Enfrentaram o Cebola e choraram – ANÁLISE TÁTICA BRASIL 3 x 1 PERU

Por Ícaro Caldas Leite e Rafael Maciel

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O Brasil chegou à grande final como todos esperavam e cobravam. Depois de 6 anos, a seleção brasileira voltou a disputar uma final no Maracanã, a última vez tinha sido em 2013 pela final na Copa das Confederações onde bateu a Espanha de “Xaviniesta” por 3 a 0 em uma atuação de gala. 

Nos dois confrontos em que enfrentou o Brasil, o Peru sempre tentou marcar no campo da Seleção. Na esperança de anular a saída de bola brasileira, o adversário teve muita coragem, mesmo tendo uma qualidade técnica bastante inferior ao Brasil. 

O jogo começou com os visitantes apertando a saída de bola brasileira, colocando 6 jogadores no campo do Brasil com o objetivo de tentar fazer o adversário “sair no chutão” ou forçá-lo ao erro e já contra-atacar. 

Esse foi o Peru nos primeiros minutos do jogo: pressionava a saída, recuperava a bola e recomeçava o jogo. 

O Brasil com sua deficiência incorrigível desde a Copa da Rússia: demorar para entrar no jogo, viu o Peru chutar ao seu gol duas vezes em 5 minutos de jogo. 

No lado brasileiro era totalmente diferente, marcação média, só o Roberto ocupava o campo de ataque, o Brasil postado no 4-1-4-1 esperando o Peru. 

Sendo bem anulado pelo Peru e com dificuldades para sair jogando com os meio campistas, o jeito era jogar pelas laterais.

Antes de abrir o placar, o Brasil havia pressionado o Peru no campo dele, tentando roubar a bola perto do gol e já acelerar para o ataque, mas isso não aconteceu. 

Em um certo momento, os 4 jogadores do ataque brasileiro ficavam já posicionados no 1vs1 para atacar os peruanos. O objetivo era receber o passe entre as linhas e ir para o x1.

Screenshot (13)

Quando o Brasil abriu o placar, o Peru assistiu a seleção trocar passes, Daniel Alves lançou para Gabriel Jesus, ele driblou o Trauco e o lado direito peruano ficou livre para o Everton marcar o seu terceiro gol na competição. 

A partir do primeiro gol, a seleção despertou e começou a ir para cima. Marcando alto, criando mais chances de gol, envolvendo o Peru no seu jogo que deixa um espaço entre a linha de defesa e meio campo (descompactação). 

Screenshot (16)

O Peru tentava criar, mas o Brasil negava os espaços em todos os aspectos. Por fora e por dentro a marcação estava muito forte, na bola aérea vencia a primeira bola (a que vem do alto) e também ganhava a segunda bola (depois que ela cai e ninguém consegue vencê-la na primeira chance e vai haver outro combate). 

Uma das suas marcas durante a competição foi a defesa sólida, que foi vazada após um pênalti duvidoso marcado pelo árbitro chileno Roberto Tobar no qual Guerrero empatou a partida, dando assim alguma esperança ao Peru.

Se o Arthur não perde o tempo de 2 segundos em que deixou de acompanhar o Cueva, ele teria desarmado e não teria acontecido o pênalti. 

“Alegria de peruano dura pouco”. Três minutos depois de empatar, o Peru ficou atrás do placar novamente. A vontade brasileira nas disputas da bola era formidável, Firmino perde a bola, não faz a falta e desarma com uma extrema elegância:

Klopp sorri com o desarme do Firmino, Valverde dá uma gargalhada com o Arthur pisando na área e Guardiola fica maravilhado com Jesus sendo decisivo. 

Voltando do intervalo, logo nos primeiros minutos, Advíncula continuava abandonando sua posição e acompanhava o Everton, com isso deixava um buraco no lado direito sem cobertura dos companheiros. 

Entretanto, o Brasil conseguiu não deixar o Peru penetrar na sua área, continuou com mais posse, atacando mais, criando mais chances e se mostrando como Brasil e demonstrando como um time com qualidade técnica superior ao rival tem que se portar dentro de sua casa. 

Nos minutos finais, Tite colocou Richarlison no lugar do Firmino, ele ainda teve tempo de fazer o terceiro gol e colocar o Peru para longe do sonho. Uma tabela entre os meninos que já se conhecem do Grêmio e uma bela jogada individual do Cebola que fez com que os Peruanos chorassem. 

