O mundo tricolor – ANÁLISE TÁTICA DO SÃO PAULO CAMPEÃO DO MUNDO DE 92

Por Pedro Galante

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No dia 13 de dezembro de 1992, Barcelona e São Paulo se enfrentavam no Estádio Nacional de Tóquio, disputando o título de melhor equipe do mundo. No comando, Johan Cruyff e Telê Santana. Dois grandes personagens do futebol mundial, amantes do jogo ofensivo, mas donos de métodos distintos.

São quase trinta anos desde a partida, e o futebol sofreu mudanças. O jogo tinha um ritmo bem mais lento e a forma de ocupar os espaços, principalmente no momento defensivo, era diferente. A compactação das equipes era menor e o espaço efetivo de jogo maior.

O Barcelona jogava em um 3-4-3. Ferrer, Koeman e Witsdge compunham a primeira linha. Guardiola, Amor, Bakero e Laudrup formavam um losango no meio campo. Eusébio, Stoichkov e Begiristáin formavam o ataque.

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O Tricolor variava bastante seu desenho em campo, mas mantinha algo parecido com um 4-4-2. Vitor, Adílson, Ronaldão e Ronaldo Luiz na primeira linha. Cafu, Cerezo, Pintado e Palinha. Raí e Muller, com o camisa 10 flutuando muito em campo.

WhatsApp Image 2019-08-17 at 18.58.09Os onze de Telê Santana.

Os primeiros minutos foram de domínio catalão, com um São Paulo defendo mais recuado. Aos 12, Stoichkov abre o placar após um lindo chute de fora da área. A jogada começa com uma roubada de bola de PepGuardiola que conduz e, num raro momento onde Cerezo e Pintando não protegem bem a linha defensiva, passa para búlgaro marcar.

WhatsApp Image 2019-08-17 at 19.09.04Lance do gol catalão. No contra-ataque, Guardiola acha bom passe entre os volantes. (Foto: Pedro Galante)

Os comandados de Cruyff atacavam com bastante jogadores no campo de ataque. Tinha Guardiola e o trio de zaga fazendo a saída de bola, com Amor e Laudrup ligando o meio ao ataque. Begiristáin e Eusébio esperavam bem abertos para gerar amplitude.

O São Paulo defendia bem. A linha de defesa fechava a área e Pintado e Cerezo garantiam a proteção. Muller não recompunha mas fechava o passe de Ferrer, enquanto Raí marcava Guardiola. A soma desses esforços, obrigava o Barça a sair pelo lado esquerdo, onde Cafu aparecia para combater.

WhatsApp Image 2019-08-17 at 19.09.13Pressão tricolor. Guardiola é forçado a buscar o passe mais longo pela direita. Na sequência, a equipe ganha a bola e marca no contra-ataque. (Foto: Pedro Galante)

Aos 27, o São Paulo recupera a bola com Pintado no meio campo, que aciona Palinha. O camisa 9 aciona Muller, rompendo em diagonal em cimade Ferrer. Já dentro da área, Muller se livra do espanhol com um lindo drible de corpo e cruza para Raí marcar.

Os ataques tricolores não eram tão longos, pois os jogadores eram mais objetivos com a bola. A maioria das jogadas era pelos e não havia um centroavante fixo. Muller caia muito pela esquerda e Raí se movimentava por toda parte. Toninho Cerezo aparecia mais a frente como elemento surpresa.

A segunda etapa também se iniciou com domínio catalão, mas os brasileiros equilibraram a partida. Zetti não foi muito exigido, já que havia um cuidado especial com o balanço defensivo. O lateral do lado oposto da bola sempre esperava mais próximo dos zagueiros e Pintado, mais avançado, era o responsável pelo primeiro combate.

Palinha era peça importante do sistema ofensivo de Telê, sempre coordenando seus movimentos com Muller o atacante aparecia muito por dentro, principalmente atacando o espaço. Inclusive, a falta que gerou o gol é sofrida por Palinha, quando recebe de Muller e conduz em direção a área.

WhatsApp Image 2019-08-17 at 19.09.23O lance que origina a falta cobrada por Raí. Em branco, o deslocamento dos jogadores de suas posições iniciais. Em amarelo, o passe de Muller. Em vermelho a condução de Palinha para sofrer a falta. (Foto: Pedro Galante)

E a falta foi decisiva. A primeira com as condições de chute. Antes da cobrança, o câmera foi buscar a face apreensiva de Johan Cruyff. Não era para menos. Raí rola para Cafu, que para a bola e então o camisa 10 chuta colocado no ângulo do goleiro que mal se move. Um golaço!

Faltavam 12 minutos para o fim da partida e o Barcelona partiu para cima. O São Paulo resistiu muito bem com sua marcação que buscava manter o desenho das duas linhas de quatro, mas permitia deslocamentos para pressionar um rival mais próximo.

E depois do apito final, o mundo se fez vermelho, branco e preto. Até mesmo o adversário Cruyff admitiu “Se for para ser atropelado, que seja por uma Ferrari. O São Paulo jogou como legitimo campeão do mundo. E todo o globo se encantou com a magia da equipe de Telê Santa, que valorizava o talento individual para a construção do coletivo.

@pedro17galante

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