Os primeiros passos de Mano Menezes – ANÁLISE TÁTICA GOIÁS 1 x 2 PALMEIRAS

Por Rafael Santos

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Após um longo período, o Palmeiras conseguiu reverter um placar e vencer um jogo de virada, logo na estreia do novo comandante Mano Menezes. Assim com foi prometido na apresentação, ele não modificou a estrutura da equipe, mas ele potencializou ações ofensivas ao invés de apostar em individualidades no ultimo terço de campo. Em tese a escalação foi muito próxima do que já vinha sendo feito, porem as orientações e direcionamento foi diferente.

Em tese a escalação foi muito próxima do que vinha sendo feito, porem na pratica foi muito diferente. A ligação direta para o centroavante não é mais a primeira opção, agora a equipe tenta trocar mais passes e conta com uma maior aproximação dos jogadores, além disso, a equipe teve mais mobilidade e vários jogadores tiveram liberdade para flutuar ao invés de ficarem presos em alguma faixa de campo.

A principal surpresa ficou por conta da escolha de Ramires ao lado de Bruno Henrique, abandonando a ideia do volante de contenção. Foi uma ótima estratégia por que ambos têm bom passe, conseguem se aproximar dos extremos e chegam à área, dentro disso com a volta de Felipe Melo a equipe pode se moldar de acordo com o adversário.

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A escolha de Gustavo Scarpa e Zé Rafael ficou por conta da armação de jogo ao invés de apenas acelerar pelos corredores, essa função ficou na responsabilidade dos laterais que tinham liberdade para o avanço, principalmente pela esquerda.

Os extremos faziam o balanço defensivo impedindo a saída de bola e fechavam os espaços, nos momentos em que o lateral direito do Goiás recebia o passe rapidamente Zé Rafael pressionava o adversário e contava com o auxilia do Dudu e Luiz Adriano, enquanto isso Gustavo Scarpa se posicionava na região central de campo.

brbrLinhas altas de marcação individualizadas.

Essa modificação foi importantíssima para a equipe, por que afastou a equipe do Goiás do ultimo terço de campo, deixando como opção a ligação direta. O principal risco era o atacante Michael, por isso Diogo Barbosa foi muito bem quando antecipava a ligação direta e recuperava a posse de bola, mas nos momentos em que a equipe goiana “ganhava a segunda bola” rapidamente Michael era acionado e nesse momento a equipe sofria riscos.

brDiogo Barbosa próximo de Michael, impedindo a recepção e Vitor Hugo em liberdade para a cobertura.

Após sofrer o gol a equipe não se desmotivou e manteve seu plano de jogo, articulou bem suas jogadas e começou a usar mais o lado direito do campo com Marcos Rocha e Gustavo Scarpa. Isso fez com que a defesa goiana se movimentasse gerando espaços atrás de linha defensiva.

brGustavo Scarpa acionado, propiciando mais cruzamentos e movimentações por trás da defesa.

Na segunda etapa o Palmeiras se manteve forte ofensivamente e chegou ao ultimo terço de campo com troca de passe e movimentação, a liberdade para flutuar foi o que definiu a segunda etapa, enquanto o Goiás era unidimensional o Palmeiras atacava de varias formas. Inclusive em um lance de liberdade Zé Rafael saiu da ponta e se projetou para a área, onde colidiu com o goleiro Tadeu e ambos foram substituídos.

O lance da colisão mostra claramente alguns conceitos de mobilidade, Zé Rafael tem liberdade para entrar na área fazendo com que Diogo Barbosa tenha liberdade para dar profundidade e amplitude, assim como Marcos Rocha vem para o meio participar da criação dando liberdade para Gustavo Scarpa manter a amplitude.

brDiogo Barbosa e Gustavo Scarpa em amplitude, Zé Rafael e Marcos Rocha com mobilidade para entrar na área e criar pelo meio.

Após a colisão o Palmeiras fez duas mudanças, saíram Zé Rafael e Ramires para a entrada de William e Lucas Lima. Ambas as alterações propiciaram com que a equipe fosse mais ofensiva. William que ainda não recuperou o ritmo de jogo após a lesão entrou descansado e conseguiu se aproximar de Luiz Adriano e Dudu, tanto para abrir espaços quando para finalizar e Lucas Lima na vaga de Ramires fez com que a equipe ganhasse no passe mais profundo visando os jogadores em amplitude.

Devido ao cansaço Luiz Adriano deu vaga para Borja, essa mudança fez com que a defesa goiana se desmontasse, o papel de pivô feito por Borja e alto risco de finalizações rápidas fizeram com que o bloco defensivo fosse ainda mais justo, fazendo com que a “segunda bola” sempre fosse do Palmeiras que rapidamente acionava os jogadores centrais que enxergavam passes verticais tanto para Dudu em profundidade pela direita quanto para Diogo Barbosa pela esquerda.

Nos 20 minutos finais o Palmeiras avançou seu bloco ofensivo centralizando Gustavo Scarpa, abrindo Dudu pela direita, aproximando William e Borja da área, usando Diogo Barbosa como ponta direita e Marcos Rocha se aproximando de Lucas Lima para articular o jogo pelo meio. Ótima sacada de Mano Menezes que a todo o momento apostou na mobilidade e coletividade, as mudanças fizeram a equipe ainda mais agressiva.

O lance do gol é o reflexo da mobilidade ofensiva, Borja se movimenta trazendo a marcação e abrindo espaço para William ocupar sua vaga, Dudu recua e dá liberdade para Lucas Lima partir em profundida, assim como Gustavo Scarpa que é o escolhido e recebe o passe, rapidamente aciona William que parte em liberdade para o gol.

brbrMobilidade ofensiva e troca de passe rápido. Espaços gerados pela movimentação.

No restante da partida o Palmeiras criou, se movimentou e chegou a área por inúmeras vezes, mas o Goiás se defendeu bem e abdicou dos contra-ataques. Isso dificultou os ataques palmeirenses, mas em jogada de lateral o Palmeiras virou o jogo.

Mantendo a proposta, Marcos Rocha lança a bola na área, mas com organização e inteligência o Palmeiras não se agrupou na área. Toda bola parada de um modelo de ideia, o Palmeiras foi muito feliz no seu estipulando o posicionamento pela característica do jogador. Dentro da área brigando pelo alto William e Borja que são fortes e finalizam bem se preciso, Diogo Barbosa em liberdade pela esquerda e de frente para o gol Bruno Henrique e Gustavo Scarpa que são ótimos finalizadores de média distancia.

brbrLateral na área, novamente Borja se movimentando e Gustavo Scarpa em liberdade.

Sim, foi um gol de lateral, mas não foi um gol em que o time arremessou e torceu, foi um gol em que o time estava organizado para solucionar o problema.

Analisando friamente a partida, o Palmeiras fez um bom jogo. Conseguiu manter a estrutura, mas já modificou o padrão e as escolhas modificaram o jogo para o bem e propuseram com que a equipe tivesse ofensividade a todo o momento, destaque maior para a mobilidade em conjunto.

Muitos técnicos invertem os extremos e mantem a região central da mesma maneira, isso não necessariamente é ser móvel, isso é apenas um principio disso. A mobilidade palmeirense foi primordial para que a virada acontecesse, Dudu teve liberdade para ser extremo e articulador, Gustavo Scarpa idem, os laterais Marcos Rocha e Diogo Barbosa não ficaram presos e puderam ser parte da engrenagem, o centroavante que entrou em campo tinha capacidade de movimentar-se e abrindo espaços e com a bola no pé ser perigoso. Em resumo, estreia muito boa de Mano Menezes.

@Rafinha_Esporte

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