Entrevista com Roger Machado

Por Breno Barbosa

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MW FUTEBOL: Meu nome é  Breno Barbosa, sou um dos analistas do MW Futebol e seguindo nossa série de entrevistas com profissionais do futebol, trago um técnico de imensa capacidade, conhecimento, ético, sensato, humilde e muito justo. Ele tem 44 anos, sendo 17 anos como atleta de alta performance e 25 anos dedicados ao futebol, pai da Gabriela e da Júlia, uma pessoa incrível e tenho certeza que irá transmitir um enorme conhecimento para nossos leitores.Seja bem-vindo, professor Roger Machado.

ROGER MACHADO: Tudo bem, Breno?! Um prazer falar com vocês e está colaborando de alguma forma com esse projeto bacana e acredito que precisamos discutir mais sobre tática no Brasil.

MW FUTEBOL: Você disse que não tinha intenção em ser técnico de futebol, a partir de qual momento tomou essa decisão? Seus princípios táticos são: compactação, amplitude, posse de bola e pressão, gostaria de saber no que se baseou para criar suas ideias de jogo?

ROGER MACHADO: Parei de jogar aos 34 anos, depois de acumular alguns problemas físicos e ter me dedicado 17 anos ao futebol profissional, acreditei que seria o suficiente. Inclusive, planejei o nascimento das minhas filhas para elas estarem entrando em idade escolar quando eu estivesse me aposentando, por não ter ideia de trabalhar no futebol novamente. Passado dois anos que me desliguei completamente do futebol, no qual me dediquei a outras atividades e fui curtir um pouco a família, mas foi quando eu já tinha iniciado a faculdade de educação física e passei a procurar literatura de futebol, foi quando percebi que nós no Brasil não escrevemos muito sobre tática no futebol, escrevemos sobre grandes estádios, atletas, conquistas, porém efetivamente sobre tática a gente não escreve. Comecei a garimpar na internet a literatura de vários países, tenho um acervo grande com literatura portuguesa, alemã, espanhola, inglesa, holandesa, de todas às partes do mundo que poderia comprar para enriquecer meu conhecimento tático sobre o jogo. Na metade da faculdade de educação física, depois de ter tido contato com a fisiologia, pedagogia, treinamento,voltei a sentir vontade de aplicar tudo aquilo que estava lendo, comprei muitos DVDs de treinamentos, fiz diversas pesquisas na internet, foi quando percebi que estava com vontade de colocar tudo isso na prática. Eu não fui aprender futebol na faculdade, tive somente duas grades sobre futebol, aprendi muito de fisiologia, treinamento, bioquímica, questões que me ajudam a colocar dentro do meu treinamento às questões físicas junto com a parte tática e técnica.Foi quando voltei como auxiliar permanente do Grêmio, estava fazendo também um curso de gestão, pois eu queria entender um pouco do meu universo, eles (Grêmio) me chamaram para conversar e me convidaram para trabalhar como gestor, porém avisei que preferia alguma coisa no campo e o Grêmio estava formando uma comissão técnica permanente, comuniquei que não iria parar minha faculdade de educação física e por isso não poderia viajar muito, a diretoria compreendeu e me passou a responsabilidade de treinar o time em Porto Alegre, quando o restante da comissão técnica estivesse viajando e nesse momento voltei a pegar gosto pelo futebol, após dois anos ausentes no esporte. Os meus princípios de jogo fui construindo pouco a pouco, quando fui ao Japão como atleta, encontrei uma forma de futebol diferente do jogado no Brasil, com relação a ordem nas questões de conter o oponente no campo, às ideias de encaixes ou marcação zonal. A partir desse momento e alinhado ao material que eu vinha lendo, comecei a construir em cima da minha vivência prática, passei nas mãos de 33 profissionais (técnicos) ao longo da minha carreira, aprendi com todos, uns extraí o que deveria fazer e outros compreendi o que não era para fazer, foi um baita aprendizado. Repito até hoje algumas coisas que achava certo e modifiquei outras situações. Para complementar, assisti muitos jogos, então esses princípios táticos foram por entender qual era a forma melhor de romper uma barreira de jogadores, fazer a manutenção da posse, atacar os espaços, pressionar logo após perder a bola e consequentemente impedir que seu adversário consiga-se organizar melhor e compactar o campo para jogar em espaço menor. Esses princípios estão sendo modificados até hoje, não é algo definitivo.

