Intensidade e verticalidade: ANÁLISE TÁTICA – PALMEIRAS 1 x 0 INTERNACIONAL

Por Luiz Martins e Breno Barbosa

 

No retorno aos gramados de suas respectivas equipes, Odair e Felipão adotaram praticamente uma estratégia espelhada. O Inter apostando em uma plataforma 4-1-4-1, na tentativa de aguardar o adversário partir com a bola e aproveitar contra-ataques, buscando algumas pressões na marcação, enquanto o Palmeiras utilizava da mesma estratégia já dissecada em nosso canal do Youtube (clique aqui), realizando pressão aos jogadores do Inter desde a saída.

O jogo se desenvolvia de uma forma lenta sendo todo comandado pelas figuras de Bruno Henrique e Felipe Melo, delimitando os espaços que o Inter poderia transitar buscando o ataque. O jogo defensivo do Palmeiras possui um perfeito encaixe de sua primeira linha de marcação, tendo Gustavo Gomez e Luan, como exímios defensores, que sofrem pouco até contra um centroavante do calibre de Paolo Guerrero. Desta forma, quando recuperavam a bola, os alviverdes, através de seus dois volantes acionavam Dudu, que flutuava bastante entre ponta direita e centro, se juntando a Lucas Lima para a construção de jogadas. Zé Rafael, outro destaque palmeirense,  que se posicionava no espaço entre Edenilson, Bruno e Moledo,  alternando seu posicionamento entre este espaço e a ponta, causando a Bruno, dificuldades em marcá-lo e ainda contava com as subidas de Diogo Barbosa, que vencia facilmente Nico Lopez, chegando bastante à frente para atacar, só que de forma mais próxima a Bruno Henrique, auxiliando no início das jogadas, configurando uma formação 4-3-2-1, o Alviverde foi intenso e muito vertical, explorando os espaços nas entrelinhas, nos lados do campo e corredor interno. O Palmeiras teve um domínio no núcleo do campo, no qual venceu os duelos individuais e teve Bruno Henrique como construtor das jogadas, o volante era responsável por ser a figura do terceiro homem, isso fazia sempre o Palmeiras ter superioridade na zona da bola.

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Ação muito utilizada pelo Palmeiras de Felipão, contra-ataque com verticalidade, aproveitando o adversário em recomposição. (Fonte: Instat/Edição: Juno Martins)

A marcação do Palmeiras foi intensa, compacta, com muito vigor físico e obediência tática, a ideia era sempre dobrar em cima do portador e anular os possíveis receptores, isso fazia o verdão recuperar rápido a posse. A dupla Gustavo Gómez e Luan anularam o centroavante Guerrero, isso fez com que o Internacional não conseguisse segurar a bola no campo ofensivo, ficando sufocado na defesa, consequentemente o Palmeiras subiu suas linhas e teve mais volume.

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Marcação com encaixes individuais, dificultando o ataque do Internacional (Fonte: Instat/Edição: Juno Martins)

O Inter se defendia como podia, tendo Dourado que cobrir grande faixa de campo, cedendo espaços para que Lucas Lima e Dudu trabalhassem a bola, em certas ocasiões. Outro ponto destacado fora a facilidade com que Deyverson vencia duelos contra Victor Cuesta. O camisa 9 palmeirense sentia-se confortável em enfrentamentos contra o zagueiro, conquistando bons domínios de bola de lançamentos que recebia, para fazer o time progredir. Quando caia no setor de Rodrigo Moledo, essa facilidade não era vista, tendo a imposição do zagueiro perante o jogador ao longo da partida. Moledo é o único destaque da equipe colorada, por ter conseguido defender sua área com ótima forma, dosando força física e técnica, lendo bem os espaços, enxergando bem o jogo e se posicionando para quebrar os ataques.

Já para atacar o Inter sentia muitas dificuldades como os homens de meio. Nonato que foi o escolhido como peça criativa, sucumbiu à forte marcação de Felipe Melo, tendo seu espaço delimitado. Edenilson teve seu jogo prejudicado tanto por Bruno Henrique, quanto pela pouca participação de Nico Lopez, que pouco transitava, não realizando seu costumeiro movimento de buscar o centro e se desvencilhar da marcação do lateral. Mesmo caso de Patrick, que teve a incumbência de brecar as subidas de marcos Rocha, mas pecou no momento de ter a bola, não conseguindo conduzir com facilidade até à área, mesmo que arrastando a marcação, algo que é característico do jogador.

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Mesmo com algumas dificuldades, Inter mantinha sua forte marcação ao setor da bola, em 4-1-4-1 (Fonte: Instat/Edição: Juno Martins)

Com estas dificuldades do adversário, dentro da sua estratégia, o Palmeiras marcou o único gol da partida, em falha de Cuesta, em cabeceio de Zé Rafael, deixando o jogo que já era morno ainda mais moroso.
O time alviverde retraiu suas linhas, atuando sempre em um raio de 30 metros, picotava o jogo com faltas e dificultava cada vez mais as trocas de passe do Inter, apostando no contra-ataque como principal arma ofensiva.

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Na segunda etapa, D´alessandro foi a campo e a circulação de bola sofreu uma pequena melhora, mas as dificuldades de transição e a falta de espaços continuaram. (Fonte: Instat/Edição: Juno Martins)

Mesmo que Odair tenha tentado corrigir sua estratégia inicial, colocando D’alessandro na partida, no lugar de Nonato ( jogo muito abaixo do que pode produzir), jogador de mais controle de bola, posicionado Nico na ponta esquerda, com Patrick por dentro e o time tenha melhorado sua circulação de bola, o Palmeiras continuou controlando o jogo através da marcação de espaços e assim, criando a falsa impressão, de que o Inter iniciava um domínio da partida, mesmo que os paulistas tenham cedido chances em alguns erros de marcação.

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Marcação colorada mais uma vez, muito bem aplicada, fechando o setor da bola. (Fonte: Instat/Edição: Juno Martins)

Desde o apito inicial Felipão e seus comandados possuíam apenas uma única opção, marcar um gol.

Quando o fizeram, ficaram confortáveis para assistir as trocas de passe do time gaúcho, que tentou de forma tímida empatar o jogo, conquistando três finalizações a gol, em um total de seis tentadas, mas apenas uma com maior perigo. Palmeiras conquistou as mesmas três a gol, em total de treze, mas foi eficiente e venceu o jogo pelo placar mínimo.

Agora o próximo confronto entre as equipes vem até o Beira-Rio, onde time e torcida colorada, terão que transformar o estádio em um verdadeiro inferno, pra buscar a classificação.

@brenobmarketing

@ojunomartins

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