O Grêmio é copero! ANÁLISE TÁTICA DE PALMEIRAS 1 x 2 GRÊMIO

Por Kaleb Schuck e Maurício Wiklicky

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Antes de falar da tática do jogo, vamos explicar a diferença entre COPEIRO e COPERO. O primeiro é indivíduo que, “nas residências, se ocupa do serviço de copa (‘dependência’) e, esp., serve à mesa, atende a porta etc”. O segundo é o GRÊMIO, afinal são sinônimos. Quando se fala em COPA, se lembra do Grêmio, e vice e versa, pois senão vejamos (falando somente na Libertadores, sem colocar aqui Recopa e Copa do Brasil, por exemplo). Grêmio é o time brasileiro que lidera quase todas estatísticas da Libertadores:

• títulos (com Santos e SP): 3

participações (com Palmeiras e SP): 19

• quartas de final: 13

• semifinais (com São Paulo): 10

• jogos: 192

• vitórias: 101

Bom, mas vamos ao jogo…

O jogo começou intenso com o Grêmio tendo de propor contra um Palmeiras que se defende muito bem, que nega espaços. O time de Felipão controla espaço e tempo com maestria, assim como demonstrou no jogo da ida em Porto Alegre. Já o Grêmio por sua vez tem em seu DNA o futebol ofensivo, o toque envolvente até a busca pelo espaço, e o time de Renato também o faz com excelência. Modelos de jogo opostos, com cada um querendo vencer de sua forma, e ambas estão certas, diga-se de passagem, até porque isso pode mudar ao longo do jogou, como foi o caso neste!

Tinha tudo para ser um jogo eletrizante, um grande duelo, e foi.

Grêmio começa o jogo tentando impor seu ritmo e por vezes conseguindo, fazendo uma saída de bola em 2-2 (com dois zagueiros e dois volantes) e colocando 6 jogadores a frente da linha da bola. Palmeiras por sua vez começa negando espaços e tentando sair em transição (contra ataque), mas por vezes também atacando o Grêmio, pois estava em casa, e via espaços para isso. Talvez estratégia de Renato, talvez usando a teoria do caos… “A idéia central da é que uma pequenina mudança no início de um evento qualquer pode trazer conseqüências enormes e absolutamente desconhecidas no futuro.” Renato gerou o caos nos primeiros 25 min, chamou o Palmeiras, os tirou da zona de conforto, desorganizou.

Mas o Palmeiras saiu na frente, apostando muito na bola parada. Na bola na área, a grande arma histórica de Felipão (para quem viveu o Grêmio nos anos 90 sabe do que estamos falando). Cortez deixa T. Santos escapar (a marcação de bola parada do Grêmio é individual, ou seja “cada um pega o seu”) Paulo Victor tem de sair do gol e saí mal entregando a bola nos pés de Luiz Adriano que marca para o Palmeiras.

Agora no agregado 2×0 Palmeiras, em São Paulo, torcida vibrando, cenário onde muitos clubes sucumbiriam mentalmente. Mas não o Grêmio, aí vem este Grêmio copero acostumado a decisões. Incrível o nível mental e a resiliência do time de Renato Portaluppi. Logo em seguida, em uma bola parada, Alisson cruza, Everton foge da vigilância de Marcos Rocha e finaliza para o gol. O Grêmio estava no jogo.

O tricolor continuou em cima, e o gol da virada nasce dos pés de Cebolinha. A jogada se desencadeia com Jean Pyerre descendo até a base da jogada, obrigando T. Santos (seu encaixe individual) persegui-lo, expondo o funil (frente da grande área). Everton vem para receber e Marcos Rocha não o acompanha, e assim ele recebe com todo o funil aberto para progredir e na qualidade individual que todos conhecemos e só pára nas mãos de Weverton. Aqui a importância da ausência de Felipe Melo. Talvez com ele em campo, jogador muito experiente, a falta seria cometida, e Everton não teria como avançar. Não ocorreu e a bola sobra para Alisson marcar o gol da virada e da classificação.

Vamos analisar taticamente esse gol. Claro que os méritos são de Everton, do TALENTO. Mas a coletividade não pode passar desapercebida, e aqui destacamos alguém que ninguém comentou: A IMPORTÂNCIA DE ANDRÉ!

1 – Jean Pyerre volta para a base da jogada, para assim ter espaço para organizar o jogo.

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2 – Everton se movimenta nas entrelinhas, em busca do espaço

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3 – Maicon se aproxima de Jean Pyerre e Everton. Opção de triangulação. Everton encontra o espaço vazio e deixa espaço na defesa para que possa progredir.

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4 – Everton avança e André começa o deslocamento, assim tirando o zagueiro do “funil”, liberando mais espaços.

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5 – André se aproxima de Everton, além de tirar a marcação de dentro da área, tem a opção de fazer a parede e assim confundir o adversário.

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6 – Everton com sua velocidade e habilidade diferenciadas, sendo o melhor jogador atuando no Brasil no momento, ultrapassa André, que leva consigo Gustavo Gomez, que já não é mais adversário para Everton

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Lembra que comentamos no início da análise que o jogo ia mudar??? O Palmeiras é quem necessita propor o jogo e o Grêmio tenta negar espaços e controlar o tempo.
No primeiro tempo o Grêmio não consegue manter a posse e respirar quando tem a bola, Jean Pyerre somou algumas perdas de posse que geraram contra ataques. E o Palmeiras chegava sempre na bola para e pelo lado esquerdo da defesa tricolor, inclusive tendo algumas oportunidades de empatar o jogo.

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Já no segundo tempo o Grêmio volta com outra postura, linhas compactadas, laterais por dentro gerando compensações (especialmente Leonardo), pontas fazendo a dobra de marcação e por vezes mais por dentro já que o Palmeiras perdeu em amplitude. Em vídeo postado pós jogo, Cortez comenta “Eu posso não jogar, mas o Dudu também não vai jogar”. Mas a tônica do segundo tempo foi a mesma do jogo da ida, porém com papéis invertidos. O Grêmio controlava com maestria espaço e tempo, e o Palmeiras acelerava processos.

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A troca de Pepê por André foi vital, Pepê fazia a dobra de marcação acompanhando as descidas de Marcos Rocha e deu fôlego novo para atacar espaços, tanto que quase marca o terceiro.

Mas o que espantou, foi a incapacidade desse Palmeiras propor contra esse Grêmio bem postado. No segundo tempo não produziu uma chance de gol. Além da postura defensiva, as individualidades dos defensores gremistas se sobressaíram, em especial Pedro Geromel, um monstro, cujos numeros mostram isso:

Capturar

Não por nada, mesmo com Everton decisivo, que Geromel foi escolhido o melhor em campo por nossos seguidores:

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O Grêmio Imortal, o Grêmio COPERO voltou. Os anos 90 voltaram, com garra, luta e organização, naquele time que nos ultimos três anos encantou o Brasil pelo seu toque de bola e vocação ofensiva. E dizem que Renato não treina e não tem repertório tático. Mais uma aula.

@mwgremio @kaleb_schuck

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