Estratégia – ANÁLISE TÁTICA GRÊMIO 0 x 1 PALMEIRAS

Por Breno Barbosa, Rafinha Santos e Maurício Wiklicky

WhatsApp Image 2019-08-21 at 19.01.57

Antes de mais nada temos que contextualizar a diferença de estratégia e tática, retirado do nosso livro “Aprendemos Juntos – Conceitos do Futebol Moderno”

“Estratégia: planejamento da equipe para um jogo ou torneio, campeonato, fase de campeonato ou fase do jogo. Na estratégia temos os objetivos de curto, meio e longo prazo.

Tática: os comportamentos que os jogadores e/ou a equipe tomam para resolver corretamente os problemas que o jogo sistematicamente apresentar.”

Uma estratégia coerente e bem executada, faz a diferença dentro de uma partida. O Palmeiras fez um jogo excepcional taticamente, adotando diversos mecanismos de marcação e ocupação de espaços, foi uma aula defensiva do técnico Felipão. No qual ficou em evidência às variações dentro das fases do jogo (repetindo, estratégia como se comportarão em uma fase de jogo, tática comportamentos para melhor solução).

Na maioria dos minutos, o Grêmio teve a posse de bola, e o Palmeiras adotou uma postura reativa. Modelos de jogo característicos das equipes, que se manteve mesmo com os reservas no último sábado, cujo jogo realizamos essa análise tática. Não confunda o controle do jogo com posse de bola, pois o Verdão controlou o tempo e ditava a intensidade do duelo. Por mais que o Grêmio rondava a área de Weverton, os visitantes tinham muita compactação, superioridade numérica dentro do funil (grande área) e basculava (movimentação em de um lado para o outro do campo) com extrema sincronia e intensidade. Para melhor compreensão, analisaremos as quatro fases do jogo, para demonstrar como foi o duelo.

ORGANIZAÇÃO DEFENSIVA DO PALMEIRAS E ORGANIZAÇÃO OFENSIVA DO GRÊMIO:

Sem a posse de bola, o Palmeiras adotou três variações diferentes, entretanto com o mesmo objetivo: Proteger o funil, com o intuito que o Grêmio não tivesse espaços para trocar passes e progredir próximo da meta de Weverton. Na maioria do duelo, o Palmeiras teve o bloco baixo, de forma compacta e adotando uma marcação mista. Ou seja, os jogadores guardavam o espaço, marcavam o adversário que caíssem por aquela zona, porém em alguns momentos, realizavam a perseguição ao oponente de forma mais longa, e nesse momento, outro companheiro realizava a compensação e ocupava o espaço vago, reajustando e equilibrando às linhas de marcação. Exemplo: em alguns momentos, Marcos Rocha acompanhava a movimentação de Éverton por dentro, desta forma Dudu realizava a recomposição no corredor e Luan fazia a cobertura naquela zona. De acordo com a zona da bola, os jogadores iriam fazendo essas compensações e mantinham o balanço defensivo. O sistema adotado era um 5-4-1, com o extremo do lado oposto fechando a primeira linha e formava uma “cortina” similar à adotada no handebol. Com essa “cortina”, o Palmeiras impedia a progressão pelo meio e virada de bola rápida pelos lados. A segunda linha era formada pelos volantes, o meia avançado e o outro extremo, a ideia era congestionar o meio-campo e fechar os espaços para um possível passe em ruptura. O Grêmio tinha a posse, movimentava, porém não encontrou espaços para progredir em direção a meta palmeirense. O jogador avançado era Luiz Adriano, responsável pela densidade ofensiva, ou seja, iniciar a transição ofensiva, reter a bola e dar o primeiro combate aos meio-campistas do rival. Essa movimentação funcionou em harmonia e foi fundamental para o Palmeiras não sofrer gol fora de casa.

Este foi o grande mérito palmeirense, pois com essa proteção na frente da área (com 4 ou 5 jogadores), o espaço deixado para o Grêmio foram as laterais. Sabidamente os laterais tricolores não são bons apoiadores. Cortez (que saiu no início do jogo lesionado), perdeu a vitalidade de ir a linha de fundo, e possui defeito no acabamento da jogada. Para Juninho Capixaba, seu substituto, faltam ainda princípios básicos de posicionamento e controle da bola. Na direita, o grande problema de Leonardo, há tempos já percebido, é a centralização das jogadas, não dando opção de jogo na linha de fundo. Além disso, ultimamente os extremas do Grêmio (Alisson e Everton), estão cada vez mais centralizando as jogadas (talvez pela falta do poderio ofensivo do centroavante André, ambos tentam jogar pelo meio, pois é de onde pode ter a capacidade de decisão).