MW FUTEBOL: Um vez você disse “eu gosto de ter a posse, porque tenho medo de tomar o gol”, está tendo uma discussão sobre o jogo de posição e o ataque posicional, você acredita que existe diferença entre eles?

ROGER MACHADO: Costumo dividir entre jogo funcional e jogo posicional, acreditando que estão unidos dentro do mesmo jogo, em alguns momentos irei querer que meus jogadores realizem um jogo mais de função, exercendo mais uma função do que ocupar uma posição, em outras vezes, que eles façam um jogo mais posicional e muitas vezes esperem a bola chegar ao seu encontro, invés de irem ao encontro dela.Então precisa ter essa relação entre o jogo funcional e posicional, de acordo com o que necessito em determinada fase da partida. Assim como sobre a marcação encaixada e a zonal, é necessário ter a sensibilidade para utilizar esse mecanismo no momento correto. Não podemos limitar essas referências em uma só, igual a bola parada, não existe bola parada individual ou zonal, toda ela é mista, a diferença é a predominância que o técnico estabelece. Não consigo trabalhar com apenas um conceito, pois uma partida de futebol é extremamente dinâmica.

MW FUTEBOL: Outra frase sua impactante é “uma estrutura tática bem alimentada é para libertar o talento individual”. Em off, você me falou que sua formação foi jogando bola na rua, hoje existe uma discussão sobre os domínios dos espaços vs a individualidade. Como enxerga essas duas formas de jogo?

ROGER MACHADO: Antes os times não formavam os atletas, cheguei com 17 anos ao Grêmio, antes jogava basquete, vôlei, futebol, tudo isso na rua. Jogava com 5×5, 3×3, 3×2, em campo esburacado, então todas essas vivências antes de chegar ao clube, foi o que me transformou como jogador de futebol profissional. Mesmo na rua, quando temos cinco moleques e você precisa dividir, optando pelos dois melhores contra os três inferiores e tu joga um 3×2, ali tu tem a referência da marcação por zona, pois tem inferioridade numérica e precisará fechar os espaços. O jogo é formado por quatro elementos: a bola, o homem, o espaço e o tempo, no Brasil temos muito a referência do homem como principal princípio, foi isso que transformou o nosso jogador em virtuoso e habilidoso para passar com a bola pelo objeto (adversário), a partir do momento que na formação eu começo expor esse jogador ao princípio zonal, gradativamente retiro esse estímulo que vai torná-lo habilidoso lá na frente, então quando a gente opta por essa escolha na formação, tu acaba interrompendo um processo de formação ou atrapalhando ele em certos sentidos, pois como a gente não escreve sobre tática, todos os treinadores foram buscar literatura lá fora e predominantemente a referência do futebol na Europa é a zona. Nos últimos 25 anos, na formação tem acontecido bastante, essa é uma preocupação que tenho. Agora no profissional, quando a referência da zona é muito bem feita, você vai ter os encaixes dentro do seu setor, tirando o espaço desse jogador habilidoso, você está bloqueando, impedindo que ele consiga progredir com a bola e o melhor de tudo, ficando melhor organizado para o momento de atacar. Defender bem e organizado não é apenas para impedir os avanços do oponente, mas para ter boas condições de progredir no momento em que tiver com a posse, porque a zona em detrimento do homem, quando você acompanha os deslocamentos do adversário, muitas vezes está fora de posição quando recupera a bola e isso prejudica no processo ofensivo.

MW FUTEBOL: Você trabalha para quando os seus jogadores tenham a posse, saibam explorar os espaços para progredir com a bola, quando seu adversário fechar os espaços por dentro, você explora os lados, no momento que ele fechar os corredores, sua equipe usará o half-space (corredor interno), correto?

