Para retomar a confiança– ANÁLISE TÁTICA BAHIA 3 x 0 FLAMENGO

Por Kleyton Sampaio

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O Bahia chegou para o confronto contra o Flamengo sofrendo uma forte pressão por resultados. Após a Copa América a equipe ainda não havia vencido ou sequer marcado gols pelo brasileirão. Porém a equipe de Roger Machado tinha algo de bom para se apegar, diante dos contextos que seriam oferecidos dentro da partida,o time poderia adotar uma postura que lhe traz certo conforto (usar transições rápidas).

No início da primeira etapa, o time se alternou entre marcar forte a saída de bola do Flamengo e baixar as linhas em bloco médio, para recuperar e sair em velocidade. Ao subir o posicionamento, a equipe tentava formar encaixes para deixar o adversário sem opções de passe, na tentativa de recuperar a bola logo no campo de ataque e executar a ação ofensiva de forma rápida.

WhatsApp Image 2019-08-05 at 22.16.40Bahia subindo a marcação para formar encaixes no ultimo terço do campo. (InsTat)

Ao baixar as linhas, o Bahia adotou um 4-5-1, que por vezes virou um 4-1-4-1, em um bloco médio. Usando intensidade na marcação, sempre se movimentando em função do posicionamento/zona da bola, a equipe conseguiu formar encaixes, diminuir os espaços e dificultara circulação por parte do adversário.

Dessa forma o cenário da partida era de um Flamengo que tentava trocar passes para criar suas chances de gol, e de um Bahia que marcava forte e tentava concluir de forma rápida e direta suas ações ofensivas.

WhatsApp Image 2019-08-05 at 22.16.53Bahia subindo o posicionamento para incomodar a saída de bola adversária. (InsTat)

Roger optou por Giovanni na vaga de Ramires, e o lateral/ala acabou correspondendo bem. Ajudou a equipe na articulação das jogadas, chegou a ocupar a vaga de Artur no momento defensivo pelo lado esquerdo – dando um pouco mais de descanso ao ponta tricolor, mas também soube usar movimentos verticais em direção ao gol adversário quando foi necessário. Infelizmente, saiu machucado ao final do primeiro tempo, porém o Bahia já estava com um 2×0 no placar.

O primeiro gol do Bahia saiu após um início de construção pela direita, onde o Flamengo saiu para pressionar Nino Paraíba pelo corredor, deixando a última linha desestruturada, permitindo infiltração de Gilberto e Giovanni. O atacante do time baiano fez o movimento correto e Nino conseguiu executar o passe as costas da defesa adversária.

WhatsApp Image 2019-08-05 at 22.17.08Linha defensiva do Flamengo desestruturada. (Instat)

O time visitante tentou construir através das jogadas de Everton Ribeiro pelo lado direito e Arrascaeta pelo lado esquerdo. Conseguiu encaixar boas conexões, mas logo o Bahia tratou de ajustar, dobrando a marcação com a ajuda dos pontas (Artur e Lucca) que voltavam para ajudar os laterais no momento defensivo.

WhatsApp Image 2019-08-05 at 22.17.19Lucca voltando para dobrar a marcação pelo lado esquerdo. (InsTat)

O segundo gol saiu através de outro comportamento muito usado na primeira etapa (marcação pressão no ultimo terço). O Bahia subiu o posicionamento, eliminou as opções de passe e pressionou Diego Alves que, ao tentar mandar a bola para frente, acabou dando um presente para Gilberto, que não desperdiçou.

WhatsApp Image 2019-08-05 at 22.17.32Diego Alves prestes a sucumbir a pressão. (InsTat)

Com dois gols atrás no placar, o Flamengo tentou usar o abafa ao final do primeiro tempo, mas nãoconseguiu ganhar a segunda bola para matar as transições ofensivas do Bahia logo na raiz. Com isso Artur conseguiu se deslocar até o campo de ataque e servir Gilberto, que fez seu terceiro gol na partida.

WhatsApp Image 2019-08-05 at 22.17.51Bahia tendo menos posse no 1T, porém com 100% de aproveitamento nas finalizações.(Sofascore)

É sempre bom lembrar que o contra-ataque é uma transição rápida, mas nem toda transição rápida é um contra-ataque. Na partida o Bahia usou um ataque direto e o contra-ataque, as duas ações se enquadram em uma transição ofensiva, mas não necessariamente são a mesma coisa.

Se na primeira etapa o Bahia decidiu atacar em transição rápida, na segunda usou da mesma estratégia. Posicionou-se em bloco baixo, usando linhas bem compactas, e com isso não permitiu infiltração adversária,dessa forma conseguindo defender bem a sua meta. O Flamengo não conseguiu acertar uma finalização sequer no gol do goleiro Douglas no 2T,enquanto isso, o Bahia levou bastante perigo após a retomada da posse, com Moisés pelo lado esquerdo e Artur pelo lado direito, sempre partindo em velocidade, transformando cada escapada em uma chance perigosa.

Por parte do Flamengo, o que se viu foi um time abaixo fisicamente, que não conseguiu igualar ou sobrepor à intensidade do adversário. A estreia de Felipe Luís se tornou um pouco precipitada, tendo em vista que o lateral vinha abaixo dos demais na sua forma física, além de não entender os movimentos de combate e cobertura que a equipe costuma exercer. Faltou a Jorge Jesus ter a percepção de que a equipe adversária tem um lado direito muito veloz e que isso poderia lhe causar apuros, o que acabou acontecendo.

WhatsApp Image 2019-08-05 at 22.17.59Flamengo controlando a posse, porém sem conseguir acertar a meta tricolor. (Sofascore)

No final das contas, a estratégia do Bahia foi essencial para o resultado positivo, tudo que a equipe havia planejado acabou funcionado.Marcar pressão na saída de bola adversária, fechar os espaços próximos à bola em bloco médio ou baixo,para sair em velocidade após a retomada. Belo triunfo para retomar a confiança!

@SampaioKleyton1

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