WhatsApp Image 2019-08-21 at 20.15.04Imagem: Maurício Wiklicky/ Edição: Breno Barbosa.
  • Palmeiras com seus blocos compactos e intenso para proteger seu funil. O extremo Dudu acompanhou o lateral adversário e formou uma linha de 5, similar ao handebol. A ideia era bascular sob a linha da grande área e inibir os espaços para infiltrações.

Nos raros momentos que subiu às linhas para um bloco médio/alto, o Palmeiras adotou um 4-4-2, com Scarpa próximo de Luiz Adriano, onde ambos pressionavam a saída de bola do Grêmio, atrasando a construção de jogadas. Os extremos (Willian e Dudu) ficaram responsáveis por acompanhar os laterais do Grêmio, dando suporte aos seus laterais e dominarem os corredores.

Nos minutos finais do segundo tempo, quando teve Felipe Melo expulso, o Palmeiras adotou uma postura ainda mais defensiva, concentrando seus jogadores em 15 metros a partir da linha de fundo de defesa, o bloco baixo, formando um 6-3-1, com a primeira linha protegendo a grande área e a segunda fazendo o combate um pouco mais a frente, tendo apenas Carlos Eduardo ou Dudu um pouco mais avançados. Porém o desgaste físico interferiu na recomposição da segunda linha com três jogadores, isso fez com que Dudu atuasse por diversas vezes atrás da linha da bola e não compactasse a marcação, deixando Marcos Rocha desguarnecido para o embate contra Éverton. Além disso Juninho Capixaba se aproximava em direção a linha de fundo, fazendo com que Marcos Rocha fechasse a linha de passe, dando liberdade para Éverton trazer para o meio e finalizar. As coberturas de Bruno Henrique e Thiago Santos não tinham eficiência e proporcionaram algumas finalizações para os tricolores.

Mesmo assim o Grêmio manteve os mesmos problemas durante todo jogo. A falta de criatividade (apensar do espaço que obteve nas entrelinhas), a falta da vitória pessoal com dribles (Everton perdeu o combate com Marcos Rocha e com o excelente posicionamento da defesa palmeirense). Talvez para o jogo da volta, mais movimentação desde o início do jogo seja necessária.

Ajude a melhorar nossas análises táticas! Contribua com o MW Futebol e ajude a manter o acesso gratuito aos nossos textos.

R$10,00

 

TRANSIÇÃO DEFENSIVA DO GRÊMIO E OFENSIVA DO PALMEIRAS:

Nos dois últimos jogos na Arena contra o Palmeiras, o Grêmio sofreu com sua transição defensiva. Tanto em 2018 com dois gols de William nas costas do lado direito tricolor, quanto no último sábado, quando Dudu fez o gol nas costas do lado esquerdo. Apesar disso o Palmeiras sofreu em alguns momentos para realizar a transição ofensiva, pois errou muitos passes e não conseguiu implantar a verticalidade desejável. Os contragolpes não foram bem explorados, pois a preocupação sem a bola inibiu que alguns atletas fossem ao campo ofensivo como elemento surpresa. Além disso encontrou pela frente a melhor dupla de zaga da América do Sul dos últimos anos, onde Geromel e Kannemann tinha um senso de cobertura perfeito. Os laterais gremistas também estiveram bem defensivamente, ficando mais do que o normal e não saindo ao mesmo tempo. Com isso, o Palmeiras tentou lançamentos diretos com o objetivo de subir um pouco a equipe, disputar a segunda bola e conseguir ocupar o campo ofensivo, mas apesar de ganhar a maioria das segundas bola, a maioria delas era resolvida pela dupla de zaga tricolor.

TRANSIÇÃO OFENSIVA DO GRÊMIO E DEFENSIVA DO PALMEIRAS:

palmeiras espaçoDiferente de outros jogos, Grêmio tinha espaço nas entrelinhas para criar jogadas. Faltou a conclusal chegando na grande área.