ROGER MACHADO: Correto, algum espaço seu adversário vai acabar te dando, pois é impossível marcar todo o campo. Muitos falam que os espaços no futebol diminuíram, porém eles continuam os mesmos, pois o campo continua com às mesmas dimensões, agora os espaços em torno da bola diminuíram, com a compactação dos times, muitas vezes os espaços estão nas costas da defesa ou no lado inverso da bola. No núcleo do jogo, que é um raio de quinze metros em torno da bola, ali sim os espaços eles encurtaram, porque a compactação faz tu constranger espacialmente o adversário e ele precisa ter mais agilidade e destreza para se livrar daquela marcação e por consequência tentar tirar a bola de uma zona “muito suja”, eu chamo essa zona em torno da bola de “muito suja”, então quando recupero a bola nessa zona, tenho que tirar ela dali, sendo em profundidade ou inversão de corredor para o outro lado. A compactação hoje no futebol ela permite que tu consiga, muitas vezes, marcar com mais eficiência, encurtar o campo e estar organizado principalmente no momento do processo ofensivo, isso eu cobro muito dos meus jogadores, não quero que eles se organizem na defesa somente pensando no processo defensivo, pois estar bem organizado defensivamente, é o primeiro passo para atacar com qualidade, se você se estruturar bem na fase defensiva, irá correr menos, agora se tu quiser ter a referência do homem como teu alvo, às chances de tu correr mais são muito maiores e é um desgaste desnecessário, principalmente os meus beiradas, não quero que ele esteja posicionado em referência ao homem, porque ele tem uma função no espaço e aquele espaço bem ocupado, caso recuperarmos a bola, ele terá uma condição melhor para atacar.

MW FUTEBOL: Qual a próxima tendência tática no futebol?

ROGER MACHADO: Acredito que sempre se discutiu tática, entretanto agora se discuti tática em referência a zona, antes era apenas em relação a marcação encaixada, então ficou concentrado em muitos duelos individuais. A estratégia, leitura e desdobramentos táticos eram de uma forma diferente, agora alguns treinadores passaram a montar suas equipes em referência zonal, ou mista com predominância em zona, consequentemente passou a se falar mais sobre estratégia, porque com essa relação do homem e seus duelos em cada posição, o jogo coletivo fica em um certo “segundo plano”. Antigamente quando nós jogávamos damas, éramos os melhores jogadores, só que o mundo percebeu que não dava para competir com a gente, então eles aprenderam a jogar xadrez, para sobrepor a nossa marcação e hoje estamos tentando jogar xadrez, desta forma faz com que a gente discuta outras estratégias táticas relacionadas ao jogo.

MW FUTEBOL: Uma das críticas da imprensa era sobre sua personalidade e forma de se comportar na beira do campo,  porém no Bahia você está demostrando mais veemência ao passar instruções e na gestão de atletas. Houve realmente uma mudança por parte sua ou são apenas algumas ocasiões por causa do contexto?

ROGER MACHADO: Em São Paulo, uma das críticas era sobre eu ser pouco vibrante a beira do campo, mas sempre fui assim, entendo que na área técnica preciso está lúcido e concentrado para extrair às melhores informações e transformá-las para devolver aos atletas. Acredito que estar emocionalmente envolvido com a partida não me ajuda em nada, entretanto perco constantemente minha voz nos treinamentos, porque sou muito ativo. Essa atribuição que foi dada a mim, foi uma grande injustiça, além do que existe um modelo de estereótipo de gestor que acreditam-se que tenha sucesso no futebol, cansei de ouvir que o treinador A grita mais alto e chuta a porta, enquanto o B não faz isso. Para mim, ter autoridade é diferente de ser autoritário, são coisas completamente diferentes e minha gestão tem muito do meu perfil. O futebol é um esporte muito conservador e tem dificuldades para mudanças, existe muitas formas de gestão.

MW FUTEBOL: Como é a relação com o departamento de análise de desempenho e com seus auxiliares?

