Manhã com Jesus – ANÁLISE TÁTICA FLAMENGO 6 x 1 GOIÁS

Por Felipe Henriques

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Logo no primeiro minuto do jogo quando Everton Ribeiro fez um lançamento rasteiro acionando Gabigol na área após Léo Duarte fazer uma boa saída de bola pela direita, ficou claro que o Flamengo não proporcionaria uma manhã dominical sonolenta aos seus torcedores que compareceram em ótimo número ao Maracanã.

Na primeira vez de Jorge Jesus como técnico rubro-negro no Maior do Mundo, a sensação é de que a goleada sobre o Goiás serviu para lavar a alma do torcedor principalmente após um primeiro semestre limitado ao pragmatismo de idéias de Abel Braga. Como bem sabemos, o desempenho decepcionante tanto coletivo quanto individual simplesmente sobrepujava qualquer resultado positivo.

Um bom exemplo foi o primeiro 6×1 da temporada, no jogo da Conmebol Libertadores contra o San Jose no próprio Maracanã. Uma goleada que demonstrava claramente a superioridade técnica do Flamengo, porém que expôs problemas mesmo contra uma equipe tecnicamente frágil. Ontem, a Manhã com Jesus que mais de sessenta mil pessoas freqüentaram no Templo Sagrado do Maracanã deixou a todos com o semblante de quem sonha.

Alguns pontos positivos merecem destaque: Primeiro, a forma como a equipe quis, acima de tudo, jogar futebol e correr atrás do principal objetivo do jogo: O GOL! Tão menosprezado por alguns treinadores que insistem em suas idéias arcaicas e demonstram total preguiça para buscar algo maior, já que segurar o “um a zero” é muito mais valioso do que buscar o segundo gol e atacar parece uma falta de respeito ao adversário e aos seus próprios princípios.

Terminar o primeiro tempo vencendo por 4 x 1 mesmo com problemas apresentados e terminar a partida goleando por 6 x 1 e com a sensação de que a vantagem no placar poderia ser ainda maior, mostra como o time quis arriscar e aproveitar o cenário da partida para seguir atacando até o final. Muito além de proporcionar um espetáculo, é preciso vencer com autoridade com um desempenho que seja satisfatório e convincente.

Então vamos à análise gol a gol da movimentação do faminto ataque rubro-negro na goleada da manhã dominical:

Flamengo 1-0 Goiás: Tiro de meta cobrado por Tadeu através de um passe para o zagueiro esmeraldino Rafael Vaz. Bruno Henrique pressiona o defensor adversário que força o passe para a frente. Willian Arão recupera a posse para o Flamengo na altura do meio-campo e aciona Everton Ribeiro que faz a diagonal da direita para o meio e faz o passe para Gabigol que, de primeira, ajeita na medida para o remate de primeira de Arrascaeta.

Seis toques na bola até o gol, mostrando que acelerar o jogo baseia-se em acelerar a velocidade da bola, não necessariamente a velocidade dos jogadores na jogada em questão.

Outro detalhe do primeiro gol: As linhas altas serviram para ocupar o campo ofensivo, então os três meias do esquema 4-1-3-2 de JJ estavam mais próximos a área. Além de Arrascaeta, Diego estava vindo de trás também pronto para finalizar a gol e Everton Ribeiro fez a ligação meio-ataque após receber de Arão.

Flamengo 2-1 Goiás: Após Arão ter efetuado o desarme e Léo Duarte ter retomado a posse ainda na defesa, Diego avança pelo meio e aciona Miguel Trauco pela canhota; Destaque para a movimentação do peruano e de Arrascaeta pelo flanco esquerdo e de Gabigol pela região central, se apresentando para o jogo na intermediária.

Após o cruzamento de Trauco ser bloqueado pela marcação, o próprio Trauco recomeça a jogada fazendo o passe para Arrascaeta que se desloca para o lado esquerdo da área, segura a bola e atrai a atenção da defesa goiana que não acompanha o deslocamento de Trauco para a área e um simples passe curto do uruguaio faz com que a jogada flua e resulte no cruzamento rasteiro para a finalização de Bruno Henrique e conseqüente falha de Tadeu.

