Análise do Corinthians no primeiro semestre: Momento Defensivo

Por Jhonata Souza e Iúri Medeiros

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Após a saída de Carille em 2018 o Corinthians passou a sofrer muito na defesa. Com a volta do técnico existia uma grande expectativa que estes problemas fossem solucionados. Depois de seis meses podemos dizer que o sistema defensivo alvinegro teve uma perceptível melhora, mas ainda tem algumas falhas. Neste texto iremos destrinchar mais sobre o sistema defensivo Corinthiano nesses primeiros seis meses da segunda passagem de Fábio Carille no Timão.

Organização Tática

Durante boa parte desse primeiro semestre o Corinthians atuou no 4-1-4-1 no momento defensivo. Nesse esquema o primeiro volante (Ralf) e os pontas têm um papel importante. O volante é o responsável por cuidar dos espaços entre as linhas alvinegras e no momento onde o adversário ataca pelos lados ele entra na área como se fosse um zagueiro com o objetivo de auxiliar na bola aérea defensiva. Enquanto isso, os pontas são bastante exigidos na recomposição defensiva. São eles os responsáveis por marcar os jogadores do adversário que atuam mais abertos dando amplitude, tanto que em vários momentos eles recuam e se juntam a defesa formando uma linha de seis no momento defensivo.

WhatsApp Image 2019-07-13 at 11.53.35Corinthians organizado no 4-1-4-1 (Cima) e a linha de seis na defesa com Ralf recuando e o ponta do lado oposto fechando a linha.

Em vários momentos o Corinthians variou a sua organização para o 4-4-2. Essa formação foi utilizada quando Carille queria deixar a equipe mais ofensiva e escalava Jadson ou Vagner Love atuando ao lado de um centroavante e tendo menos obrigações defensivas. Nesse esquema os volantes passam a jogar mais presos no seu setor fazendo a cobertura e as vezes perseguindo os adversários, isso fez com que em alguns momentos se abrisse uma espaço no meio para o adversário finalizar.

WhatsApp Image 2019-07-13 at 11.53.43Dois jogos onde o Corinthians se organizou no 4-4-2 com Jadson e Love ao lado do centroavante.

Bloco baixo e Pressão

Na primeira passagem de Fábio Carille um dos pontos de maior destaque era como a sua equipe defendia o meio como poucas. Essa marca registrada permaneceu nesse primeiro semestre, principalmente quando jogou no 4-1-4-1. O Corinthians recua as suas linhas para perto da área e posta elas de forma bem compacta com o primeiro volante no meio dela. Isso impede o adversário de achar espaço para jogar por dentro da defesa alvinegra e faz com que ele busque os lados de campo onde o ponta ao lado do lateral estão preparados a fim de fazer um 2×1 no adversário que estiver com a bola com o intuito de roubar ela e sair no contra-ataque.

WhatsApp Image 2019-07-13 at 11.53.50Corinthians sempre com vários jogadores fechando o funil da defesa.

Uma das novidades de Carille nessa volta ao Corinthians e o uso da pressão da saída de bola do oponente. Essa pressão funciona via encaixes, onde cada jogador marca um adversário na saída de bola. Os jogos contra o Santos na Arena Corinthians são bons exemplos de sucesso desta opção. Depois de um tempo o Timão parou de ter tanto sucesso com esse tipo de marcação. Ter uma dupla de zaga lenta faz com que a linha de defesa não suba para pressionar, isso cria um espaço onde os adversários conseguem encontrar companheiros livres para receber os passes/lançamentos e se estabelecer no seu campo de ataque.

WhatsApp Image 2019-07-13 at 11.53.57Exemplos da marcação pressão feita pelo Corinthians na saída de bola.

Transição Defensiva

O Corinthians de Fábio Carille trabalha com o conceito de compensação no momento da transição defensiva. Nesse conceito se um jogador está fora da sua posição na hora que o time perde a bola cabe ao jogador mais próximo ocupar o setor do companheiro e evitar que o time deixe espaços para o adversário. O técnico sempre exige bastante dos seus jogadores nesta fase, principalmente dos pontas na recomposição. Um exemplo do problema que acontece quando o ponta não volta e o gol da Ferroviária no primeiro jogo das quartas de final do Campeonato Paulista, onde Clayson não fez a recomposição e deixou um espaço para o adversário finalizar de longe e marcar o gol.

WhatsApp Image 2019-07-13 at 11.54.04Jogador recebe no espaço deixado pelo ponta no momento da transição defensiva.

Bola Parada

A bola aérea defensiva foi o grande problema alvinegro no primeiro semestre. Desde o ano passado a equipe já sofria nessa jogada e isso não mudou em 2019. Nos escanteios o Corinthians normalmente faz o seguinte: Os jogadores mais altos ficam na pequena área sem marcar individualmente ninguém, enquanto os menores marcam os principais atletas do rival com o intuito de tentarem atrapalhar eles na hora de tentarem o cabeceio e com Fagner nas costas da defesa marcando por ali. Nas faltas a equipe de Carille sempre opta por fazer uma linha de impedimento, onde os mais altos ficam no meio e os menores marcam as pontas. O Corinthians demonstrou ter um sério problema na marcação dos cruzamentos que buscam as costas da defesa, pois, quase sempre o adversário encontra um ou dois companheiros livres por ali, o que mostra que a falta de atenção aliada uma organização ruim são os principais motivos da deficiência
do Timão nesse tipo de jogada.

WhatsApp Image 2019-07-13 at 11.54.11Corinthians fazendo a linha de impedimento e deixando adversários livres na costa da defesa.

Principais Problemas

Um dos principais problemas do Corinthians no momento defensivo é a liberdade dada ao adversário para finalizar ou cruzar. A equipe alvinegra não tem a característica de fazer uma grande pressão em quem está com a posse e se defender de maneira bem compacta com as suas linhas próximas a área faz o Corinthians permitir que o adversário trabalhe com tranquilidade a posse de bola até a intermediária. Até aí tudo bem, só que em vários casos o Timão deixou de pressionar o adversário quando ele estava perto de sua
área, o que gerou vários gols sofridos nesse primeiro semestre.

WhatsApp Image 2019-07-13 at 11.54.17Em destaque a liberdade dada pelo Corinthians ao adversário na hora de finalizar.

O outro grande problema é a fragilidade que o Corinthians tem em defender as costas da sua defesa, principalmente quando os cruzamentos vêm da esquerda para direita. Fagner é um jogador de baixa estatura e isto naturalmente lhe torna um ponto frágil nas bolas aéreas, o problema é quando essa fragilidade fica exposta por falta de cobertura em diversos momentos. O Corinthians tomou vários gols onde o adversário teve a liberdade de realizar o cruzamento e encontrar o seu companheiro livre nas costas de Fagner ou naquele espaço entre o lateral e zagueiro.

WhatsApp Image 2019-07-13 at 11.54.24Destaque para a liberdade na hora do cruzamento e o espaço livre na defesa alvinegra.

Na comparação com o segundo semestre de 2018, o Corinthians teve uma notável melhora no seu sistema defensivo, mas ele ainda tem vários pontos que precisam ser melhorados. Nessa pausa para a Copa América teve a chegada de Gil que com certeza vai acrescentar bastante a defesa alvinegra e com isso se cria a expectativa que este setor volte a ser aquela fortaleza difícil de ser invadida dos melhores momentos da primeira passagem de Fábio Carille pelo Corinthians.

@iurimedeiros13@jhonny14souza

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