4 de Julho, Dia da Libertação Corinthiana – ANÁLISE TÁTICA CORINTHIANS 2 x 0 BOCA JUNIORS

Por Jhonata Souza

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Depois de empatarem o jogo de ida por 1×1 na La Bombonera, as equipes de Corinthians e Boca Juniors se enfrentavam no Pacaembu na noite do dia 4 de Julho pelo segundo e decisivo joga da Libertadores de 2012. O técnico Tite manteve a mesma escalação do primeiro jogo com: Cássio; Alessandro, Chicão, Leandro Castán e Fábio Santos; Paulinho, Ralf e Alex (Douglas); Jorge Henrique (Wallace), Emerson (Liedson) e Danilo. Enquanto o técnico Julio César Falconi levou os seguintes jogadores a campo: Orión (Sebastián Sosa); Sosa, Caruzzo, Schiavi e Clemente Rodríguez; Ledesma (Cvitanich), Somoza, Erviti e Riquelme; Pablo Mouche (Viatri) e Santiago Silva.

Primeiro Tempo

No geral, o primeiro tempo da final foi um jogo muito disputado, onde até os 30 minutos houve equilíbrio entre os times, mas com nenhuma grande chance de gol criada. Assim como no jogo de ida os sistemas defensivos levaram a melhor contra os ataques.

WhatsApp Image 2019-07-04 at 13.45.49A organização do ataque alvinegro na primeira etapa.

O Corinthians começou o jogo mantendo o seu padrão com Sheik e Jorge Henrique abertos, enquanto Danilo e Alex jogavam pelo meio. Só que o ataque não produziu nos primeiros 25 minutos e por isso que Tite realizou uma inversão de posições entre Sheik e Danilo, mudando o esquema para um 4-2-3-1. Com isso houve uma melhora no ataque, já que Sheik atuou muito bem por ali sendo o jogador mais incisivo do Timão.

Na defesa o Corinthians se organizava com suas duas linhas de quatro bem postadas na defesa e quem fechava o lado esquerdo era Alex ou Danilo, enquanto Sheik ficava livre com o objetivo de puxas os contra ataques. O Timão pouco sofreu na defesa e impediu que o Boca conseguisse trabalhar pelo meio, destaque para as partidas de Ralf e Paulinho muito bem na marcação.

WhatsApp Image 2019-07-04 at 13.46.05As duas linhas de quatro bem compactas sem dar espaço no meio.

O Boca Juniors manteve a sua organização ofensiva com um losango no meio, onde Riquelme atuava atrás da dupla de ataque. Até os 30 minutos da primeira etapa o Boca conseguia equilibrar a posse de bola e evitar uma pressão dos donos da casa. Os argentinos tentavam chegar pelo lado direito com Sosa e usavam bastante da ligação direta buscando Santiago Silva, já que não conseguiram trabalhar pelo meio e por isso Riquelme acabou tendo uma atuação apagada.

WhatsApp Image 2019-07-04 at 13.46.21Boca se defendendo com sete jogadores.

O Boca versão 2012 era uma equipe bem disciplinada taticamente. Se defender com sete é algo que exige bastante dos jogadores de defesa e o Boca era um time que fechava bem os espaços. No primeiro tempo conseguiram se defender bem do ataque corinthiano no Pacaembu.

Com essa forma de se defender é difícil que não sobre alguns espaços para os chutes de longa distância em alguns momentos. Isso acontece pelo menos três vezes na primeira etapa, onde Alex teve recebeu com espaço para arriscar um chute de longa distancia, só que as finalizações acabaram não levando perigo ao gol argentino.

WhatsApp Image 2019-07-04 at 13.46.27Liberdade que Alex teve para receber e chutar de longe.

Segundo Tempo

O Boca voltou ao segundo tempo tentando fazer uma pressão via bolas aérea vindas de escanteios e falta lateral, parecia que os argentinos estavam prevendo o que viria a acontecer… Aos 8 minutos a bola sobrou para Danilo, após cobrança de falta de Alex, e ele deu um passe GENIAL que deixou Sheik na cara do goleiro para abrir o placar e causar a primeira grande alegria do torcedor naquela noite de quarta-feira.

WhatsApp Image 2019-07-04 at 13.46.40Visão de jogo de Danilo que encontrou Sheik para marcar o primeiro gol da final.

O gol tirou uma carga de pressão muito grande das costas dos jogadores corinthianos que passaram a jogar mais leve em campo e trabalhando melhor a posse de bola. Na frente do placar o Timão passou a dar mais a posse ao adversário e se postar mais fechadinho na defesa num 4-4-2 com Alex e Sheik á frente das duas linhas de quatro. O intuito era de recuperar a bola e sair no contra ataque em busca do segundo gol.

WhatsApp Image 2019-07-04 at 13.46.51Corinthians bem postado na defesa.

No geral, o Boca Juniors foi muito mal ofensivamente, a equipe argentina criou só uma jogada que obrigou Cássio a fazer uma defesa um pouco difícil, muito pouco para ser campeão. O técnico Falconi colocou Cvitanich no lugar de Ledesma, o que mudou o esquema para um 4-3-3. Mesmo com a mudança o Boca continuou usando bastante das ligações diretas defesa e ataque, pois os setores estavam bem distante um do outro, o que tornava o meio campo inútil em campo. Destaque para a zaga alvinegra, principalmente ao zagueiro Leandro Castán que fez uma enorme partida e anulou o jogo direto buscando Silva.


WhatsApp Image 2019-07-04 at 14.04.03Boca no 4-3-3 com destaque para a distancia entre defesa e ataque e entre os jogadores de meio campo.

Riquelme era o grande jogador daquele time, era o cérebro do meio campo e o time era muito dependente dele. Sabendo disso que o Corinthians buscou fazer uma marcação forte no meio campo, além de limitar os espaços entre as linhas de defesa para o craque argentino atuar. Isso fez Riquelme sair mais da área e quando isso acontecia sempre se tinha dois ou três jogadores por perto para impedir que ele fizesse alguma grande jogada.

WhatsApp Image 2019-07-04 at 13.47.41Corinthians com três jogadores cercando Riquelme.

Aos 26 do segundo tempo o Corinthians conseguiu executar a sua estratégia de se aproveitar dos erros do Boca para chegar ao segundo gol. Num lance de muita inteligência de Sheik, o atacante aproveitou o erro de Schiavi, que não viu que ele estava ali, e interceptou o passe do zagueiro para sair em velocidade e marcar o segundo gol alvinegro. A partida meio que acabou após o segundo gol. O Boca não tinha forças para reagir, enquanto o Timão estava num nível acima dos argentinos nos quesitos técnicos, táticos e mental, algo que pode ser visto no show de catimba dado por Sheik na reta final do jogo.

WhatsApp Image 2019-07-04 at 14.13.20Sheik muito atento para interceptar o passe e sair em velocidade rumo ao gol.

Depois disso foi só esperar o apito final. A espera de 112 anos finalmente tinha se acabado, o dia de São Nunca havia chegado. O 4 de Julho marcou o fim das piadas sobre a falta do titulo continental e marcou o inicio de uma festa que ficaria ainda maior em dezembro daquele mesmo ano. Na noite de 4 de Julho de 2012 a América se pintava de preto e branco, o torcedor Corinthiano finalmente tinha conquistado a sua liberdade, era livre para bater no peito e soltar o grito que estava preso na garganta e dizer “EU SOU CAMPEÃO DA LIBERTADORES”.

@jhonny14souza

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