O velho empate com os velhos dilemas – ANÁLISE TÁTICA FLUMINENSE 1 x 1 CEARÁ

Por MW FUTEBOL

No “duelo dos desesperados”, Fluminense e Ceará entraram em campo nesta segunda-feira (15) no Maracanã. A partida terminou com o empate simples, um gol para cada lado, e ficou marcado pela polêmica da arbitragem. Dentro de campo, destaque para o domínio da posse de bola por parte da equipe tricolor contra o estilo reativo do Ceará.

O primeiro tempo da partida começou como já é de praxe em jogos do Fluminense. Com o domínio, o tricolor trocou passes na defesa e aguarda o avanço da equipe adversária, criando espaço para a descida em velocidade dos atacantes. Yuri, substituto de Allan no Flu, fazia a saída lavolpiana com Digão e Nino.

O Ceará tentou, dentro da sua limitação, não cair na tentação de pressionar a saída do Fluminense – o que tem se mostrado um erro aos times que tentam já que os defensores raramente cometem erros cruciais – e posicionou seus atacantes de modo a aproveitar os contra-ataques, até mesmo com ligação direta, contra um sistema defensivo lento do time da casa.

Ainda na primeira etapa, Paulo Henrique Ganso foi o grande destaque da partida. Dono de poderosos passes quebradores de linha, o camisa 10 do Fluminense achou seus atacantes e permitiu a criação de diversas oportunidades. Em contrapartida, João Lucas – lateral-esquerdo do Ceará – sofreu com a pressão de Yony González e não fez um bom primeiro tempo.

WhatsApp Image 2019-07-16 at 16.34.23Foto: Lucas Merçon/Fluminense.

A segunda etapa trouxe uma evolução do Ceará nos primeiros minutos, com mais posse de bola e tentativa de fazer frente ao Flu. Aos poucos, os donos da casa recuperaram a superioridade e seguiram na tentativa de balançar as redes e voltar a comandar o placar.

Com muitos erros de finalização, o Fluminense chegou a ter quatro atacantes (em diferentes posicionamentos), o que forçou o Ceará a se recuar cada vez mais. No entanto, as alterações de Fernando Diniz, tirando Yuri – por exemplo – para a entrada de Marcos Paulo, deixou espaços que foram aproveitados.

O gol, anulado pelo VAR em lance polêmico, foi só uma das descidas em velocidade pensadas por Enderson Moreira com suas substituições. Diogo Silva, goleiro do Ceará, “garantiu o bicho” com defesas no final do jogo e arrancou o ponto importante para a equipe visitante.

Dilemas

WhatsApp Image 2019-07-16 at 16.34.36Foto: Lucas Merçon/Fluminense.

O apito final rendeu, ao menos do lado tricolor, alguns questionamentos. Mesmo após a parada para a Copa América, Fernando Diniz tem antigos dilemas para resolver.

Na lateral-direita, Gilberto fez mais um jogo muito abaixo do rendimento esperado. Quando acionado, errou tudo que tentou e depois, isolado, passou a abrir mão do seu posicionamento e ocupou a zona central do campo, atrapalhando a movimentação ofensiva dos atacantes. Na defesa, sofreu e cometeu faltas bobas.

Já no final, foi substituído por Igor Julião, que deu ao Flu mais solidez defensiva, mas não teve muito tempo para mudar o jogo.

No gol, Agenor mais uma vez testou o coração da torcida do Fluminense, mas não teve influência direta no resultado final. O goleiro do Flu parece ter seus dias contados com a chegada de Muriel Becker para a meta tricolor.

No ataque, aí sim, a principal problemática. Pedro e João Pedro, podem jogar juntos?

A resposta, tendo em vista a partida de ontem, é: não.

WhatsApp Image 2019-07-16 at 16.34.43Foto: Lucas Merçon/Fluminense.

Acostumados a ocupar a mesma faixa de campo, apesar das características diferentes, os jogadores perdem no rendimento quando deslocados para outros setores. João Pedro, forçado a cair para o lado esquerdo, não rendeu e se viu preso a auxiliar no setor defensivo contra um forte Samuel Xavier.

WhatsApp Image 2019-07-16 at 16.34.50Destaque para o posicionamento de João Pedro, o camisa 23 (Imagem: SofaScore)

Pedro, centralizado, funcionou e conseguiu manter sua característica de pivô muito presente. Ao jogador, resta apenas adquirir novamente o ritmo de jogo e a confiança necessária para retomar os bons momentos.

Na torcida

Dentro da arquibancada, o sentimento é de que o Fluminense caminha para colher bons frutos no futuro e de que ainda há paciência com o esquema de Fernando Diniz. Os traumas deixados por Abel Braga e Marcelo Oliveira, nesse momento, são mais fortes do que o medo do rebaixamento.

@MWfutebol

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s