A volta do futebol do Grêmio – ANÁLISE TÁTICA DE GRÊMIO 2 x 0 ATHLETICO

Por Maurício Wiklicky e Henrique Mathias

Dois times campeões nos últimos anos. Mais do que isso, dois times que jogam buscando o gol, que gostam de ficar com a bola, com modelos de jogo parecidos. Podemos considerar que é o confronto dos melhores times do Brasil nos ultimos anos.

Disputar a posse de bola com o Grêmio na Arena é uma missão que pouquíssimos conseguem e sabendo disso Tiago Nunes viajou até Porto Alegre com outra ideia em mente. Atacar a transição defensiva do Tricolor. Isso porque sabemos que o time do Grêmio esta muito mais preparado para atacar do que defender, onde os dois volantes, Matheus Henrique e Maicon, jogam mais que marcam, onde o posicionamento dos laterais voltando do ataque possui deficiências e por fim a confiança extrema na dupla Geromel e Kannemann.

Com isso Tiago Nunes escalou sua equipe com Roni aberto na esquerda, Marcelo Cirino na direita e optou por Lucho Gonzalez e não Nikão formando dupla com Bruno Guimarães. Em teoria era um plano muito interessante, pois visava tirar a fluidez do jogo gremista na zona central, impedir as progressões de Leo Gomes e Cortez e quando recuperasse a bola a busca seria chegar a área rival em poucos toques. O grande problema foi a execução, e o mérito de Renato (e tem gente que acredita que ele não estuda…).

Grêmio tentando criar e Athletico organizado no início do jogo.

O treinador gremista colocou Matheus Henrique sobre Bruno Guimarães, causando uma tremenda preocupação defensiva para o camisa 39 do Furacão e conseguindo atrapalhar toda a ideia de jogo do rival. Releia a frase, essa foi a chave do jogo! Mas por que? Abaixo a resposta:

Tiago Nunes focou sua marcação em Maicon. A ideia era barrar as linhas de passe para o capitão gremista, bem como marcação quase que especial para a não ocupação dos espaços. Tanto é que Maicon não foi organizador do time tricolor. Essa tarefa coube a Matheus Henrique, que teve a melhor atuação com a camisa tricolor.

A construção do primeiro gol do Grêmio com grande participação de Matheus Henrique, com ultrapassagem, condução e passe no momento certo.

Foram numeros impressionantes, como vimos acima, de um jogo espetacular da nova jóia da fantástica fábrica de volantes do Grêmio:

Na ultima década o Grêmio revelou Lucas Leiva, Rafael Carioca, Fernando, Wallace, Arthur (na foto) além de Jailson, agora Matheus Henrique, Darlan (também já no grupo profissional) e vem mais por aí, como Victor Bobsin, convocado para todas seleções de base.

Na defesa os paranaenses mesmo com um meio-campo mais físico, conseguiu pouco encaixe e acabou sofrendo demais quando o Grêmio atacou da lateral pro meio (Everton, Alisson e Leonardo Gomes), sem um bloqueio efetivo e permitindo que Jean Pyerre tivesse liberdade para circular e ativar André na referencia.

Já na parte ofensiva o Athletico buscou trabalhar em bloco médio, sem entrar numa disputa efetiva pelo controle da posse e apostando que iria transitar bem com seu lado esquerdo (Rony-Bruno Guimarães-Marcio Azevedo) o que acabou não acontecendo. Sem facilidade para transitar e não tendo meios para disputar a posse de bola com o rival, a equipe de Tiago Nunes ficou muito dependente do 1×1 do Roni. O camisa 7 foi bem quando duelou diretamente com Bruno Cortez, vencendo 4 duelos e perdendo apenas 1 para o lateral esquerdo do Grêmio. Contudo, em sua melhor área de atuação, perdeu 5 duelos em 6 tentativas para Leo Gomes. E quando conseguia vantagem, tinha à sua frente uma dupla de vaga intransponível, que fez com que Marco Ruben nao aparecesse no jogo.

Mas acima de tudo, o Grêmio em linguagem popular encaixotou os paranaenses. Se querem termos mais modernos, o pressing em bloco alto foi perfeito:

Imagem de capa e ilustrativa sobre essa marcação do Grêmio e que explicaremos abaixo.

Como falamos o time de Tiago Nunes gosta da posse de bola desde a saída dela. E quando falamos saída é desde o tira de meta cobrado através de um passe do goleiro Santos para os zagueiros. Renato então realizou a marcação alta desde os dois jogadores posicionados mais a frente (André e Jean Pyerre e depois Tardelli e Thaciano/Luan). Aqui uma nota adicional, o Grêmio marca a saída de bola sempre com o atacante e o jogador central da linha de três do meio campo desde 2016 (Douglas e Luan, depois Luan e Barrios, Luan e Jael). Esses dois atacantes tem duas funções:

• quebrar a linha de passe para o volante Wellington ou Lucho.

• a partir do passe, fazer a marcação pressão sobre o zagueiro que recebe a bola

Quanto aos demais jogadores, marcações por encaixes, onde cada um tinha sua responsabilidade definida. O único jogador que não está marcando ninguem na imagem é um dos zagueiros, no caso Kannemann. Isso porquê Geromel marcava Marco Ruben e ele era responsável pela sobra (porém ao longo do jogo as funções se invertiam, pois dependeria onde o argentino se posicionaria).

Bom, mas e quando o Athletico conseguisse sair com a bola, em especial com o volante, como o Grêmio marcaria? Aí entra a marcação por zona, com a compactação das duas linhas de quatro (uma na defesa e uma no meio), além da ajuda e intensidade de marcação dos dois jogadores em linha.

Nas imagens acima o volante do Athletico recebe a bola, Grêmio se organiza na linha do meio campo, e os dois atacantes tentam a pressão e fecham linha de passe para os zagueirs. O Grêmio encaixota os paranaenses.

Grande plano e grande execução do tricolor de Renato, na melhor partida da equipe no ano.

@mwgremio e @riquemathias

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