Jair, muito mais que um xerife

Por Davi Magalhães

Hoje, no time titular do Atlético, um nome é unânime. Nada de Cazares, Ricardo Oliveira ou Luan, Jair ganhou a confiança do treinador e da torcida. Após boas atuações, a presença do volante tem sido inquestionável.

Jair chegou à equipe este ano. Com características de um meio-campista que defende e ataca com a mesma eficiência, ele parecia chegar para lutar pela posição com Elias. Atuando como segundo volante. Entretanto, ele se firmou jogando como primeiro volante. O “famoso 5”. Agregando valências defensivas e ofensivas, principalmente. Mas por que ele encaixou tão bem em uma função mais recuada onde geralmente atua o cão de guarda das equipes? (caso de Leandro Donizete, por exemplo)

A titularidade de Jair resolveu um dos problemas que a equipe apresentava no início do ano. Quando enfrentava equipes organizadas defensivamente, encontrava muita dificuldade de progredir no campo com a bola. Para isso é preciso entender como jogava a equipe.

1Escalação do Atlético no início do ano sob o comando de Levir Culpi.

No desenho acima, a saída de bola era realizada pelos zagueiros. Porém, faltava jogadores para apresentar-se como opção de passe e ajudar na construção ofensiva. Uma vez que Elias pouco acrescenta nessa fase, é um jogador com poder maior de infiltração. Adilson ou José Welison não possuem a qualidade no passe como principal qualidade. Restava à Cazares e Luan voltar muito para pegar essa bola dos zagueiros.

  • Por estar acostumado a jogar mais adiantado no campo, Jair possui muita qualidade técnica para a posição. Assim, ele qualifica muito a saída de bola. Atuando na intermediária, aproximando-se dos zagueiros para receber a bola. Claro que é preciso dar os méritos a organização que Rodrigo Santana deu ao time.
  • “SE VOCÊ SAÍ JOGANDO BEM, CHEGA BEM NO GOL ADVERSÁRIO”, com essa frase que Guardiola tanto acredita, destacamos a importância de realizar uma boa saída de bola. Com Jair essa saída é feita com muita qualidade, agregando muito na circulação de bola.
  • Para compreender melhor o papel do camisa 13, é preciso falar da organização ofensiva do Atlético. Muito baseada nas triangulações pelos lados do campo. Com as triangulações, os jogadores aproximam-se para tabelar e criar chances. O lateral do lado passa para jogar como o extremo e o meio-campista. Então, é preciso que a bola chegue até eles. Para isso, uma boa saída de bola tem papel primordial. A função que Jair exerce faz com que a bola chegue até esses jogadores em condições de criar chances. Não obrigando Cazares, Vinicius ou Chara á se desgastarem muito tendo que voltar para ajudar na construção do jogo.

No jogo de volta das quartas de final da Copa do Brasil quando o Atlético precisava vencer a partida por 3 gols de diferença, a escalação de Jair foi uma ótima alternativa para tornar a equipe mais ofensiva, jogar no campo adversário e ter muito volume de jogo. Não apenas na saída de bola que o jogador é importante. Jair tem tudo que se pede a um meio-campista atualmente.

1Mapa de passes de Jair contra o La Equidad mostra como ele é participativo. (FootStats)

Mesmo atuando como “5”, ele se faz presente em todo o campo. Cobre uma zona muito grande do campo, consegue ocupar muito bem os espaços para sempre oferecer-se como opção de passe, por vezes até se aproximando do gol para finalizar.

1Contra o Cruzeiro, é possível ver ele atuando de uma área a outra. (FootStats)

A intensidade de Jair agrada muito o torcedor atleticano. Que sempre valorizou os jogadores que atuavam com vontade ao vestir a camisa do time. Mais uma razão pela qual, o atleta caiu nas graças do torcedor. Em campo, para onde se olha, Jair está lá. No momento defensivo, ele é muito importante pela combatividade, agressividade e marcação que sua posição exige. Somando os jogos desta temporada até o momento, ele tem 63 desarmes em 26 jogos disputados.

Na transição defensiva – momento em que o time perde a bola – , ele é fundamental. Pois é função dele cortar o contra-ataque do rival. O ideal é com a roubada de bola. Desta forma, o time retoma a bola já no momento da perda. Voltando a ter a bola para agredir o adversário. Estando quase sempre atrás da linha da bola no momento ofensivo, Jair dá o combate no adversário a fim de retomar a bola e dar volume de jogo á equipe.

Jair ganhou a posição com muitos méritos, apesar de não aparecer tanto como os jogadores mais badalados é daqueles jogadores que pouco aparecem, mas dão equilíbrio ao time. Sendo fundamental para os atacantes brilhar. Além do mais, ele não é só um “carregador de piano”. Afinal, se no futebol de hoje em dia, muitas equipes se defendem com os 10 jogadores de linha, o time que tem a bola necessita cada vez mais de defensores que saibam atuar. Por isso, Jair tem bem mais espaço para atuar que os jogadores mais avançados do time. Não se ganha um jogo sozinho, por isso o time funciona como engrenagem. Para que Cazares brilhe, é preciso que Jair faça seu trabalho muito bem.

Ajude a melhorar nossas análises táticas! Contribua com o MW Futebol e ajude a manter o acesso gratuito aos nossos textos.

R$10,00

Vídeos: Davi Magalhães/Instat

@magalhaesDavi_

Anúncios

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s