Uma quadra de fatores – ANÁLISE TÁTICA MAN UNITED 4 x 0 CHELSEA

Por Felipe Henriques

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Quando o jovem Tammy Abraham acertou a trave de De Gea aos três minutos e meio de partida, a expectativa era alta para o que os “Bridge Boys” poderiam fazer em Old Trafford contra o Manchester United, na estréia da Premier League. Claro, uma hecatombe era inesperada por mais que os Blues tivessem apresentado uma transição defensiva deficitária durante a Pré-temporada.

Estréias costumam ser nervosas e o nervosismo pode influenciar a tomada de decisão de alguns jogadores em um cenário de pressão. Ainda na primeira etapa, Mason Mount teve uma boa chance de dar uma boa assistência para Abraham, mas errou completamente a execução da jogada. Defensivamente também houve falhas e, infelizmente, os erros de Kurt Zouma custaram caro e o pênalti cometido em Rashford gerou o primeiro gol dos Red Devil’s.

Com as duas equipes atuando no 4-2-3-1, a primeira grande diferença que determinou a incontestável vitória do Manchester United foi o comportamento defensivo, com a equipe da casa muito mais compacta e sabendo ocupar os espaços para dificultar o avanço adversário, já que o Chelsea oferecia muitos espaços para contra-ataques, muito por preferir uma estratégia de ocupar o campo ofensivo e buscar o jogo direto pelos lados.

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Porém, esse posicionamento de peças mais a frente e com a liberdade para os laterais avançarem até a linha de fundo, pode resultar em um espaço a ser explorado caso a intensidade e a organização defensiva não seja a ideal. Intensidade que os Blues deixaram de ter após os 20’ do 1T, quando o Manchester United passou a ter mais a posse de bola no campo ofensivo, aproveitando que o Chelsea abaixou suas linhas e seu nível de pressão na marcação.

Assim, chegamos à segunda grande diferença que determinou a vitória do Manchester United: Intensidade. Tão importante quanto ter um forte início de jogo com um forte ritmo no comportamento sem bola (marcação agressiva) e na fase ofensiva (dominar o adversário no campo de ataque) é saber dosar a intensidade nas fases corretas para conseguir ferir o adversário na hora certa, de forma cirúrgica.

WhatsApp Image 2019-08-12 at 22.24.46O Chelsea por muitas vezes transformou o seu 4-2-3-1 em um 4-2-4 para pressionar a saída de bola do United com uma marcação com linhas bem altas.

Mesclar a intensidade de jogo e manter a organização defensiva com uma boa disciplina tática pode ser decisivo para conseguir a vitória mesmo quando a sua equipe não realiza uma grande atuação. Solskjaer foi muito feliz em seu plano de jogo e soube explorar os momentos de “baixa guarda” do Chelsea, principalmente no segundo tempo, mesmo que, individualmente, não houvesse um destaque absoluto na partida.

Vencer um adversário direto por uma larga vantagem mesmo sem estar em uma jornada perfeita me faz lembrar do terceiro detalhe para a vitória dos diabos vermelhos sobre os azuis londrinos: Hierarquia.

Solskjaer já tem um tempo de estrada maior do que o de Lampard como técnico na Premier League e entre os seus comandados, o time de Manchester é mais experiente e acostumado a grandes jogos e a lidar com a pressão, independente do rendimento, satisfatório ou não, o fato de não falhar na hora da escolha da jogada muda a história de uma partida.

Os jovens Zouma, Mount e Abraham falharam; O jovem Rashford, não. Inclusive, Marcus Rashford, novo camisa 10 dos Red Devil’s, carrega consigo uma grande hierarquia apesar da ainda curta carreira, marcando o decisivo gol de pênalti que garantiu a histórica classificação do Manchester United contra o PSG, em Paris, pelas Oitavas da UEFA Champions League da última temporada. Esse tipo de coisa costuma credenciar o jogador a ser decisivo em jogos grandes e o seu doblete no último domingo em Old Trafford, exemplifica bem isso.

 

Para concluir a quadra de fatores, não podemos esquecer do detalhe mais importante do futebol: O gol. O Chelsea teve chances de fazer pelo menos dois no primeiro tempo, nas duas bolas que pararam na trave, da mesma forma que o Manchester United transformou sua vitória em goleada com três contra-ataques mortais, de manual, explorando a intensidade, a desorganização defensiva adversária e a hierarquia de seus jogadores na hora de decidir.

 

Mesmo que o jovem Daniel James não tenha hierarquia, o belo passe de Pogba e o desvio em Emerson Palmieri antes de entrar, mostra a imponência vermelha na partida principalmente no aspecto psicológico, que sobrepôs qualquer aspecto técnico e momentos interessantes que o Chelsea teve durante a partida, como o próprio Frank Lampard afirmou ao término da partida.

Só para não passar batido, precisamos falar sobre Aaron Wan-Bissaka e o quão grande é o seu teto de evolução no time titular de Solskjaer, como dono da lateral-direita. Incisivo no ataque, despertando muitas vezes uma marcação dupla da defesa do Chelsea e firme defensivamente, com 8 duelos vencidos em 11 disputados e 4 desarmes ganhos em seis tentativas, foi inegavelmente um dos melhores jogadores em campo e pode vir a ser um dos pilares da equipe durante a temporada.

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Pilares que se forem bem construídos durante a temporada, podem resultar em uma temporada muito mais sólida do que o esperado. Já pelo lado do Chelsea, não é preciso destruir o que Lampard pensa como ideal para a equipe por causa do resultado, e sim, aprimorar e corrigir o que deu muito errado, contando com os importantes retornos de Willian e principalmente Kanté para a sequência da temporada.

@Lipe_Henry

 

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