Enfim, depois de uma campanha consistente, organizada e eficieinte, a seleção volta a ser campeã da Copa América após 12 anos e continua cem por cento nas cinco vezes em que foi a anfitriã do torneio. Na última vez, em 89, foi com gol de Romário, 30 anos depois foi com show coletivo e das individualidades aparecendo ou melhor, o Brasil dos pontas.

Seleção Peruana

Enfrentando a seleção brasileira amplamente favorita em uma final, em uma Maracanã completamente lotado, os peruanos sabiam que não seria fácil. Mas também não foi tão fácil para o Brasil.

Repetindo a escalação vencedora diante do Chile na semifinal, Gareca montou sua equipe no 4-2-3-1, Cueva centralizado era o principal elo com Guerrero, enquanto os extremas (Flores e Carrillo) buscavam acelerar e encontrar espaços nas costas dos laterais brasileiros.

Nos 10 primeiros minutos de jogo, o Brasil tinha o domínio da posse, mas Gareca subiu as linhas de marcação da equipe para pressionar e fechar as linhas de passe do Brasil. Até sofrer o gol de Everton, o Peru já havia finalizado em 2 oportunidades (errado de fora da área).

WhatsApp Image 2019-07-08 at 13.32.33Pressão Chilena colocando 8 jogadores pressionando a saída do Brasil, forçando Marquinhos à rifar a bola, que Tapia dominou e finalizou para fora.

A marcação peruana estava bem encaixada, Dani Alves não conseguia conectar suas jogadas associadas pelo corredor interior-direito, Cebolinha até que conseguiu passar com facilidade por Advíncula, mas as jogadas não eram concluídas. Porém em uma desatenção da linha defesa, Everton apareceu livre para finalizar após boa jogada individual de Jesus na direita.

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Tapia (1º volante) ficou mais com as tarefas de proteger as linhas e tentar dificultar as construções brasileiras por dentro (com Arthur e Coutinho). Já Yotun (2º volante) fechava os espaços ao lado de Tapia, mas possuía maior liberdade para avançar e auxiliar Cueva e Guerrero no ataque.

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Os laterais peruanos costumam apoiar muito no ataque, porém diante do Brasil não conseguiram gerar o apoio necessário para abastecer o setor ofensivo. O Peru acabou distribuindo bem seus lados de ataque (DIR e ESQ com 39%), acabou tendo maior profundidade na direita, porém sua melhor finalização (com exceção no pênalti), foi em jogada na esquerda quando Trauco finalizou para defesa de Alisson.

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Após o gol marcado, o Brasil passou à administrar com maior tranquilidade a posse, dificultando o jogo peruano. Até que em boa jogada de triangulação pela direita, Cueva cruza rasteiro e a bola bate na mão de Thiago Silva, momentos antes do zagueiro se apoiar no chão…pênalti para Guerrero cobrar. Diante de Paolo, estava o goleiro que não havia sofrido gols na competição. José Paolo Guerrero com uma frieza invejável, deslocou um dos melhores goleiros do mundo e empatou a final.

Neste momento a seleção peruano precisava reter a posse e se defender da pressão nos minutos finais da primeira etapa, para chegar no segundo tempo com o placar empatado. A alegria durou menos de 2 minutos. Yotun é desarmado por Firmino no campo de defesa, Tapia escorrega e não consegue pressionar Arthur, que conduz com liberdade em direção à entrada da área. O meia aguarda o momento certo para efetuar o passe para Jesus, que ainda conta com o escorregão de Zambrano para ficar de frente com Gallese e colocar novamente o Brasil em vantagem.

Dos 15 minutos do 2º tempo (antes da expulsão de Jesus) até os 30 minutos (após a expulsão de Jesus), o Peru passou à ter o domínio da posse (61% x 39%) e neste intervalo de tempo, finalizou 2 vezes na meta de Alisson (1 certa), contra nenhuma oportunidade para o Brasil. Mas não houveram mais chances claras de gol.

É sempre decepcionante perder uma final, porém com certeza todos os peruanos estão orgulhosos com esta campanha épica dos seus guerreiros da seleção.

Números do jogo:

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@caldasicaro e @rafaellomaciel

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