Home, Almost Sweet Home… – ANÁLISE TÁTICA CHELSEA 1 x 1 LEICESTER

Por Felipe Henriques 

WhatsApp Image 2019-08-20 at 18.28.39 (1)

O retorno de Frank Lampard ao Stamford Bridge estando novamente do lado dos Blues tinha tudo para ser a redenção necessária para o reencontro do Chelsea com a vitória. Afinal de contas, seria a primeira na temporada sob o comando do maior artilheiro da história do clube após o título da Supercopa da UEFA ter ficado tão próximo e escapado de forma tão dura após o pênalti desperdiçado por Tammy Abraham, dando a vitória ao Liverpool.

Apresentando novamente idéias interessantes na primeira etapa, Frank Lampard manteve o esquema 4-2-3-1 na distribuição tática da equipe, com Kanté e Jorginho formando a dupla de volantes, Mason Mount ganhando a vaga de armador central na trinca de meias ao lado de Pulisic e Pedro, com Olivier Giroud mais uma vez titular como havia sido no meio de semana contra os Reds.

O brasileiro Willian foi relacionado pela primeira vez e ficou no banco de reservas.

E o Chelsea começou pressionando no campo do adversário, como fez na partida contra o United. Logo no primeiro minuto de jogo, Jorginho fez o passe, Giroud escorou e Mount finalizou para defesa de Schmeichel. Somente nesse lance, podemos observar a liberdade que Jorginho teve na primeira etapa para criar e a importância do centroavante francês para a infiltração e finalização dos meias na área.

Era um início promissor principalmente se partirmos do princípio que a intensidade inicial pode surpreender o adversário, causando confusão no sistema defensivo e forçando erros. Desse jeito, os Blues atrapalharam a saída de bola do Leicester nos primeiros seis minutos e isso resultou no lance do gol, logo no início da partida:

Mason Mount pressionou um desatento Ndidi, efetuou o desarme e finalizou para abrir o placar. O detalhe é como o Chelsea conseguiu formar uma linha de quatro para anular as opções de saída do Leicester, permitindo Mount realizar a pressão, tendo ainda Pedro como uma possível opção de passe na área, já que ele havia iniciado a pressão na saída do zagueiro adversário.

A pressão inicial valeu o primeiro gol de Mount em jogos oficiais e, de quebra, na Premier League.

WhatsApp Image 2019-08-20 at 21.30.12

Com 78% de posse nos primeiros dez minutos de partida, coube ao Leicester tentar diminuir um pouco o ritmo do time mandante a partir dos 15’, quando conseguiu esboçar a troca de passes a partir da sua defesa com mais cadência, porém ainda encontrando dificuldades para sair jogando e conectar os dois laterais, principalmente Ricardo Pereira, muito preso à linha lateral.

Ainda sobre Mount, chama a atenção o seu senso de posicionamento na área adversária, onde aos 20’ teve a chance de marcar o segundo após cruzamento de Azpilicueta pela direita, com um fraco cabeceio. É um jogador de personalidade que demonstra não ter medo de pisar na área e finalizar quando a oportunidade surgir, além de inverter o posicionamento com Pulisic, fazendo com que o norte-americano busque a região central, abrindo o flanco para Mount.

Aos 25’, uma das mais belas jogadas da partida que, por um detalhe, não terminou em gol. Emerson recebe de Mount na ponta canhota, vai até a linha de fundo e cruza na primeira trave, Giroud puxa a marcação com ele e rola para quem vem de trás, onde Kanté finaliza pra fora.

Uma jogada que exemplifica bem o que tem sido o Chelsea de Frank Lampard nesses primeiros três jogos: Um time com idéias interessantes, mas que ainda não consegue executá-las com sucesso, o que é natural para um início de trabalho e ainda mais com um time tão jovem.

A partir dos 32’, Brendan Rodgers subiu as linhas do Leicester e buscou ocupar o campo ofensivo usando passes curtos para conectar seus meias, com a movimentação de Tielemans e Maddison pelos flancos, com Ricardo Pereira arriscando avançar por dentro. Porém, os Foxes não conseguiam finalizar a gol, mas pouco a pouco dominavam o meio-campo já que o Chelsea optou por recuar e sair nos contra-ataques com Pulisic e Mount.

Esse recuo, embora estratégico, foi um dos principais erros do Chelsea na partida exatamente por não conseguir conectá-los e ainda contar com um Pedro muito abaixo na partida, após um bom início, nem mesmo a entrada de Willian mudou o cenário de uma equipe que não soube lidar com a perda territorial que sofreu principalmente na segunda etapa.

WhatsApp Image 2019-08-20 at 21.30.22O Leicester chegou a colocar NOVE jogadores no campo ofensivo, dominando o meio-campo e empurrando o Chelsea cada vez mais para trás.

Se Mount foi o destaque no primeiro tempo, Maddison chamou a responsabilidade na segunda etapa com dribles e finalizações na área londrina, que também explorava os espaços nas costas dos meio-campistas do Chelsea, já que havia uma falta de balanceamento na subida para pressionar a saída de bola.

WhatsApp Image 2019-08-20 at 21.30.31Os meias do Chelsea subiram para pressionar a saída do Leicester, porém Maddison já estava preparado para acelerar no contra-ataque às costas de Jorginho, que ficava sozinho no meio-campo.

Os meias subiam e Jorginho ficava sozinho no meio-campo, fornecendo todo o espaço para o Leicester atacar, o que só confirma como a perda de domínio no setor foi predominante para a primeira vitória sob o comando de Frank Lampard ainda não vir, com o gol de cabeça de Ndidi, na primeira trave, após cobrança de escanteio da direita.

E poderia ser pior, se Maddison convertesse a grande chance que teve ou se Vardy, após assistência do próprio James Maddison, acertasse o chute cruzado que passou muito perto do gol defendido por Kepa. O ataque dos Foxes tinha total liberdade para flutuar no campo ofensivo e aproveitar os espaços que a transição defensiva do Chelsea acaba cedendo.

Podemos dizer que a volta para casa de Lampard foi bem diferente do que a torcida esperava e, bem ou mal, já são sete gols sofridos em três partidas. Porém, é preciso ter paciência com o início de trabalho, pois sabíamos que essa temporada seria difícil pela reconstrução de um elenco que não foi devidamente reforçado devido ao embargo de transferências.

O segundo tempo foi ruim, é verdade, mas acredito que Frank Lampard irá reparar os erros da transição defensiva e na dosagem correta da intensidade e da pressão na saída de bola do adversário.

Por hora, ficou aquele gostinho de que a vitória esteve perto. Esperamos que ela venha logo.

@Lipe_Henry

Anúncios

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s