Qualidade e Intensidade – ANÁLISE TÁTICA BRASIL 5 x 0 ARGENTINA

Por Guilherme Monteiro e Pedro Galante

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A tão esperada estreia de Pia Sundhage pela seleção feminina aconteceu nessa quinta-feira (30). Pelo Torneio Internacional, as meninas enfrentaram a Argentina no Pacaembu. Pia armou o time em um 4-4-2 com duas volantes e uma dupla de ataque bem complementar.

Escalação brasileira:

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Desde o primeiro minuto, a superioridade brasileira ficou muito clara: sem a bola, muita intensidade para pressionar e recuperar; com ela, dinamismo e muito vigor, buscando triangulações e ultrapassagens das laterais, em especial pelo lado esquerdo.

E foi pelo lado esquerdo que saiu a jogada do primeiro gol. Aos 18, Bia recebeu fora da área, girou, tabelou com Andressa Alves, fez ótima jogada individual pela esquerda e cruzou para Ludmilla, que esperava no limite da linha de impedimento para marcar. Ludmilla, que na Copa do Mundo atuou aberta pela direita, foi muito mais efetiva atuando por dentro e mais próxima do gol.

br.jpgLud atacando espaço no lance do gol.

O Brasil explorava muito bem o espaço entre as linhas argentinas, seja com Bia saindo da área, como no lance do gol, ou com Andressa Alves flutuando para dentro.

Aos 34, a interminável Formiga ampliou, marcando de cabeça após cobrança de falta. Apenas dois minutos depois, Debinha marcou o terceiro. Em uma jogada pela esquerda, Tamires atacou o corredor e fez cruzamento que atravessou a área até encontrar a camisa 9.

br.jpgJogada do terceiro gol: Adressa Alves, pelo centro, faz o passe, Bia faz o pivô e Tamires ataca o corredor.

Ainda há muito por ser feito, em especial, melhorar o jogo pelo centro, mas os primeiros 45 minutos da Era Pia são animadores.

O jogo na etapa complementar não foi muito diferente do apresentado no 1° tempo, o Brasil manteve a intensidade na marcação e administrou e até ampliou sua vantagem.

A Argentina apresentou uma leve mudança de postura, porém ainda foi muito dependente de algumas jogadoras, como: as camisas 15, 19 e 9. As duas primeiras, muito fortes nos dribles e bem qualificadas, no entanto não tinham suporte de suas companheiras e buscavam resolver por meio de jogadas individuais. A principal centroavante da equipe (camisa 9), tem um biotipo muito interessante e que facilita muito o desenvolvimento do jogo direto da equipe argentina, sendo bem alta e com boa impulsão, ajuda sua equipe com diversos pivôs e saídas da referência para buscar associações e aberturas de espaços. Um grave problema da equipe em diversos momentos foi a compactação ofensiva.

Defensivamente, as meninas albicelestes não foram muito bem, cedendo muitos espaços entrelinhas, marcando de forma muito distante e sem pressionar a portadora da bola, além de apresentar uma equipe descompacta nos momentos em que subia as linhas de marcação, foi notório em alguns momentos algumas perseguições mais longas das volantes argentinas, buscando marcar de forma mais individual, as volantes brasileiras Aline e Luana.

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A equipe brasileira como já mencionado manteve sua intensidade e que foi bem importante para manter a vantagem no placar. As triangulações e toda a movimentação ofensiva da equipe também foi mantida. A equipe soube explorar muito bem os espaços da defesa argentina, com bastantes desmarques de apoio e rupturas.  Defensivamente, foi muito bem nos encaixes individuais e sempre mantendo igualdade ou superioridade numérica no setor da bola. Atuou em bloco médio num 4-4-2. Com Raquel e Geyse ou Ludmilla a frente das duas linhas de 4.

br.jpgEncaixes individuais da equipe brasileira pelo corredor central, limitando e fechando bem as linhas de passe das argentinas. Imagem: Sportv/ Edição: Guilherme Monteiro.
br.jpgGeyse e Raquel aparecendo entrelinhas e se colocando como boas opções de passe. Imagem: Sportv/Edição: Guilherme Monteiro.

Jogo muito inteligente e interessante da seleção Brasileira nesta estreia de Pia Sundhage, com muito controle, intensidade e desenvolvimento de um coletivo forte da equipe, ainda falta alguns ajustes, como o excesso de bolas longas, fruto do enraizamento das ideias de Vadão ainda na muito presente na equipe. Mas ainda sim a impressão é bem positiva. A Argentina ainda caminha a passos curtos no desenvolvimento do futebol feminino no país, no próximo mês acontecerá o inicio do 1° campeonato argentino de futebol feminino, mas a AFA já deixa indícios que quer ter uma modalidade forte e presente no país.

@guizaomb19 e @pedro17galante

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