River Plate versão 2019 – FRIO E CALCULISTA

Por: Davi Magalhães e Lucho Silveira

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Após dobrar o número de títulos internacionais do River Plate, Marcelo Gallardo entrou para a história do clube como o treinador mais vitorioso da história do clube. Ele conquistou nada menos que dez títulos á frente do time argentino. Um time forjado nas vitórias e com gelo correndo nas veias, esse é o River de Marcelo Gallardo!

Desde que assumiu o clube do seu coração há mais de meia década, Gallardo montou um modelo e segue essa ideia nesse período todo. Variações aconteceram? Sim, claro! Mas a ideia central se mantém desde o título da Copa Sul Americana de 2014. Um goleiro de seleção como já foi Barovero e hoje é Armani, uma defesa com dois centrais de hierarquia, um “5 de marca”, mais dois volantes construtores, um enganche e dois atacantes moveis.Esse 1-4-3-1-2, esquema que permite que a equipe ocupe melhor os espaços verticalmente do campo.

WhatsApp Image 2019-07-29 at 23.01.08Provável River que deve entrar no Mineirão.

A ideia do seu treinador é roubar a bola o mais próximo do gol adversário. Por isso, quando a equipe não possui a bola, trata-se de pressionar o adversário e cortar suas opções de passe, com o intuito de recuperar a posse. Adiantando a marcação desde a saída de bola adversária. Essa ideia mudou pouco como na própria final de 2014, quando Muñeco utilizou 3 zagueiros, por exemplo, ou então quando optou por jogar sem enganche no momento da saída de Pisculichi e enquanto Pity Martínez ainda buscava afirmação. Vale lembrar também as oportunidades que o River atuou com apenas 1 homem na frente, coisa rara, mas já aconteceu.

Tendo ideias, conceitos e estratégias claras desde sempre, cabe ao treinador arrumar as “variantes” para chegar ao sucesso e nisso Gallardo é mestre. No momento ofensivo, o time procura trabalhar bem a bola para desmontar o sistema defensivo adversário. Ideia que começa desde o seu campo de defesa. O time atual conta com a saída fortíssima pela esquerda com Pinola e Milton Casco, que se revezam para dar vazão à bola da defesa para o ataque. Vale lembrar que para o jogo da volta em Belo Horizonte, o experiente zagueiro não estará e Casco poderá voltar para amenizar os problemas do treinador pela canhota.

Ponzio é a referência e o capitão! O “5” é o único remanescente do início do trabalho e pela idade já não atua em todos os jogos. Para o duelo no Brasil ele deverá voltar e ajudar a tapar a frente da área. Ele realiza uma função fundamental na saída de bola, recuando para trabalhar com os zagueiros. Realizando assim uma saída de três, liberando os laterais para abrir o campo.

O River sempre contou nesse período com volantes construtores, mesmo que Ponzio tenha qualidade para marcar e jogar, Gallardo faz questão de ter seus “8 e meio”. De Ariel Rojas e Carlos Sanchez, até os dias atuais com Exequiel Palacios e Enzo Perez, além do ótimo Nacho Fernández que comanda o setor com sua intensa movimentação e passes rompedores de linha.

Observem que com a possível entrada de Leo Ponzio no time, Nico De La Cruz pode sair da formação inicial e assim o River jogaria sem outra das suas características marcantes, o enganche. Tática adotada em series mata-matas.

Se a opção for por 4 “volantes”, Nacho estará mais adiantado e será o encarregado de somar-se a Lucas Pratto e Borré, que retorna ao time. Portanto, os titulares do ataque voltariam para o jogo da volta, o que garante maior hierarquia no comando de ataque.

Pratto retornando ao meio campo para chegar de frente e não apenas ser o pivô. Pratto melhorou muito suas saídas para os lados, abrindo espaço para a chega dos homens de meio, e Borré na referência, mas com bola para jogar com os demais.O River é um time que gosta de ter volume de jogo, criando muitas oportunidades nas partidas. Assim foi diante do Athletico, no segundo jogo da Recopa Sul-Americana, quando os Millionarios finalizaram 22 vezes na partida.

Com tantos jogadores próximos pelo meio, o River atrai o adversário para a zona central do campo, abrindo espaço pelos lados. Justamente onde o time finaliza mais suas jogadas, a ideia é criar superioridade numérica pelo meio para atacar por fora. Os corredores laterais são muito bem ocupados pelos laterais. Quando a bola está no último terço do campo, os laterais viram verdadeiros pontas, a fim de cruzar a bola para a área, que sempre conta com pelo menos três jogadores para finalizar.

Extremamente ofensivo, o River Plate encurrala os adversários em seu próprio campo de defesa, como foi no jogo de ida das oitavas de final da Libertadores contra o Cruzeiro. Isso acontece pela ótima pressão pós-perda que a equipe faz. Ao perder a bola, os jogadores próximos á bola rapidamente pressionam o portador para recuperar a pelota o mais rápido possível.

Não tem mistério, tem trabalho e convicção. Temos aí um time cascudo, frio e que sabe jogar fora de casa! O River não se assusta, não acelera, não desperdiça nada.Sem dúvida, o jogo de volta entre River Plate e Cruzeiro nas oitavas de final da Libertadores reserva grandes emoções e a expectativa é de uma partida em alto nível técnico e tático.

@magalhaesDavi_ e @LuchoSilveira78

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