ROGER MACHADO: Temos o departamento do Bahia, composto com quatro profissionais e trabalham divididos no acompanhamento de mercado, na captação de imagens e análises das nossas partidas. Os auxiliares são o Jussan Lara e o Roberto Ribas, que estão ligados diretamente a mim, a gente colhe esse material do adversário e junta com o nosso material de jogos que nós queremos analisar, eles produzem toda a análise e eu revejo para me certificar que de fato o que eles estão enxergando é o mesmo que às vezes estou procurando. Esse trabalho é realizado por todo o departamento, pois eu gosto muito desse feedback coletivo, porque às vezes estou equivocado em relação a uma estrutura tática ou uma movimentação tática e quando cada um vai me dando sua opinião, eu vou sendo alimentado e isso me ajuda a desenvolver meu raciocínio com mais facilidade. A gente organiza, seleciona, marca às imagens e posteriormente apresentamos aos atletas, sendo algumas vezes individualmente e na maioria das vezes de forma coletiva.

MW FUTEBOL: Você está sendo mais vertical no Bahia, se adaptando ao elenco e tendo bons números no último terço do campo (décimo sétimo com maior posse de bola, segundo com mais finalizações e primeiro com mais assistências para finalização no Campeonato Brasileiro). Como está sendo esse início de trajetória no time baiano?

ROGER MACHADO: Por mais que a gente deseje fazer as coisas da forma que idealizamos, eu não posso fazer com que minha vontade seja maior que a característica do material humano que tenho a minha disposição. Hoje tenho quatro ou cinco jogadores rápidos pelas beiradas, tenho volantes e médios que tem força para marcar e jogo ofensivo, eu precisava proteger mais meus zagueiros e evitar que eles ficassem expostos, com isso tenho laterais (Nino Paraíba e Moisés) que fazem muito bem o fechamento de linhas, são fortes e conseguem proteger os zagueiros, pois dificilmente são driblados. Esses números todos que tu falaste, a gente tem eles aqui e aonde foi que a gente teve a posse diminuída ou cortada?! A minha posse sempre girou próxima dos 60%, nós diminuímos essa posse no campo de defesa, atualmente temos em torno de 40% a 45% de posse, sendo que continuamos com o mesmo percentual no terço final, então não ficou prejudicado tu ter menos posse e isso significar que tu vai fazer um jogo somente reativo, pois as entradas e o percentual no terço final continuam altas e o que nos dar a certeza que o modelo está bem ajustado é o número de finalizações. Essa “perda de posse” aconteceu em uma região do campo no qual você manter a bola naquela zona iria apenas trazer o adversário para perto do seu gol e às vezes você não teria a mesma eficiência que desejaria do que tendo menos posse. Estamos muito felizes com o trabalho, felizes por ter enxergado isso e essa flexibilidade que preciso ter como profissional, pois não posse ter um único modelo, porque se não vou poder trabalhar somente em alguns contextos.

MW FUTEBOL: Seus últimos esquemas táticos eram o 4-2-3-1, agora no Bahia vem sendo o 4-3-3 com a bola e um 4-5-1 sem a posse, utilizando uma trinca no meio-campo. Você assistiu muitos jogos da Copa do Mundo 2018 e diversas seleções optaram por esse tripé no meio, existe influência da Copa do Mundo nesse novo esquema tático ou está ligado às características do seus jogadores? E, poderia dizer mais sobre a figura da mosca branca?