O Grêmio conseguiu algumas vitórias nos poucos contra ataques que teve, porém pecou na execução. Quando perdia a bola, o Palmeiras realizava uma breve pressão para atrasar a progressão dos gaúchos e conseguir reorganizar suas linhas. Luiz Adriano era importante para esse primeiro combate, além da trinca (Dudu, Scarpa e Willian), pois tinham a responsabilidade de retardar as ações do Grêmio, em especial de Matheus Henrique e Maicon. E força-los ao erro. Assim, o Grêmio recomeça todo jogo novamente, para se organizar ofensivamente.

ORGANIZAÇÃO DEFENSIVA DO GRÊMIO E OFENSIVA DO PALMEIRAS:

encaixes gremio

Como já analisamos, o Palmeiras abdicou da posse, apostando na solidez defensiva, no controle sobre o tempo e a velocidade dos lances (soube “picotar” em alguns momentos e acelerar em outros). A principal ação ofensiva era explorar o corredor direito, no qual Dudu associava-se com Marcos Rocha, Gustavo Scarpa e até mesmo Luiz Adriano. O verdão apostou em lançamentos ou passes em profundidade. Em alguns momentos formava um 4-2-4, não tinha muita criação pelo meio, o objetivo era ganhar terreno de jogo, empurrando a defesa do Grêmio e ocupando o campo de ataque. No geral, o Palmeiras limitou-se ao estilo vertical, dando ênfase aos lances aéreos e a intensidade nos duelos. Os erros de passes dificultaram a progressão de algumas jogadas, pois faltou um pouco mais de mobilidade e aproximação do setor ofensivo. O Palmeiras teve as melhores oportunidades da partida, mas dentro das suas características e explorando os espaços da defesa gremistas. Além do gol o Alviverde criou uma boa possibilidade com Dudu de cabeça, onde Paulo Victor fez grande defesa, e próprio Dudu também acertou a trave, após Carlos Eduardo (que entrou bem, com espaço para atacar em velocidade) progredir em velocidade pelo corredor e achar seu companheiro bem posicionado por dentro. Pelo Grêmio, os problemas relatados foram mais na transição defensiva, porém como analisamos, poderia ter sido pior pelo histórico dos últimos jogos. Já posicionados na defesa, a marcação foi boa, onde Luiz Adriano não conseguiu jogar, e William,
Dudu e Scarpa não tinham espaços.

WhatsApp Image 2019-08-21 at 20.15.12Imagem: Maurício Wiklicky/ Edição: Breno Barbosa.
  • Apesar dos vários passes errados, o propósito era sempre dar esse passe em progressão, conseguir ganhar jardas, subir às linhas e ter superioridade no campo ofensivo. Palmeiras foi vertical, veloz e teve mobilidade no último terço.

O GOL:

Apesar de nascer de uma bola parada, é necessário citar o lance que originou a cobrança de falta, no qual Gustavo Scarpa acertou um “foguete” e marcou um golaço. O jogo estava truncado, com domínio territorial do Grêmio, porém o Palmeiras não cedendo espaços, mas também sem opções de progredir com a bola,pois não apostava nas jogadas terrestre. Nesse momento, Gustavo Scarpa recuou até a base da jogada (buscando a bola na linha de volantes), iniciou a construção. associou com Bruno Henrique e progrediu com a posse no campo de ataque, até que sofreu a falta. Aqui talvez a grande falha defensiva do Grêmio, pois Scarpa passa com facilidade por Maicon e na cobertura Matheus Henrique chega atrasado cometendo a falta.

No início da segunda etapa o Palmeiras foi mais ofensivo e atacou em peso com seus volantes se aproximando do ataque, e o Palmeiras chegou ao ataque com liberdade. Aqui foi onde o Grêmio teve problemas na marcação, pois nas raras vezes em que Bruno Henrique avançou para o ataque, confundiu a defesa tricolor.

O Palmeiras montou uma estratégia e executou muito bem, apesar de alguns erros, fez uma partida segura e conquistou um ótimo resultado. Pelo lada tricolor, não está nada terminado, pois o poderia ofensivo poderá aparecer no Pacaembu, tendo um pouco mais de espaço.

@mwgremio, @brenobmarketing e @Rafinha_Esporte

Anúncios

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s