Festa mexicana na mais americana das cidades – ANÁLISE TÁTICA MÉXICO 1 x 0 ESTADOS UNIDOS

Por Jhonata Souza

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Na noite do último domingo (07), as seleções de México e Estados Unidos se enfrentaram em Chicago pela final da Copa Ouro 2019. O México foi a campo escalado por Tata Martino no 4-1-4-1 da seguinte forma: Ochoa; Luís Rodriguez, Salcedo, Hector Moreno e Gallardo; Álvarez; Antuna (Alvarado), Jonathan Dos Santos, Guardado (Diego Reyes) e Pizarro (Carlos Rodriguez); Raul Jiménez. Enquanto o técnico Greg Berhalter escalou os Estados Unidos no 4-2-3-1 com os seguintes jogadores: ZackSteffen; Cannon, Long, Miazga e Tim Ream (Lovitz); Michael Bradley e McKennie; Morris (Roldán), Pulisić e Arriola; Altidore (Zardes).

Em geral o primeiro tempo teve poucas chances claras de gol, mas as poucas que tiveram foram em sua maioria do time americano. As duas seleções até conseguiam chegar perto da área adversária, só que pecaram bastante no último passe e na finalização das jogadas. Além disso, outro ponto em comum entre as duas equipes foi o fato de ambas subirem os seus jogadores para pressionar a saída de bola do oponente.

WhatsApp Image 2019-07-09 at 10.14.45Estados Unidos (Baixo) e México (Cima) pressionando a saída de bola do adversário.

A seleção mexicana continuou tendo mais posse que o adversário, porém a diferença foi que desta vez foi algo bem mais equilibrado. Os comandados de Tata Martino mantiveram o seu padrão, só que de uma maneira mais conservadora. A saída de bola que normalmente é feita com Álvarez recuando entre os zagueiros e Guardado a frente dos três foi menos utilizada nesse jogo. Isso influenciou no posicionamento dos laterais que continuaram bem abertos dando amplitude, só que desta vez estiveram mais preocupados com os possíveis contra ataques e também ficaram um pouco mais presos ajudando na construção das jogadas.

WhatsApp Image 2019-07-09 at 10.14.53Os laterais mexicanos sempre bem abertos em campo.

Primeiro Tempo

Os mexicanos em vários momentos tiveram dificuldades de superar a primeira linha de marcação americana. Pelos lados de campo foi onde o México conseguiu  por mais vezes chegar ao campo de ataque adversário. Mesmo com esses poréns, mantiveram o seu padrão de chegar com vários jogadores dentro da área rival.

WhatsApp Image 2019-07-09 at 10.14.59México chegando com 4 jogadores na área e ainda tendo Luís Rodriguez pronto para entrar na área caso necessário.

A equipe dos Estados Unidos mudou a sua estratégia para a final. Até pela superioridade do adversário, eles adotaram uma estratégia mais reativa e isso deu certo principalmente no começo da partida com Pulisic e Altidore saindo cara a cara com Ochoa. Com a bola nos pés algo que ficou bem claro no jogo americano foi a importância de Michael Bradley. Enquanto McKennie tinha liberdade para se movimentar era o experiente meia que ficava a frente da zaga com o intuito de iniciar as jogadas do time estadunidense.

WhatsApp Image 2019-07-09 at 10.15.06Bradley sempre a frente da defesa na construção das jogadas.

Na defesa os americanos se postaram muito bem no primeiro tempo, tanto que conseguiram limitar o poderio ofensivo mexicano. Num 4-4-2 no momento defensivo o principal destaque ficou para o posicionamento de Paul Arriola na marcação. O meia atuou mais aberto marcando quase que individualmente o lateral Luís Rodriguez, isso fez com que em alguns momentos Arriola se soltasse da linha de quatro do meio para praticamente se alinhar aos defensores do seu time.

WhatsApp Image 2019-07-09 at 10.15.12Arriola marcando Luís Rodriguez.

Segundo Tempo

O panorama da partida se manteve o mesmo nos primeiros 20 minutos da segunda etapa. O México tinha mais a posse, porém foi os Estados Unidos quem teve a grande chance no começo do segundo tempo. Só que após isso as coisas mudaram e o México passou a ter o controle do jogo.A equipe americana não conseguia puxar mais contra ataques e Pulisic passou a ter uma marcação bem mais firme do adversário. Isso restringiu os americanos a se ficar só se defendendo com as duas linhas de quatro bem postadas em campo.

WhatsApp Image 2019-07-09 at 10.15.19Estados Unidos organizado no 4-4-2.

Durante boa parte do jogo os mexicanos tiveram dificuldades em trabalhar a bola pelo meio por causa da marcação adversária. A solução encontrada pelo México foi usar de passes mais longos pelo alto buscando os homens de frente, o que fez com que eles chegassem perto da área estadunidense com mais espaços.E foi desse jeito que nasceu o gol de título. Raul Jiménez recebeu o lançamento e fez um pivô perfeito visando a chegada de Jonathan Dos Santos que se aproveitou do espaço nas costas dos meiasamericanos para chegar livre na área onde finalizou com perfeição e marcou um lindo gol que rendeu o título ao seu país.

WhatsApp Image 2019-07-09 at 10.15.25Espaço que Jonathan Dos Santos teve para finalizar e marcar o gol do título mexicano.

Após sofrer o gol a equipe dos Estados Unidos foi em busca empate, mas não obteve sucesso. Nem se quer conseguiram exercer uma pressão que criasse muitos lances perigosos ao gol de Ochoa. Como pode ser visto nas estatísticas do jogo, a vitória premiou a equipe que teve uma maior superioridade em campo e que soube aproveitar um pouco melhor as chances de gol criadas.

WhatsApp Image 2019-07-09 at 10.15.31Estatísticas da final via SofaScore.

A melhor seleção foi campeã. O México era o grande favorito ao título e comprovou o porquê disso, só que a campanha até mais uma conquista foi mais sofrido do que se imaginava. Esse sofrimento mostra que ainda se tem muito a melhorar, mas já é possível perceber algumas das principais ideias de Tata Martino e que essa seleção tem potencial para crescer bastante. Enquanto os Estados Unidos conquistam um importante resultado após o fracasso das últimas Eliminatórias. A final mostrou que estão num degrau abaixo do México, mas os americanos tem potencial de crescimento, principalmente com o processo de renovação que a seleção vem passando e a chegada jovens promissores. Ao todo foi uma Copa Ouro de várias histórias legais, de algumas zebras, e de jogos emocionantes. No fim das contas, quem fez a festa em Chicago, conhecida como “A mais americana das cidades”, foram os mexicanos que continuam soberanos no continente.

@jhonny14souza

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