ROGER MACHADO: Um pouco de cada coisa, cada modelo te proporciona algo e cada um tem seu calcanhar de Aquiles, sua fragilidade. O 4-3-3, o 4-1-4-1, para mim são as mesmas coisas dependendo das características dos jogadores. Nesse mesmo período em 2018, fiz um amistoso no Panamá com o Palmeiras e usei uma formação no 4-3-3, naquele momento buscava uma alternativa para alterar o sistema caso fosse necessário e gostei da exibição. Não só pela Copa do Mundo, mas vendo o Liverpool do Klopp que atua no 4-3-3, com fechamentos de beirada invés de fechar o meio, tendo Salah e mané fechando o corredor lateral e dando o centro justamente para o tripé de meio pressione intensamente e isso me chamou a atenção, tanto que agora foram campeões da Champions League. Essa abordagem que os três volantes fazem, proporcionam uma segurança e permitem que tenha dois jogadores leves pelas beiradas, porque tu falastes sobre a questão da mosca branca, seis jogadores todo mundo tem o mais rápido possível atrás da linha da bola ao perder essa posse, agora o ideal é que tu tenha sete, pois tu consegue dar tempo para que os três jogadores que ficaram mais a frente voltem descansando, tu consegue induzir o adversário para um dos lados e realiza uma pressão usando a linha lateral, com seis tu não consegue, vai fazer apenas uma marcação mais reativa do que proativa. A questão do centroavante nesse modelo é muito importante, porque eu não tenho o meia que pressiona o mais rápido possível o volante, pois estou em forma de tripé e para que o volante centralizado não pegue essa bola numa zona no qual ele vai conseguir levantar a cabeça e enxergar minha zona defensiva, eu preciso um pouco do apoio do centroavante para pelo menos empurrar o oponente para dentro da minha linha, não quero que ele venha e marque o volante, mas sim que ele se afaste dos zagueiros, se aproxime das costas do volante e constrange ele de alguma forma que caso pegue a bola, esse adversário terá que andar para dentro dos meus três volantes e facilite o processo de abordagem deles. A Copa do Mundo me deu essa certeza sobre a eficiência desse modelo com o tripé de meio, como tudo é cítrico em algum momento isso já foi usado, o futebol já está inventado e esses modelos eles vão se alternando e alterando, indo e voltando, de acordo com uma seleção modelo, uma campeã do mundo, uma grande equipe que ganhe a Champions, com um grande time brasileiro que ganhe a Libertadores, vai gerando ciclos que são modelados por equipes vitoriosas.

MW FUTEBOL: Quem é o homem responsável por ser esse mosca branca no time do Bahia?

ROGER MACHADO: Nesse modelo com terceiro volante são os três da trinca, porque rapidamente quando eu perco a bola terei minha linha de quatro montada e vou ter os três que formam sete, consequentemente dando tempo para os jogadores mais leves voltarem descansando, porque eu tenho quatro ou cinco jogadores envolvidos na zona da bola, mais a amplitude pelo outro lado, então quando perco essa bola esses médios são os responsáveis para que juntos com os laterais e zagueiros sejam essa trinca defensiva. Quando tu joga no 4-4-2, no 4-2-3-1, caso esse jogador tenha vigor ele pode ser até mesmo um meia com rápida recomposição ou um dos extremos.

MW FUTEBOL: A categoria de base do time que você está deve atuar no mesmo modelo do time profissional?

ROGER MACHADO: o tempo não permite isso, infelizmente não ficamos muito tempo em um clube da forma que gostaríamos. Então não acho correto interferir no processo de formação do clube e na formação o atleta tem que ter vivência em vários modelos, não tem necessidades dele ser especializado no modelo que o departamento profissional está usando, até porque usei outros esquemas táticos no próprio Bahia, seria uma bagunça se isso fosse uma obrigatoriedade. Acredito que o atleta precisa ter a oportunidade de um completo desenvolvimento.

MW FUTEBOL: Após encerrar a carreira, seu primeiro curso foi na área de gestão esportiva e você defende mais oportunidades para ex-jogadores em cargos administrativos dentro dos clubes. Esse seria um desejo seu após encerrar sua carreira como técnico?

ROGER MACHADO: Não tenho. Na verdade quando fiz o curso de gestão foi para entender um pouco do contexto global e conseguir enxergar um pouco mais dessa estrutura que tinha sobre mim, pois quando tu está no campo não consegue prestar tanta atenção. Sempre pensei na faculdade de Educação Física com o desejo de entender os motivos de diversas coisas que presenciei em minha carreira, então tu começa a ver que muitas coisas forma boas, outras foram erradas, o meu objetivo era fazer diferente caso tivesse oportunidade. Tenho um planejamento inicial no qual tenho mais seis anos como treinador, quando estiver com 50 anos estarei completando 30 anos de futebol e não pretendo me estender muito como treinador de futebol, pois quero aproveitar minha vida com saúde.

MW FUTEBOL: Pegando um gancho, ainda não tínhamos visto uma declaração sua sobre encerrar a carreira em seis anos. Você pretende sair do país ou até mesmo chegar na seleção brasileira dentro desse período?

