram grande importância para o desenvolvimento da equipe, Marcos Rocha e Diogo Barbosa auxiliaram no trabalho de amplitude e profundidade em parceria com Dudu, Willian e Gustavo Scarpa, porem ao mesmo tempo os laterais tinha a liberdade de participar da criação de jogo pelo meio, essa mobilidade fez com que o jogo ofensivo ficasse cada vez mais imprevisível.

WhatsApp Image 2019-09-11 at 21.35.24Interação de passes entre os jogadores durante a partida via FootStats.

Já os laterais do Fluminense não tiveram boa atuação. Ofensivamente Caio Henrique era mais acionado, mas pouco produziu: dois cruzamentos, (ambos errados) e 3 finalizações (somente uma foi em direção a meta adversária). Gilberto pisou menos no terço final, cruzou o mesmo número de bolas (ambas com eficiência) e apenas um chute que sequer chegou à meta adversaria. Defensivamente falharam na proteção dos flancos, por diversas vezes abandonaram suas zonas de marcação para dar combate no adversário, deixando a primeira linha quebrada, desarrumada.

WhatsApp Image 2019-09-11 at 21.35.35Quadro quantitativo comparativo Gilberto x Caio Henrique.

No primeiro tempo as principais jogadas do Palmeiras aconteceram pelas laterais, o lado direito tinha Gustavo Scarpa e Dudu propiciando jogo central ou em profundidade e pelo lado esquerdo William e Diogo Barbosa fazendo o mesmo trabalho. Inclusive o primeiro gol saiu após uma jogada de profundidade que Diogo Barbosa infiltra em velocidade ocupando o espaço aberto por William.

WhatsApp Image 2019-09-11 at 21.35.40Diogo Barbosa impõe profundida ocupando o espaço por Willian, Luiz Adriano centralizado e Dudu mantendo amplitude.

Vale destacar que o principal objetivo da jogada é finalizar ela, não existe plano B, desse modo os volantes ficam mais recuados e não brigam por um possível “segunda bola”, essa proteção defensiva é importantíssima para impor um processo de transição defensiva mais rapidamente. Esse processo só pode acontecer se a equipe ataca com a quantidade necessária de jogadores, não é viável ter mais de seis jogadores no ataque se o processo de recomposição não estiver claro.

Porem quando o Palmeiras enfrenta uma defesa já posicionada é de vital importância o avanço de Bruno Henrique, a equipe ganha em finalização, disputa pela “segunda bola” e pressão pós perca de bola. Quando o contra-ataque é rápido os volantes ficam mais presos e quando a equipe precisa furar bloqueios os volantes têm mais liberdade.

A principal evolução de Mano Menezes em comparação com Felipão é a jogo de aproximação e movimentação, essa mobilidade só acontece quando a estrutura propõe esse modelo de jogo. No decorrer da partida William se manteve pelo lado esquerdo, mas quando necessário se aproximava do meio campo e durante varias momentos atuou como segundo atacante ao lado de Luiz Adriano

Screenshot (6)Mapa de ações coma bola via FootStats.

Gustavo Scarpa atuou muito em praticamente todas as faixas de campo, se aproximou bem do Marcos Rocha na primeira etapa, mas em nenhum momento ficou preso, teve liberdade para se movimentar e inclusive entrar na área e atuar como falso 9 jogando atrás de Luiz Adriano. Recuperação rápida de bola com Bruno Henrique pressionando a primeira linha, Marcos Rocha e William abertos para o jogo em profundidade e Gustavo Scapa vindo de trás em liberdade

WhatsApp Image 2019-09-11 at 21.43.59Pressão alta pós perca com Gustavo Scarpa flutuando pelo meio.

Enquanto isso Dudu atuou cada tempo de um jeito diferente, na primeira etapa teve mais mobilidade e conseguiu potencializar o jogo de profundidade de Marcos Rocha, porem no segundo tempo voltou aos bons tempos quando era exclusivamente extremo, recebeu inúmeras inversões de jogo e conseguiu imprimir velocidade nos momentos adequados.

O Fluminense voltou para segunda etapa com vontade de atacar. Até o segundo gol do Palmeiras, aos 13 minutos, o time controlava a partida e criou duas boas oportunidades. Uma com Caio Henrique que demorou para concluir, e perdeu a bola para Marcos Rocha. Posteriormente num chute forte a distância de Nene. Em nova falha do sistema defensivo tricolor, Luiz Adriano ampliou e foi um banho de água fria para uma reação.

