O preço pago pela limitação – ANÁLISE TÁTICA BOTAFOGO 0x0 CHAPECOENSE

Por Guilherme Monteiro e Daniel Klabunde

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Neste duelo da última segunda-feira (26) entre Botafogo e Chapecoense, que marcou o fechamento da 16° rodada do Brasileirão. Foi criado todo um cenário positivo as aspirações do alvinegro carioca, maus resultados de seus adversários diretos, partida em casa e com apoio da torcida. Mas também pelo nível técnico de seu adversário- inferior ao dos cariocas. Contudo, tudo isso foi por água abaixo quando a bola começou a rolar, vimos uma Chape muito bem organizada, especialmente em seu setor defensivo e um Botafogo que criou muito, mas que esbarrou em sua limitação técnica nos momentos de finalização.

Escalações:        

WhatsApp Image 2019-08-28 at 19.52.17Via: TacticalPad.

Substituições:

Botafogo:

Saíram: Lucas Campos, João Paulo Luiz Fernando.

Entraram: Marcos Vinícius, Victor Rangel e Rhuan.

Chapecoense:

Saíram: Augusto Cesar, Camilo, Arthur Gomes.

Entraram: Renato Kayser, Amaral, Bryan.

A partida como um todo foi definida por um “domínio” botafoguense, principalmente porque era a equipe que mais portava a bola. No entanto, isso consistentemente não vem se traduzindo em bons desempenhos e nem vem auxiliado a equipe criar mais chances de gol com muita clareza. No 1° tempo, a equipe ainda esboçava certa organização ofensiva, buscando promover os desequilíbrios no adversário, por meio deste controle da posse de bola, conjuntamente com a tentativa de formatação de algumas triangulações pelos lados do campo, entretanto, a Chapecoense conseguia aglutinar no setor da bola, a mesma quantidade de jogadores alvinegros, configurando uma situação de igualdade numérica de atletas, que conseguiu cortar a profundidade do jogo do alvinegro, obrigando-os a retroceder a jogada, até seu curso inicial, na base da jogada (zona de iniciação das jogadas próximas a linha dos zagueiros).

WhatsApp Image 2019-08-28 at 19.52.32Marcação por encaixes da Chape que corta a profundidade pelos lados do campo e fecha bem as linhas de passe pelo centro, obrigando Gilson conduzir até a base da jogada. Imagem: Premiere/Edição: Guilherme Monteiro.

 Sem contar a lentidão dos atletas alvinegros ao tentar se apresentar como opções de passe ao portador da bola. Além disso, desvencilhar dos encaixes individuais da equipe catarinense.

WhatsApp Image 2019-08-28 at 19.52.43Encaixes individuais da Chape. Imagem: InStat/Edição: Daniel Klabunde.

Que também sofreu no início de partida, tendo muitas dificuldades em realizar suas transições (defensiva e ofensiva), com Augusto Cesar e Camilo lentos em recompor e fechar bem as linhas de marcação. Com isto, o Botafogo teve um curto período de criação de oportunidades mal aproveitadas. A marcação em Alex Santana era realizada com precisão por Gustavo Campanharo que com muita intensidade desarmava o camisa 10 alvinegro com extrema facilidade. Com a equipe de Chapecó intransponível por todas as zonas do campo, a solução encontrada pelos atletas foram as bolas longas, entretanto em muitos momentos ela foi inútil, pois, a equipe de Eduardo Barroca errava o momento em lançar e até mesmo na execução do passe.

Passados os 30’ da etapa inicial, a intensidade dos alvinegros baixou e os erros de transição defensiva também começaram a aparecer com mais frequência, com Arthur Gomes, sendo a válvula de escape da Chape nos contra-ataques e acelerando bastante pelo lado esquerdo de ataque. E aos poucos a Chape também foi se acertando no momento de pressionar, já buscavam marcar numa zona mais próxima ao gol do Botafogo e trazendo mais dificuldades ainda aos alvinegros, que naquela altura perdiam a bola facilmente. Porém este modo de marcação cede mais espaços, tanto que em 2 momentos geraram boas oportunidades ao glorioso. E o segredo para tentar sair dessa marcação pressão da Chape foi simples, giro da bola com velocidade e inversão rápida para o lado oposto da bola em relação ao início da jogada.

Ainda no final da 1° etapa, as equipes ainda tiveram 2 chances para cada lado, todas elas em cabeçadas.

Scouts:

WhatsApp Image 2019-08-28 at 19.52.57Via: Sofascore.

Na 2° etapa, começou de forma promissora para os alvinegros, com uma cabeçada de Alex Santana na trave. Porém, este sentimento logo foi se perdendo, e o nervosismo e a pressão pelo resultado foi aumentando, por conseguinte os erros também. A Chape não tinha nada a ver com os problemas alvinegros e se alçou ao ataque e chegando no mínimo por 4 vezes de forma perigosa, forçando Gatito a realizar boas defesas na etapa complementar. Eduardo Barroca promoveu substituições, mas que não surtiram nenhum efeito. o Botafogo continuou falhando nas transições defensivas e em sua organização ofensiva, era uma equipe tomada pelo nervosismo e em termos táticos, que tinha muita profundidade, mas que não gerava um jogo por dentro, de troca de passes, associações e triangulações.

WhatsApp Image 2019-08-28 at 19.53.10O que deveria ser a organização ofensiva alvinegra, com jogo interior (por dentro), associações e triangulações. Via: TacticalPad.
WhatsApp Image 2019-08-28 at 19.55.20 E o que foi. Via: TacticalPad.

Em suma, o Botafogo na etapa complementar resumiu-se em bolas paradas e em parcos acertos de bolas longas de Bochecha, seu principal articular de jogadas desde a base da jogada. A Chape, foi simplesmente uma equipe que simulou um taco de beisebol, e rebatia todas as bolas cruzadas e bolas longas possíveis que o Botafogo lançou. E momentos de transição ofensiva aproveitava-se do espaço deixado pelo Botafogo.

Scouts e Heatmap de Gustavo Bochecha e Gustavo Campanharo:

Gustavo Bochecha x Chapecoense:

— 113 toques

– 87 passes certos (86%)

– 3 passes decisivos

– 10 lançamentos precisos

– 3 duelos no chão ganhos

– 1 falta sofrida

– 2 cortes

– 2 chutes travados

– 1 desarme

– 1 interceptação

WhatsApp Image 2019-08-28 at 19.55.32Via: Sofascore (Twitter Sergio Santana).
WhatsApp Image 2019-08-28 at 19.55.42Via: Footstats.
WhatsApp Image 2019-08-28 at 19.55.50Via: Sofascore.

Estatísticas finais do jogo:

WhatsApp Image 2019-08-28 at 19.55.57Via:Sofascore.

A realidade de dificuldades financeiras alvinegras em 2019, enfim refletem no elenco com mais intensidade neste momento da temporada, com a saída de jogadores importantes do plantel, a diretoria se vê perdida e não consegue dar sustentação ao trabalho de Eduardo Barroca que no momento passa seu momento mais instável no comando da equipe. Com um elenco limitado e que precisa de muitas oportunidades para fazer um gol sequer. Barroca pode estar com dias contados no comando da equipe alvinegra. A Chape conseguiu o que queria no Rio, saiu sem levar gols e com um ponto para Chapecó, mas também ficou um gostinho de que poderia mais, ou seja, sair com a vitória.

@guizaomb19 e @DKtricolor

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