A um passo das semis: ANÁLISE TÁTICA – Flamengo 2 x 0 INTERNACIONAL

Por Luiz Martins e Felipe Henriques

Inter e sua estratégia

O time colorado foi até o Maracanã, utilizando sua já corriqueira estratégia para jogos fora de casa, que foi muito elogiada em outros jogos (principalmente x Cruzeiro em Minas). Utilização de marcação próximo a sua área (bloco baixo), encaixes individuais dentro dos setores, principalmente com as movimentações buscando infiltrações dos atacantes flamenguistas.
Outra ação muito bem executada, eram as pressões ao homem com a bola, dificultando totalmente a progressão e chegada a área para conclusões.

inter1Marcação compacta do Inter, negando espaços ao Flamengo. Muitos encaixes no setor da bola (Fonte: Instat/ Edição: Juno Martins)

Estas ações defensivas foram muito bem executadas, por todos os jogadores, contando com uma ótima disciplina, até de jogadores que não possuem este tipo de qualidade, casos de D´alessandro e Sobis, que são marcados por suas aptidões ofensivas, tanto de criação de jogo, controle de bola e técnica, quanto de finalização. A escolha por tal estratégia, sem ter um jogador de velocidade para transição ofensiva, além de Patrick, que fez uma grande partida nos dois lados do campo, entregando o que se espera em grandes jogos, demonstrando experiência por ser um jogador rodado, fez com que o time colorado tivesse poucas chances de chegar a frente, deixando Paolo Guerrero como um exército de um homem só, frente a boa dupla de zaga do time carioca.

inter2Marcação compacta do Inter, no 4-1-4-1, com perseguições no setor, com bloco compacto (Fonte: Instat/ Edição: Juno Martins)

Ao longo da partida, sentindo-se confortável em segurar o volume ofensivo e a qualidade do adversário, Odair buscou dar o próximo passo em sua estratégia. Como o Flamengo havia feito alterações de peças e buscado subir suas linhas para atacar, cedia espaços que poderiam ser trabalhados por jogadores de velocidade e qualidade ofensiva. Foram retirados Sobis e D´alessandro, já cansados, entrando Wellington Silva e Nico López.

Os dois jogadores geraram mais intensidade e chegada ao ataque, mas principalmente Silva, não conseguia recompor com tanta qualidade e assim, Gérson se instalava no espaço as costas dele, causando dificuldades a Uendel, assim fazendo o Flamengo crescer na partida.

inter3W. Silva e Nico já em campo. Melhora ofensiva, mas espaços deixados as suas costas, principalmente por Gabriel e Gérson. Além disso Filipe Luis sem pressão, pode criar jogo por dentro. (Fonte: Instat/ Edição: Juno Martins)

Em lance fortuito, de bola perdida por Edenilson, o Flamengo conquista à frente do placar, desestabiliza toda estratégia colorada e ainda consegue ampliar o resultado. O Inter ainda tem chances de ao menos não sair sem gols do Rio, mas o lance mais capital é desperdiçado por Nico López.

Assim o Inter retorna ao Beira-Rio, tendo que decidir a vaga as semi-finais da Libertadores, tendo um placar adverso e ainda tendo que ter maiores resguardos defensivos, por questões de gol qualificado.

Flamengo e seu jogo de mobilidade

Quando Willian Arão realizou com sucesso a primeira pressão pós-perda rubro-negra na partida, foi uma amostra de que o Flamengo tinha chegado ao Maracanã com uma motivação histórica, inspiração bélica e extremamente motivado para conseguir mais uma vitória no Maracanã na Libertadores desse ano. Afinal de contas, são 35 anos sem chegar à semifinal da competição e seguidas decepções acumuladas nos últimos anos especialmente no Maraca.

Dúvidas eram formadas nas cabeças dos torcedores. Gabigol fora dos relacionados? Arrascaeta virou desfalque de última hora? Seja estratégia para enganar o adversário, ou não, Jorge Jesus escalou os dois como titulares. É bem verdade que ambos mostraram não estar 100% fisicamente, com o uruguaio saindo no intervalo e o camisa 9 desperdiçando uma ótima chance no 2T.

Aliás, o desempenho abaixo da média de Arrascaeta fez com que a criação rubro-negra ficasse por responsabilidade, quase que exclusiva, de Everton Ribeiro no campo ofensivo, com Filipe Luís e Rafinha abertos e gerando amplitude pelos flancos. Gabriel, como de costume, saía bastante da área, mas era limitado a um único toque pela marcação colorada, o que prejudicou seu rendimento na primeira etapa.

 Já Ribeiro, conseguiu triangular e criar mesmo em curto espaço, conseguindo sair da pressão e gerando jogo no último terço.

Na primeira etapa, as principais chances do Flamengo saíram de seus pés, sempre na região central do campo e buscando aproximação com Gabriel, como na primeira finalização logo aos 8’, em bola roubada por Arrascaeta na esquerda, que o camisa 9 escora para o avanço de Everton, que força a defesa de Lomba. Inclusive, tudo nasce após a pressão exercida no campo de ataque para impedir o avanço colorado.

