Bom de cabeça e doente do pé – ANÁLISE TÁTICA CORINTHIANS 1 x 1 PALMEIRAS

Por Jhonata Souza e Rafael Santos

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Na noite do último domingo (04), tivemos mais um Derby Paulista. Corinthians e Palmeiras se enfrentaram, na Arena Corinthians, pela décima terceira rodada do Campeonato Brasileiro. A partida terminou empatada em 1×1 com os gols marcados por Manoel (Corinthians) e Felipe Melo (Palmeiras). Carille escalou o Timão no 4-1-4-1 com os seguintes jogadores: Cássio; Fagner, Manoel, Gil e Avelar; Gabriel (Matheus Jesus); Pedrinho, Urso, Sornoza (Matheus Vital) e Clayson (Everaldo); Vagner Love. O Palmeiras veio a campo utilizando o sistema tático 4-2-3-1, algo natural levando em conta que Luís Felipe Scolari não é um técnico que gosta de modificar o padrão de jogo com frequência. A novidade ficou por conta do meio-campista Raphael Veiga que foi mantido na equipe titular, dessa vez atuando desde o inicio da partida na ponta esquerda e mantendo o atacante Dudu centralizado com a responsabilidade de criar as jogadas.

Primeiro Tempo                                                

Os primeiros 13 minutos do Corinthians foram ruins. A equipe alvinegra não conseguia se estabelecer no campo de ataque, enquanto que na defesa dava liberdade para os jogadores adversários executarem suas ações, tanto que Cássio precisou intervir duas vezes a fim de evitar o gol palmeirense. Esse panorama muda completamente após o gol de Manoel aos 13 minutos da primeira etapa.

Nos primeiros 10 minutos o Palmeiras chegou em condição de abrir o placar três vezes, duas vezes com Deyverson e uma vez com William, jogadas oriundas de lançamento para o Deyverson que apenas desviou para a diagonal onde Dudu e Marcos Rocha fizeram o cruzamento baixo, porem Cássio se agigantou e impediu o gol palmeirense. Após o gol de Manoel, o Palmeiras se manteve utilizando a mesma estratégia e chegou novamente em condição de empatar o jogo após bom passe de Dudu para Deyverson que novamente não conseguiu superar o Cássio.

O gol serviu como um calmante. A frente do placar, o Timão passou a controlar o jogo a partir da defesa. A equipe alvinegra deu a posse para o adversário, recuou as suas linhas e se postou de forma bem compacta no seu próprio campo. O Palmeiras rodava a bola, mas, não conseguia encontrar espaços na defesa alvinegra, já que o Timão protegeu muito bem o funil da defesa. Destaque para o primeiro tempo de Gabriel e Urso, ambos foram importantes nas roubadas de bola e na marcação.

WhatsApp Image 2019-08-07 at 00.04.48Corinthians postado de forma bem compacta na defesa.

Nos momentos em que o Corinthians trouxe suas linhas de defesa para o bloco baixo o Palmeiras não teve mais a capacidade de infiltrar ou jogar nas entrelinhas, devido ao forte balanço defensivo. A equipe até tentou mover essas linhas direcionando o jogo para o lado esquerdo de ataque contando com os avanços de Diogo Barbosa e a aproximação de Bruno Henrique, porem foi ineficaz e nos momentos em que optou pelas inversões diretas sempre esbarrou na forte pressão de Danilo Avelar e no baixo ritmo de jogo do William.

A segurança defensiva deu ao Timão mais tranquilidade no ataque. Mesmo com menos posse foi à equipe mais objetiva quando esteve com a bola. O ataque se concentrou bastante pelo lado direito com Fagner, Urso e Pedrinho e as melhoras chances vieram através das jogadas de bola parada. A estratégia só não foi perfeita, pois o Corinthians pecou nos contra ataques e acabou saindo da primeira etapa com a vantagem mínima no placar.

WhatsApp Image 2019-08-07 at 00.06.14Corinthians tendo um contra ataque com superioridade numérica.
WhatsApp Image 2019-08-07 at 00.06.26Gráfico de interações via Footstats.