A dupla Trauco/Arrascaeta que tem um bom potencial ofensivo só havia iniciado como titular no empate em 1×1 contra o Resende, pela segunda rodada do Campeonato Carioca. Os dois mostraram entrosamento para criar boas jogadas e aproveitar os espaços na defesa do Goiás.

 

Flamengo 3-1 Goiás: O terceiro gol rubro-negro mostrou como foi bom o desempenho de Gabriel Barbosa quando esteve aberto pela direita, vencendo duelos e aproveitando para triangular com Rafinha e Everton Ribeiro no último terço. Com o camisa 9 avançando até a linha de fundo e a zaga do Goiás não afastando a bola de sua área, Arrascaeta finaliza com tranqüilidade.

Novamente: O time retoma a posse e acelera. Léo Duarte corta o lançamento do adversário e Everton Ribeiro afasta; Gabigol puxa o contra-ataque e deixa Rafael Vaz para trás com extrema facilidade. Bruno Henrique e Diego também estavam na área para finalizar.

Intensidade e objetividade ofensiva para avançar e buscar sempre o gol.

Flamengo 4-1 Goiás: Diego e Gabigol pressionam o adversário e conseguem realizar o desarme, com o camisa 9 avançando e realizando o passe para a finalização de Arrascaeta.

Flamengo 5-1 Goiás: Algo que eu destaco nesse quinto gol rubro-negro é a forma como o time optou por não cruzar para a área de qualquer maneira durante a partida, já que os cruzamentos precipitados faziam parte do “repertório ofensivo” da equipe treinada por Abel Braga. Nesse lance, Bruno Henrique teve a chance de fazer o cruzamento, mas opta por recuar. Na sequência da jogada, Trauco aciona Arrascaeta que faz um belo lançamento visando Gabriel na segunda trave.

O cruzamento é um recurso importante em uma partida de futebol e se for bem utilizado, costuma ser perigoso para os adversários. Porém, quando usado de forma errada acaba sendo banalizado e facilmente anulado.

Flamengo 6-1 Goiás. O último gol do jogo deixa claro como o Goiás teve uma postura totalmente errada na segunda etapa, como bem destacado pelo comentarista Daniel Klabunde na transmissão da Rádio MW. Inoperante ofensivamente e espaçado defensivamente, coube ao Flamengo aproveitar também as falhas de concentração e de posicionamento para construir sua goleada.

No derradeiro tento no Maraca, Arrascaeta avançou às costas da defesa para receber o passe de Everton Ribeiro e fazer a assistência para o doblete de Gabigol.

Agora, é claro que não esqueci do gol do Goiás, muito embora a falha seja mais individual do que coletiva, ele também mostra como equipes mais eficientes defensivamente e que tenham um contra-ataque mais letal podem causar problemas a um time que opta por construir no campo do adversário e atuar com linhas altas.

Além do lance do gol, o Goiás também criou boas chances na primeira etapa para conseguir a virada, com destaque para a bola na trave do bom Michael. Isso resultou em uma baixa da linha defensiva que também não durou muito tempo. Entretanto, quando a equipe goiana buscou avançar disposta a buscar o segundo gol, deixou espaços para o Flamengo construir sua larga vitória.

E que fique claro: Não foi a melhor atuação no futebol brasileiro em 2019, mas foi a atuação que o torcedor rubro-negro tanto queria ver de sua equipe até aqui: Ofensiva, convincente, corajosa e que buscasse o gol até o final.

É claro que haverá oscilação na forma de jogar e mudanças que tornem a equipe mais equilibrada na defesa, mas a perspectiva de que pode haver evolução faz com que o trabalho de Jorge Jesus seja promissor.

Por agora, para o torcedor rubro-negro, a Manhã com Jesus foi uma benção. Amém!

@Lipe_Henry

 

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