ROGER MACHADO: Todos os treinadores devem colocar como desejo máximo o objetivo de seleção brasileira, até para tu poder sonhar alto. Tem muitas coisas para acontecer nesses seis anos, é meu planejamento inicial. Tenho o desejo de trabalhar fora, mas hoje vivo minha vida dia-a-dia no Bahia, estou muito feliz aqui e quero ficar por bastante tempo. Já mencionei em outras ocasiões sobre esse meu planejamento aos 50 anos, mas te confesso que gostaria de ter um time de futebol, porém é caro, entretanto quem sabem daqui alguns anos eu vou para a China e consigo o dinheiro para montar meu projeto (risos). Gostaria de desenvolver minha metodologia baseada em tudo que penso, poder socialmente dever para a sociedade algo que o futebol me deu, podendo trabalhar com a formação do cidadão de uma forma completa para que os profissionais que possam surgir, eles tenham outros valores relacionados ao esporte no qual julgo que são importantes.

MW FUTEBOL: Percebemos seu desejo em continuar agregando valores a sociedade, você pensa em escrever algum livro? De qual forma pretende transmitir seus conhecimentos perante a sociedade?

Roger Machado: Estudar é um dos caminhos, depois que parar pretendo fazer um mestrado, se possível um doutorado em futebol e quero poder escrever, mas para isso é necessário tempo. Tive convites para escrever minhas metodologias em livro, porém sou um indivíduo que não consigo ter mais do que um foco, isso desvia e tira minha energia, então esse plano ficou para um segundo momento, quando realmente decidir me aposentar e voltar para a universidade, com o objetivo de continuar aprendendo para sempre.

MW FUTEBOL: Esse é o nosso lema, conseguirmos aprender ensinando, então APRENDEMOS JUNTOS. Chegando ao final da nossa entrevista, iremos fazer uma dinâmica, no qual realizo uma pergunta e você me responde com uma palavra.

MW FUTEBOL:  Qual foi o jogador mais tático que você trabalhou quando jogador?

ROGER MACHADO: Luís Carlos Goiano.

MW FUTEBOL: E o que você treinou?                                                                                    

Roger Machado: Giuliano.

MW FUTEBOL: Qual foi o técnico que te inspirou no início da carreira?

ROGER MACHADO: Sem dúvidas é o Tite.

MW FUTEBOL: Qual foi o melhor jogo taticamente que você comandou?

ROGER MACHADO: Foi uma vitória do Grêmio contra o Atlético Mg, um 2 X 0 no qual tem um gol que o time inicia com triangulações no campo defensivo até fazer o gol. Esse jogo traduz todo os comportamentos ofensivos e defensivos, pois roubamos a bola em compactação baixa, do nosso modelo. Executamos pressão na bola, triangulações, jogo apoiado, inversão de corredor, amplitude, ultrapassagem e finalização.

MW FUTEBOL: Uma palavra que defina sua passagem no futebol?

ROGER MACHADO: Teimoso (risos).

MW FUTEBOL: Sabemos do seu apreço pela leitura e do acervo de livros que tem em sua biblioteca, queremos te presentear com o livro Aprendemos Juntos, escrito por contribuidores do projeto MW Futebol. Gostaríamos de agradecer pela oportunidade, tenho certeza que foi um bate-papo riquíssimo em conteúdo, desejamos toda a sorte do mundo, continue fazendo um belíssimo trabalho, mantenha-se lutando pela nossa categoria e continue sendo um pessoa esplêndida no que faz, um profissional eficiente, competente, leal, talentosos e leal, muito obrigado por aceitar nosso convite e saiba que nossas portas estarão sempre abertas.

ROGER MACHADO: Muito obrigado pelas palavras e pelo livro, gosto de participar desses projetos e principalmente ajudar no que for necessário, sei que hoje vivo um momento como treinador de futebol que tem me dado muito orgulho, muita satisfação e é sempre bom a gente poder compartilhar informações assim.

LINK PARA ACOMPANHAR A ENTREVISTA.

@brenobmarketing

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