Pressão alta e transições efetivas – ANÁLISE TÁTICA FRANÇA 2 x 1 ALEMANHA

Por Henrique Mathias

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A Seleção Feminina Sub-19 da França conquistou o título Europeu da categoria ao bater a Alemanha por 2×1, em final de aconteceu no Saint Mirren Park, em Paisley na Escócia. A decisão da competição, confirmou as bases táticas que pautaram todo o torneio e falaremos disso abaixo.

WhatsApp Image 2019-07-31 at 15.02.00 (1)Escalação da França.
WhatsApp Image 2019-07-31 at 15.02.00Escalação da Alemanha.

O jogo começou com a França buscando dominar a posse de bola e trabalhar bem suas subidas alternadas, onde uma das laterais recua para fazer a saída apoiada e duas meio-campistas descem, acompanhando o lado da bola, para realizar o 3-2.

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Contudo, a Alemanha começou pressionando muito forte, o que acabou sendo uma característica de todas as forças do torneio (França, Alemanha, Espanha, Inglaterra) e dessa maneira conseguiu roubar a bola em campo ofensivo e avançar para fazer o 1-0, antes dos 10 minutos de jogo.

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Um frame importante para demonstrar como a Alemanha pressionou muito forte desde os primeiros minutos da partida e como isso acabou minando a confiança da França para sair jogando e ocasionando problemas na execução de seus mecanismos ofensivos.

Depois do gol a Alemanha conseguiu ainda mais efetividade nas suas transições e ficou perto de aumentar sua vantagem. Mas a qualidade individual das peças de meio-campo da França foi pouco a pouco falando alto, com a Dufour e a Polito somando passes na zona central, acalmando o time e conseguindo pouco a pouco elevar a moral das companheiras.

Aos 16 a França chegou ao empate. Dufour encontrou a Baltimore livre nas costas da lateral esquerda alemã e a camisa 11 da França teve tranquilidade para bater no canto inferior esquerdo e marcou o 1×1.

A partir desse momento a França conseguiu evitar o jogo da Kossler na entre linha e limitou o jogo alemão aos lançamentos da Muller para buscar a velocidade da Anyomi. Além disso a França buscou subir suas linhas, pressionar alto com muita intensidade e condicionar o jogo alemão a muitos chutões.

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O segundo tempo manteve essas bases, com a França pressionando forte, buscando roubar a bola em campo ofensivo e ser muito vertical em direção ao gol. Já a Alemanha pouco conseguiu produzir em termos ofensivos e acabou realizando uma partida muito abaixo do esperado.

O gol do título da França chegou aos 28 minutos da segunda etapa. Em cobrança de escanteio vinda do lado esquerdo, a zagueira Lakrar subiu mais alto que as rivais e colocou a bola no fundo da rede.

Bases táticas que foram chave em todo o torneio:

Equipes que buscavam pressionar alto, com muita agressividade e intensidade, nos primeiros 15 minutos de cada etapa.

Transições ofensivas muito bem trabalhadas, com as equipes buscando um jogo muito vertical, com a bola parando pouco no meio-campo.

Centroavantes de força física e explosão sendo destaque, com seus desmarques de ruptura.

Apenas Holanda e Espanha buscando uma construção ofensiva mais pautada pela posse de bola, circulação ofensiva e um jogo apoiado.

Equipe do Torneio:

Goleira:

Cata Coll – Espanha (Barcelona)

Coll é uma goleira de bom posicionamento e com reflexos apurados, além disso demonstrou uma qualidade acima da média com os pés.

Lateral Direita:

Laura Donhauser – Alemanha (Bayern)

Donhauser foi fundamental para a campanha realizada pela Alemanha. Lateral forte fisicamente, com uma consciência defensiva muito elevada e que além disso conseguiu somar muito em suas subidas ao ataque.

Zagueiras:

Laia Aleixandri – Espanha (Atlético de Madrid)

Aleixandri tem pontos do seu jogo que precisam ser trabalhados em termos de defender sua área. Tem problemas para manter a concentração, falta aprimorar o tempo de bola, mas entra no XI ideal por sua capacidade com a bola nos pés. O que criou de vantagens ofensivas para a Espanha, ativando as meio-campistas na entre linha foi uma enormidade.

Maëlle Lakrar – França (Montpellier)

Lakrar é não só a melhor zagueira da competição, como a melhor jogadora da competição. Apesar de ter apenas 1.71m de altura, possui um tempo de bola de outro mundo, sabe antecipar como poucas defensoras na sua idade no mundo e demonstra ainda muita capacidade com a bola nos pés.

Lateral Esquerda:

Janou Levels – Holanda (PSV)

Levels acabou cometendo o pênalti que tirou a Holanda da Final, mas fez uma competição de muito destaque. Principal construtora ofensiva da equipe, mesmo jogando na lateral. Qualidade no passe longo, visão de jogo, poder de criação conduzindo a bola.

Meio-Campistas:

Rosa Márquez – Espanha (Bétis)

Márquez é daquele tipo de meio-campista que você se apaixona com poucos minutos assistindo jogar. Baixinha, muito habilidosa, muito técnica, sai da pressão rival com muita tranquilidade, tem uma visão de jogo acima da média.

Marie Müller – Alemanha (Freiburg)

Müller foi a principal organizadora ofensiva da Alemanha em todo o torneio. A camisa 10 do Freiburg tem alguns problemas defensivos para corrigir em seu jogo, mas ofensivamente é excelente. Trabalha muito bem fugindo da pressão rival e sabe ativar as companheiras na entre linha.

Pontas:

Sandy Baltimore – França (PSG)

Baltimore fez gol na final e na semifinal e terminou sendo um dos maiores destaques do torneio. Ponta de muita velocidade, boa capacidade no 1×1 e que está evoluindo muito bem na finalização.

Melissa Kössler – Alemanha (Turbine Potsdam)

Kössler é mais segundo atacante do que ponta, mas vou fazer essa adaptação e encaixa-la na ponta do meu 4-4-2. Jogadora alta, de imposição física, mas acima de tudo dotada de uma inteligênNicole Anyomi  cia para jogar incrível. Fez estragos atuando na entre linha das equipes rivais da Alemanha.

Atacantes:

Nicole Anyomi – Alemanha (Essen)

Anyomi é uma centroavante que se destaca por sua capacidade de movimentação e por sua explosão física. Seus desmarques de ruptura foram ouro para a Alemanha em todo o torneio.

MelvineMalard – França (Lyon)

Malard terminou sendo a artilheira da competição e assim como Anyomi demonstrou muita capacidade com os desmarques e uma excelência incrível nas finalizações.

@riquemathias

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