Emoção até o apito final – ANÁLISE TÁTICA ATLÉTICO-MG 2 x 0 CRUZEIRO

Por Davi Magalhães

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O confronto entre Atlético e Cruzeiro na Copa do Brasil reservou fortes emoções com duas partidas completamente diferentes.

O futebol ensinou-nos a nunca crer que um jogo ou confronto está decidido. Após as recentes “remontadas” na Champions League isso fica mais concreto. Por isso, mesmo com o 3 a 0 conquistado pelo Cruzeiro no jogo de ida das quartas de final da Copa do Brasil, o confronto não poderia ser dado por definido. A postura do Atlético logo no inicio do jogo indicou que, por mais difícil que a missão do time fosse, ainda restaria 90 minutos para conhecermos o semifinalista que sairia do Independência.

Se a primeira partida foi marcada pela superioridade do Cruzeiro, o segundo jogo foi do Atlético. A postura da equipe foi completamente diferente. Via-se em campo uma equipe intensa, mostrando vontade de vencer e reverter o placar. Os números mostram isso: o Atlético teve o dobro de finalizações do jogo de ida. Dessa vez, conseguiu traduzir sua posse de bola em chance de gol. A circulação de bola era feita de maneira rápida. Sem dúvida, a escalação de Jair como primeiro volante contribuiu muito para isso.O jogador ganhou 11 de 14 duelos individuais, além de ser primordial na saída de bola distribuindo bem o jogo, foram 21 passes para os laterais. O intuito era abrir a ótima defesa cruzeirense.

Como o esperado, o Cruzeiro adotou uma postura reativa. Entregando a bola ao adversário e procurando sair em velocidade após a retomada de bola. O problema foi a falta de efetividade nessa proposta. Desde o início da partida, o Cruzeiro atuou muito próximo do seu gol. Diferente da partida no Mineirão, quando a equipe começava a marcar no meio-campo e não dava espaço para o Atlético progredir. Por influência do bom desempenho do adversário?Com certeza. Há um adversário jogando do outro lado, que contribuiu para o Cruzeiro jogar encurralado no seu próprio campo desde o início.

A porcentagem da posse de bola das equipes mostra como o Atlético jogou no campo do Cruzeiro. (Via: FootStats)

Por mais que o Cruzeiro atuasse com suas linhas de marcação próximas e uma dupla de volantes (Romero e Henrique), que protegera muito bem a entrada da área, o Atlético teve muito volume de jogo no primeiro tempo, 66% de posse de bola e 9 finalizações no gol. E conseguiu abrir a defesa adversária. A mobilidade ofensiva que faltou no primeiro jogo, sobrou no segundo. Cazares e Elias se movimentavam para dar opção de passe, fazendo com que o time progredisse com a bola.

Com isso, a equipe chegava muito bem pelos lados do campo. Realizando muito bem a interação entre lateral e ponta. Pelo lado direito, o extremo Otero e o lateral Patric trocaram 17 passes, enquanto na esquerda, o lateral Fábio Santos e o extremo Chará trocaram 18 passes. O ponta deslocava-se para liberar o corredor para o lateral, criando uma linha de passe. Movimento que dava ao time superioridade numérica pelos lados e contribuía para o avanço dos laterais à linha de fundo em boas condições. O lado direito foi o mais forte. Por ali, inclusive, saiu o primeiro gol.

Aos 12 minutos da etapa complementar, Rodrigo Santana colocou Luan no lugar de Elias. Mano respondeu com a entrada de David no lugar de Fred, que saiu de campo apagado. No contexto da partida, o camisa 9 era pouco útil. Afinal, ele não voltava para marcar atrás da linha da bola. Papel necessário diante de um Atlético com volume de jogo. David também tentaria dar velocidade ao time, que não conseguia encaixar contragolpes. Ao recuperar a bola, o time buscava esticar a bola para Fred. Porém, o centroavante não conseguia prender a bola na frente. Revér ganhou 7 de 11 duelos individuais, permitindo ao Atlético retomar a posse de bola após perdê-la.

fred x reverrever vs fred

A segunda alteração feita pelo Mano foi a entrada de Jadson. A entrada foi para reforçar a recomposição defensiva, uma vez que Jadson realiza melhor que Robinho. Além de ser uma tentativa de melhorar a transição ofensiva, que como foi dito, não funcionou. A equipe celeste não conseguia usufruir da velocidade de Marquinhos Gabriel e Pedro Rocha, que ao todo deram 22 passes e não finalizaram no gol. Em toda o segundo tempo, o Cruzeiro não finalizou uma vez no gol. Exceto no contragolpe que acabou no gol anulado, a criação ofensiva da equipe em toda a partida foi nula.

Na equipe mandante, Geuvânio entrou muito bem pelo lado direito. Realizando muito bem a dobradinha com Patric e dando mais poder de finalização ao time, acertando o travessão. Com vontade de reverter o confronto, Rodrigo Santana foi muito ousado ao colocar Ricardo Oliveira no lugar de Jair para traduzir o volume de jogo atleticano. Luan e Cazares passariam a exercer o papel de buscar a bola dos zagueiros e armar o jogo.

Com uma expulsão para cada lado, o Atlético foi para o tudo ou nada com o zagueiro Igor Rabello indo para a área. Nesse momento, já não havia mais tática. Já o time de Mano Menezes se defenderia com todos atrás da linha da bola. A partida reservou doses de emoção até o final, quando Patric marcou o segundo gol alvinegro. Aliás, a partida do lateral merece destaque. Não só pelo gol, mas pelas boas subidas ao ataque, que proporcionou chances de gol ao Atlético.

Após um jogo emocionante até o último minuto, o Cruzeiro se classificou para a semifinal da Copa do Brasil pela 4° vez seguida, e mais uma vez, chega muito forte para a conquista de mias um título da competição. A classificação veio foi conquistada no primeiro jogo da eliminatória. No segundo, a equipe precisou contar com seu excelente zagueiro Dedé para proteger bem a área e não permitir que todo o esforço do jogo de ida fosse em vão.

No lado alvinegro, os aplausos da torcida no final do jogo falam por si só. Quem esteve presente no estádio, reconheceu o esforço da equipe e a melhora demonstrada no jogo de volta. Claro que os erros e a fraca atuação no jogo de ida foram determinantes para o resultado final do confronto entre os dois maiores times de Minas Gerais.

Estatísticas: FootStats.

@magalhaesDavi_

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