O gráfico de interação dos jogadores comprova que o trio Diogo Barbosa-Bruno Henrique-Raphael Veiga foi o que mais teve interação, fruto da baixa mobilidade existente no primeiro tempo. Enquanto isso William e Marcos Rocha tiveram apenas três interações, além disso, Felipe Melo vinha para buscar o jogo ao lado dos zagueiros fazendo linha de três. Na primeira etapa o Palmeiras criou diretamente pelo menos três situações claras de gol, mas não foi eficiente o bastante na hora de finalizar.

Palmeiras 343

Segundo Tempo

Na segunda etapa o Palmeiras voltou com Gustavo Scarpa na vaga de Raphael Veiga, isso modificou a estrutura do ataque e deu maior mobilidade para a equipe, Dudu pela direita e William pela esquerda com Scarpa se aproximando de Deyverson.O gol palmeirense mostra a importância dessa mobilidade, após falta cobrada por Marcos Rocha direcionando-a para Deyverson que faz o passe de cabeça para a entrada da pequena área, desse modo Felipe Melo sobe mais que todo mundo e cabeceia para o fundo das redes.

O mapa de calor mostra que Raphael Veiga¹ ficou preso ao lado esquerdo, enquanto isso Gustavo Scarpa² teve liberdade para flutuar se aproximando de todos os atacantes.

O gol de Felipe Melo, numa falha coletiva da defesa, mudou o panorama do jogo. O Corinthians passou a ter mais posse e tentar propor o jogo. O Palmeiras soube fechar bem o lado direito de ataque e forçou o Corinthians a jogar mais pela esquerda. Mesmo com Clayson tentando chamar a responsabilidade, fica evidente a falta que faz ter um lateral esquerdo que possua alguma capacidade ofensiva. Dá mesma forma que ficaram bem claras as dificuldades de Vagner Love. O artilheiro do amor lutou bastante, como sempre, mas, acabou matando alguns ataques com seus erros, não conseguiu fazer os pivôs e sofreu com o Timão usando bastante de cruzamentos que só serviram para consagrar a zaga alviverde. O Corinthians só conseguiu criar algum perigo em jogadas de bola parada.

Devido ao baixo ritmo de jogo William deu vaga para Zé Rafael que vinha atuando antes da recuperação, o Palmeiras ganhou em velocidade e explosão, desse modo Gustavo Scarpa e Dudu tinham uma opção de velocidade e uma opção de referencia no ataque, isso fez com que o Palmeiras tivesse condição de contra atacar uma equipe ainda em transição, tanto com Dudu, Deyverson e Zé Rafael.O Palmeiras tem a versatilidade com principal trunfo no sistema ofensivo, mas quando a equipe adversaria traz suas linhas defensivas em bloco baixo e tem pressão pós-perda, faz com que o Palmeiras se transforme em uma equipe previsível e refém dos lançamentos para o Deyverson.

Numa tentativa de diminuir a vantagem de Deyverson pelo alto, Carille colocou Matheus Jesus no lugar e deslocou Urso para fazer a função de primeiro volante. Na teoria fazia sentido, só que na prática deu errado. Deyverson continuou ganhando a primeira bola e sem Gabriel o Verdão passou a dar sequências às jogadas. O Corinthians ficou mais frágil na marcação e a transição defensiva, até então muito bem feita, passou a ter problemas e o Palmeiras teve alguns contra ataques bem perigosos. Além da saída de Gabriel, o cansaço dos pontas e as atuações baixo de Gil e Avelar ajudam a explicar esse problema. O Timão sofreu bastante com a bola aérea defensiva e só não saiu derrotado porque Cássio teve mais uma grande atuação com a camisa alvinegra.

WhatsApp Image 2019-08-07 at 00.07.18Palmeiras com superioridade numérica no contra ataque e o Corinthians com uma transição defensiva lenta.

O empate tem pontos positivos e negativos nos dois times. O Palmeiras sai do jogo com a sensação que deixou a vitória escapar, porém conseguiu evitar o caos na sua semana ao se classificar na Libertadores e sair com um empate no derby. O Corinthians perdeu a chance de poder encostar no rival depois de cumprir seu jogo a menos, porém se não fosse por Cássio o prejuízo teria sido ainda maior.

@jhonny14souza e @Rafinha_esporte

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