Também nasce pelo lado esquerdo com o passe de Marí encontrando Filipe Luís em amplitude, a principal chance rubro-negra na primeira etapa, no passe do lateral-esquerdo encontrando Everton Ribeiro na entrada da área, onde o meia serviu Gabigol que parou na grande defesa de Marcelo Lomba.

inter4Posicionamento de Arão e Filipe Luis, dificultando saída de bola, junto a marcação individual dos companheiros. (Fonte: Instat/ Edição: Juno Martins)

Ainda sobre Everton Ribeiro, chama a atenção como, por vezes, era ele quem mais combatia a saída de bola colorada em momentos de fase defensiva com linhas mais baixas. Bruno Henrique fechava pelo lado direito, Cuellar e Arão centralizados e Arrascaeta posicionado no lado esquerdo, formando um 4-4-1-1/4-4-2  na fase defensiva. Isso forçava o Inter ao lançamento longo desde o campo defensivo, com a bola voltando para a posse rubro-negra.

Já em fase construtiva, o Flamengo se posicionava com um 3-2-3-2, onde havia saída lavolpiana com Cuellar entre Rodrigo Caio e Marí, Gabigol baixando para essa segunda linha para dar suporte a Arão na saída de bola, Rafinha, Everton Ribeiro (centralizado) e Filipe Luís formando a trinca seguinte e Bruno Henrique com Arrascaeta formando os dois homens de frente.

inter5Flamengo se posicionando para a construção de jogadas (Fonte: Instat/ Edição: Juno Martins)

O que relatei acima não foi regra, mas foi uma das alternativas encontradas para tentar furar a defesa do Inter, já que o fato do Bruno Henrique estar improvisado como centroavante faz com que a equipe tenha a oportunidade de ter muitas variações táticas.

Para a segunda-etapa, Jorge Jesus promoveu a entrada de Gérson no lugar de Arrascaeta e a partir dessa mudança, o técnico português começou a tornar o jogo mais favorável ao Flamengo. Primeiro, abrindo Gérson pela esquerda na associação a Filipe Luís, com Everton Ribeiro caindo pela direita, com Cuéllar e Arão formando a dupla de volantes e Gabigol e BH, a dupla de ataque.

Porém, a variação construtiva utilizada no 2T, a princípio, foi o 3-1-4-2, onde Cuéllar descia para ser o terceiro zagueiro, Arão era o primeiro volante, a linha de quatro era formada pelos dois laterais e por Gérson e, em muitos casos, Gabigol baixando novamente para atuar mais recuado para dar mais espaços para Everton e Bruno avançarem.

inter6Flamengo se posicionando para a construção de jogadas (Fonte: Instat/ Edição: Juno Martins)

O destaque negativo dessa “nova” proposta foi o fato do Flamengo não conseguir segurar a bola no campo ofensivo, já que Bruno Henrique era acompanhado por Victor Cuesta e não tinha espaços para buscar uma tabela ou um giro sobre a marcação. Isso fez com que o jogo, a todo momento, voltasse para o meio-campo que tinha o monopólio rubro-negro.

A partir dos 15’, JJ adiantou mais as suas linhas, inverteu Gérson para o lado direito e Everton Ribeiro para a canhota para atuar aberto, com Filipe Luís começando a atuar mais por dentro como um interior para ajudar na fase construtiva a partir dos 24’.

Após a estréia ruim contra o Bahia, na Arena Fonte Nova, Filipe Luís tem tido cada vez mais importância principalmente na fase ofensiva do Flamengo, participando já de quatro dos últimos nove marcados. É um Playmaker do mais alto calibre que tem na criatividade, uma de suas principais características e quando isso é somado a um time com muita técnica no seu meio-campo e velocidade nos atacantes, acaba sendo um upgrade a um time que já é forte.

Filipe foi fundamental para a vitória rubro-negra e teve participação decisiva nos dois gols da noite, desarmando Edenílson, tabelando com Gabigol e lançando Everton Ribeiro no primeiro gol e depois encontrando o mesmo Gabriel entre linhas no segundo gol, onde o artilheiro do Brasileirão serviu o artilheiro da noite para ampliar o marcador.

Se analisarmos que se trata de um dos melhores laterais do mundo, que tem inteligência tática, técnica acima da média (sobra no futebol brasileiro) e imposição física, além de experiência e personalidade para crescer em grandes jogos, indubitavelmente temos um jogador com capacidade extremamente alta que ainda pode evoluir física e taticamente no time rubro-negro.

Foram oito desarmes em oito tentativas, onze duelos vencidos em doze disputados e três bolas longas bem-sucedidas em seis tentadas. Para quem nunca havia disputado uma partida de Libertadores, até que foi uma bela estréia.

inter7Flamengo atacando com jogadores por dentro na segunda etapa (Fonte: Instat/ Edição: Juno Martins)

Entretanto a noite foi de Bruno Henrique e os dois gols marcados mostraram como ele também gosta de grandes jogos, merecendo viver intensamente essa semana especial, pós-convocação. Sob os olhares de Tite, Bruno desequilibrou ao ter espaço para se movimentar e escapar da marcação. No primeiro gol, destaque para a inteligência de Gérson para, com um simples toque, ganhar dos marcados e o goleiro colorado, devolvendo a bola para BH abrir o placar.

Todo o contexto de superioridade rubro-negra na partida baseou-se na execução das idéias de Jorge Jesus e na personalidade para encarar um grande jogo no Maracanã, contra um forte adversário, vencendo sem contestação e sem sofrer gols, algo importante considerando o retrospecto recente.

Para o jogo da volta, o Fla não contará com Willian Arão, suspenso pelo acúmulo de cartões amarelos. Opções para substituí-lo não faltam: Gérson como segundo homem de meio-campo, Piris da Motta ou Rodrigo Caio atuando como primeiro homem, promovendo Thuller na dupla de zaga com Marí e Cuéllar como segundo volante…

A ver o que o “Mister” tem em mente para que esse próximo passo histórico não acabe em queda.

@Lipe_Henry

@ojunomartins

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