WhatsApp Image 2019-09-11 at 21.44.06Os dois lances de perigo do Fluminense na segunda etapa.

O lance do segundo gol é um exemplo claro da potencialização do lado direito, Marcos Rocha empurra Dudu para o fundo, enquanto isso em direção a área Willian e Luiz Adriano ficam no 2×2 dentro da área, William segura a corrida e Luiz Adriano acelera a passada dando opções de passe, ao invés de apenas alçar a bola a área.

WhatsApp Image 2019-09-11 at 21.44.06Dudu em profundidade com William se aproximando de Luiz Adriano.

Essa mobilidade, movimentação e aproximação fez com que o Palmeiras usasse o cruzamento apenas no momento necessário, deixou de ser a única estratégia quando o jogo terrestre não dá certo.

WhatsApp Image 2019-09-11 at 21.44.18Interação de cruzamentos entre os jogadores durante a partida via FootStats.

O lance do terceiro gol é exemplo disso, Marcos Rocha recebe em amplitude e tem a possibilidade de buscar a profundidade, mas percebe que o Fluminense tem superioridade numérica, desse modo o cruzamento é a opção mais adequada.

William ocupa a área em busca do jogo rasteiro e Luiz Adriano se desprende dos zagueiros buscando o cruzamento, enquanto isso Dudu e Scarpa se mantem aproximados, os volantes estão avançados. Esse jogo de aproximação é o ponto forte da equipe após a chegada de Mano Menezes.

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Defensivamente o Palmeiras cedeu espaços quando o Fluminense se movimentou e buscou triangulações. A linha defensiva foi bem no apanhado geral, mas cederam espaços quando recuou demais e não conseguiu quebrar a linha de passe, nos poucos momentos em que Ganso e Nenê recebem no jogo entrelinhas potencializam os atacantes que desperdiçaram boas oportunidades.

WhatsApp Image 2019-09-11 at 21.44.27Primeira linha afrouxa a marcação e Felipe Melo se desprende da linha deixando Bruno Henrique sozinho.

Novamente o Palmeiras cede o jogo central de Nenê que aciona Caio Henrique em profundidade, Vitor Hugo precisa recompor as costas de Luan e Felipe Melo não consegue bloquear a linha de passe, algo que deveria ser feito levando em conta que o Fluminense não tinha um centro avante centralizado para ter marcação reforçada.

WhatsApp Image 2019-09-11 at 21.44.31Primeira linha frouxa e sem formação, espaços abertos para o passe me profundidade.

Do lado carioca o treinador Oswaldo de Oliveira tem alguns problemas graves para resolver. Se antes da sua chegada boa parte dos gols sofridos eram oriundas de falhas individuais, o que se viu na noite de ontem foi um desastre coletivo nas ações defensivas. Linhas quebradas, Airton perdido entre as linhas, espaços nas laterais, inferioridade numérica e zonas de finalizações expostas.

O aspecto físico com o trio Airton, Ganso e Nene impõe ao time exposições atrás, espaços não são preenchidos e a cobertura quase inexiste. Os atacantes Yony, Nem e Marcos Paulo por terem funções de fechar os flancos, correm por diversas vezes faixa a faixa de linha de fundo, cansa e desgasta, nos 15 minutos finais, lá na frente chegam sem pernas para dar sequência às jogadas ofensivas.

Abaixo vídeos com olhar crítico do sistema defensivo do Fluminense, nos gols da derrota diante do Palmeiras.

Primeiro Gol:

Segundo Gol:

Terceiro Gol:

O Palmeiras novamente está na briga pelo bicampeonato, está a 1 ponto do Santos e 3 pontos do Flamengo, lembrando que ambos se enfrentam e o Palmeiras volta a campo no sábado em casa contra o Cruzeiro, ex-clube de Mano Menezes. Essa partida deve ser o divisor de aguas para a briga pelo titulo ou não.

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O Fluminense segue na zona do rebaixamento. Vem dando sinais claros de falta de preparo físico, tático, mental e psicológico. Trabalho árduo para comissão técnica e departamento de futebol. No próximo domingo terá mais uma dura missão às 16h em Brasília, no Estádio Mané Garrincha.

@Rafinha_Esporte e @JorginhoFFC

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