Ataque total – ANÁLISE TÁTICA MAN CITY 2 x 2 TOTTENHAM

Por Ícaro Caldas Leite

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O último jogo do Manchester City no Etihad Stadium havia acontecido contra o Leicester pela penúltima rodada da Premier League 18-19 (o jogo do: “No, Vinny, no”). Após 3 jogos fora de casa, esta era a volta ao seu estádio, com gramado novo, mais um título na atual temporada (supercopa da Inglaterra) e depois de uma goleada na estreia, no West Ham. 

O cenário para este jogo era o melhor possível, pois do outro lado do campo estava o rival que eliminou o City da última Champions League, o Tottenham, também no Etihad Stadium, e que já havia vencido tanto o jogo no qual foi eliminado, quanto o jogo da Liga. 

Formidável como sempre, os Citizens começaram o jogo agredindo os Spurs. Era um bombardeio contra a meta do Lloris pelos lados do campo e começavam a sair as melhores chances. Walker, De Bruyne e Bernardo pela esquerda dos Spurs agredindo, triangulando e ultrapassando com toques curtos, movimentações e corridas pela linha de fundo. Para atacar o lado direito dos Spurs, onde havia um certo espaço, o City usava bastante inversão de jogo do Otamendi, Rodri, Walker ou De Bruyne.

Zin e SterlingSterling por dentro para abrir espaço no lado direito, Zinchenko aberto para explorar o lado direito.

O espaço que os Spurs deixavam no lado direito era fechado no lado esquerdo, mas o meio ficava “vago”. Antes do primeiro gol sair já tinha acontecido a mesma jogada e Walker não conseguiu cruzar direito. 

Semelhança do primeiro gol cityTrês jogadores do Tottenham marcando a bola, dois focados com Aguero, Sterling nas costas do Walker-Peters e Kyle Walker no corredor interno com espaço para poder cruzar num passe do Bernardo.

A princípio as chances vinham aparecendo, mas o Manchester City não conseguia finalizar as jogadas em gols. No entanto, era só uma questão de tempo até que os Citizens furassem a defesa dos Spurs. 

Num determinado minuto da partida, um certo esquema tático me chamou atenção: o City estava utilizando o 3-1-4-2.

3-1-4-2 City 19-20Saída de 3, Rodri sozinho no centro do campo, Bernardo e Zinchenko abertos no lado do campo (dando amplitude), Kevin e Gundogan por dentro, Sterling e Aguero dando profundidade.

Logo após ocorrer esse momento, o City abriu o placar com a mesma jogada que eu havia destacado: pelo seu lado direito, de Bernardo para Kevin e daí saindo um belo cruzamento para área.

semelhança do gol 1De Bruyne cruza e Sterling cabeceia nas costas do lateral direito dos Spurs.

Com tudo que vinha acontecendo na partida e a demora para abrir o placar,  o City só levou três minutos para sofrer o empate após um erro coletivo de meio campo, defesa e o Ederson mal posicionado (deixando todo o seu lado direito aberto e adiantado). 

ederson erroLamela sem pressão dos meios campistas, Laporte indo para trás e Ederson mal posicionado.

Simultaneamente, ocorreu a mesma situação que tinha acontecido na Champions League, o City abre o placar e menos de 5 minutos depois, o Tottenham empata e novamente começa o futebol de paciência com um time que não consegue jogar e o outro que comete um bombardeio de chutes dentro da área, de fora e cruzamentos. 

Exatamente como havia acontecido no primeiro gol, a jogada pelo lado direito aconteceu também no segundo, mas com uma execução diferente: ao invés de tocar para o Walker que estava no corredor interno, o Bernardo tocou na frente e o Kevin cruzou rasteiro.

walker, bernardo e kevinTriangulação entre Walker, Bernardo e Kevin De Bruyne. 

Com a vantagem no placar novamente, o City continuou tendo o domínio das ações ofensivas do jogo e o primeiro tempo terminou assim.

Na volta do intervalo, o jogo continuou no mesmo molde dos 45 minutos iniciais. Os Spurs pareciam crianças contra adultos jogando bola, o time não conseguia sair jogando, o City pressionava a saída de bola e com isso originava o erro ou o chutão da equipe londrina. 

O maior problema da equipe de Pep Guardiola é a bola parada, principalmente em escanteio, um problema defensivo de longos tempos e que ele ainda não soube ajustar. Essa deficiência já eliminou o City da última Champions, causando dificuldades na última rodada da Premier League, contra o Brighton, e caso o time não tivesse qualidade para empatar e virar poderia ser a causa da perda do título. E mais uma vez, o Man City tomou gol de bola parada, dessa vez do Lucas Moura, o jogador que tem 1,73 de altura nas costas do Walker que tem 1,78 de altura. 

Escanteio cityKevin acompanhando o Eriksen, Rodri acompanhando Alderweireld, Laporte (em azul) sem ninguém, Walker com Lucas e Sánchez.

Somando-se aos problemas da equipe azul, perder gols é outro grande fator. Em 95% dos jogos o time cria chances reais de gols, mas a ineficiência é gigantesca. Sei também que já são duas temporadas sendo o time mais goleador da Europa, mas em diversos jogos a equipe perde pontos, sofre derrotas ou eliminações por causa da pontaria errada. 

Screenshot (25)Dados: Sofascore.

O ataque total aplicado durante o jogo não soube converter em gols as chances criadas, seja por méritos da zaga dos Spurs, pela bola bater na trave e não querer entrar ou por deméritos da equipe mandante do jogo. Sendo assim, os Citizens não podem cometer esses erros novamente durante a temporada em qualquer competição, pois podem perder mais pontos e classificações, talvez até perdendo a chance de conquistar o tri da Premier League ou um avanço maior na Champions League.

@caldasicaro

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