Não percam as contas – ANÁLISE TÁTICA SANTOS 6 x 1 GOIÁS

Por Rodrigo Costa

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Na partida contra o Goiás, na Vila Belmiro, o Santos foi comandado por Jorge Desio, um dos auxiliares de Sampaoli, que estava suspenso, e eles armaram o Santos com Felipe Jonatan de titular no meio campo, assim como foi no segundo tempo contra o Avaí, com isso o time foi Éverson; Ferraz, Veríssimo, Gustavo Henrique e Jorge; Pituca, Sánchez e Felipe Jonatan; Derlis, Sasha e Soteldo.

No momento ofensivo, percebemos algo que geralmente se repete nos jogos:

  • Desenho tático no 2-3-5.
  • Laterais por dentro, como interiores ao lado de Pituca.
  • Pontas bem abertos.
  • Meias por dentro, entre as linhas do Goiás.

Mas, nesse jogo, Ferraz teve mais ações pelo lado direito, realizando diversas ultrapassagens, com isso Derlis fechava dentro da área. Pituca qualificava a saída de bola, por ter mais qualidade técnica que Alison, na função de “5”. Soteldo mais uma vez era bastante acionado para realizar jogadas em 1×1, geralmente levando vantagem como no gol de Sánchez.

WhatsApp Image 2019-08-05 at 10.32.16Fonte: GloboEsporte.com – Edição: Rodrigo Costa.

Defensivamente, o time se posicionava no 4-1-4-1, com Pituca protegendo a frente da zaga e pontas recuando após o Goiás conseguir avançar até o campo de ataque, mas o time esmeraldino não ofereceu perigo ao Santos no primeiro tempo. Nessa fase também percebemos comportamentos comuns na temporada santista:

  • Marcação intensa e agressiva ao portador da bola.
  • Bloco alto (marcação na saída de bola adversária).
  • Encaixes por setor (jogadores marcam de forma intensa o adversário que cair na sua área).
  • Linha defensiva firme, zagueiros que buscam antecipar as jogadas, tirando espaço dos adversários.

No segundo tempo, mesmo com 3×0 no placar, o Santos não recuou, pelo contrário, manteve a intensidade alta e a busca constante pelo gol, característica marcante do modelo de jogo de Jorge Sampaoli. Mas, com um desenho tático um pouco diferente: imaginando que o Goiás tentasse partir para cima, o Peixe se reorganizou no 4-4-2. Defensivamente, deixava Soteldo como atacante junto com Sasha para receber bolas em contra ataques santistas, como no quarto gol. Com isso, Felipe Jonatan fechava a linha de quatro pelo lado esquerdo e Derlis González pelo lado direito.

WhatsApp Image 2019-08-05 at 10.33.02Fonte: Premiere. Edição: Rodrigo Costa.

Desde o primeiro tempo, a segunda bola (aquela que a defesa afasta da área) sempre era santista, e geralmente caia nos pés de Pituca e, principalmente, de Sánchez, que buscava rapidamente conectar os companheiros mais à frente, criando contra ataques com poucos toques e extremamente rápidos. O uruguaio tem muita qualidade técnica para distribuir o jogo, tendo ótimo passe, portanto, recebendo a bola nessa faixa de campo, de frente para o ataque, tendo sempre opções de passe bem colocados é letal.

WhatsApp Image 2019-08-05 at 10.33.14Fonte: GloboEsporte.com – Edição: Rodrigo Costa.

Após a entrada (e estreia) de Evandro no lugar de Felipe Jonatan, o Santos voltou a se defender no 4-1-4-1 e atacar no 4-3-3. A capacidade de modificações, tanto de desenhos táticos quanto de alternativas de jogo, tem sido um trunfo de Sampaoli na execução do seu modelo de jogo. Vários jogadores podem fazer diferentes funções, com isso fica mais fácil de mudar o jogo sem realizar substituições.

WhatsApp Image 2019-08-05 at 10.33.28Fonte: Premiere. Edição: Rodrigo Costa.
WhatsApp Image 2019-08-05 at 10.33.38Fonte: GloboEsporte.com – Edição: Rodrigo Costa.

As transições ofensivas (quando a equipe recupera a bola e vai iniciar o ataque), que apesar de ser um time que prioriza a manutenção da posse de bola, construção utilizando muitos passes, tentando encontrar os espaços, as transições alvinegras são bem diferentes: a equipe tenta verticalizar o mais rápido possível, com poucos toques na bola, visando sempre sair pelas pontas (com Soteldo, Derlis, Marinho e quem atuar pelo setor) criando assim contra ataques letais, gerando o quarto e sexto gol (já com Marinho que entrou no lugar de Derlis), além de criar outras oportunidades.

WhatsApp Image 2019-08-05 at 10.33.54Fonte: GloboEsporte.com – Edição: Rodrigo Costa.

As bolas paradas ofensivas têm sido cada vez mais aproveitadas. Sánchez sempre busca os zagueiros nas cobranças de faltas e escanteios, seja para eles marcarem os gols ou para ajeitarem para os outros companheiros (gol de Veríssimo, gol de Derlis no último jogo contra o Avaí). Já as defensivas, a marcação acontece de maneira mista, tendo quatro ou cinco jogadores marcando individualmente os adversários e quatro ou três marcando zonas.

Sánchez e Soteldo foram os melhores jogadores da partida e são os melhores jogadores do Campeonato Brasileiro. Um é o equilíbrio, o outro o desequilíbrio, são complementares, são decisivos e são importantíssimos para o Santos. Nesse jogo, os seis gols tiveram participação de pelo menos um deles!

O Peixe segue firme na liderança do Brasileirão. Mantém o volume ofensivo de outros jogos, pois apenas o goleiro Éverson não finalizou na partida. É um dado absurdo! Mas melhorou na efetividade e conclusão das chances após a Copa América, exemplo disso é esse jogo. Apesar da fragilidade defensiva do Goiás, que não ofereceu muita resistência aos santistas, que só marcou o gol numa falha de recomposição da equipe, deixando um buraco entre as linhas para que Kayke aproveitasse.

@costa_rodrigo95

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