O ímpeto uruguaio venceu a retranca chilena – ANÁLISE TÁTICA CHILE 0 x 1 URUGUAI

Por Juliano Rangel e Henrique Mathias

ChilexUruguai

Pensando na lista de cinco jogadores pendurados com um cartão amarelo (Vidal, Isla Beausejour, Arias e Opazo), Reinaldo Rueda resolveu poupar os três primeiros e rodar o elenco modificando algumas peças e mexendo no esquema tático do Chile. Saiu o tradicional 4-3-3 e entrou um 5-3-2 bem defensivo.

Com isso, Jara entrou no miolo de zaga, Paulo Díaz e Óscar Opazo assumiram as alas direita e esquerda, respectiva, e Pablo Hernández ocupou a vaga de Vidal para formar o trio com Erick Pulgar e Charles Aránguiz no meio-campo. Enquanto isso, Aléxis Sánchez e Eduardo Vargas ficavam postados mais a frente.

brasil 2-3-5Rueda optou pelo esquema 5-3-2 bem defensivo e preocupado com ataques pelos lados do Uruguai. (Foto: Instat/Edição: Juliano Rangel)

A linha defensiva montada por Rueda deu sinais de como atuaria desde os primeiros segundos de jogo, buscando evitar os avanços do Uruguai pelos lados. Nas transições ofensivas, Pulgar trabalhava na base de jogada contando com o apoio de Hernández. Os alas abriam o campo gerando amplitude, enquanto Aránguiz se aproximava da dupla Sanchez e Vargas, que se posicionavam mais por dentro.

Já o Maestro Tabarez mandou o Uruguai a campo em seu tradicional 4-4-2, dessa vez com dois meias de origem jogando abertos, Lodeiro e Arrascaeta. Em termos de funcionamento coletivo, tivemos a mesma ideia de sempre: 4-4-2 no momento ofensivo, com os dois pontas circulando bastante e com os laterais oferecendo uma profundidade pelos lados, sempre alternando o momento de subir. No momento defensivo vira 4-5-1 com Cavani recuando para compor por dentro e com Suarez sendo a única peça que permanece avançada.

brasil 2-3-5Na base da jogada, Pulgar contava com o apoio de Hernández (Foto: Instat/Edição: Juliano Rangel)
brasil 2-3-5Nas transições ofensivas, Charles Aránguiz se posicionava mais próximo da dupla Sánchez e Vargas, enquanto os alas geravam amplitude pelos lados. (Foto: Instat/Edição: Juliano Rangel)

As bolas em profundidade pelos lados, principalmente para Vargas, eram as grandes alternativas do Chile. Neste quesito, Pulgar era o jogador que mais acelerava o jogo, com passes rápidos em diagonal, sempre focando nos jogadores que se movimentavam pelos lados.

Com liberdade para tocar a bola, a seleção chilena apresentava uma recomposição rápida e avançava suas linhas em bloco médio. O trio Medel, Jara e Maripán conseguia anular as ações da dupla Cavani e Suárez dentro da área, enquanto Pulgar, Hernández e Aránguiz trabalhavam bastante nos desarmes no setor de meio-campo.

O objetivo era dar um pouco de liberdade para o Uruguai em seu campo de defesa, mas também pressioná-lo com uma marcação mais compacta a partir do meio-campo. A ideia conseguiu ser bem executada até os 25 minutos iniciais, quando os comandados de Óscar Tabárez começaram a adiantar mais a marcação, obrigando o goleiro Arias e sair na bola longa. Mais forte nas disputas pelo alto, a celeste olímpica conseguia recuperar a pelota e passou a controlar as ações no meio de campo.

Muito forte pelos lados nos dois primeiros jogos, principalmente no setor direito com as descidas de Isla, diante do Uruguai os alas foram pouco ofensivos, com Paulo Díaz sendo mais presente nas recomposições da linha defensiva durante as transições defensivas. Nestes momentos de mais marcação, Opazo sai para fazer uma marcação encaixada e quando a bola invertia de setor era Díaz que fazia essa movimentação.

Na segunda etapa, a equipe de Rueda voltou tendo dificuldades para superar a marcação alta uruguaia. A equipe ainda perdeu Gary Medel com uma lesão que fez o camisa 17 ser substituído por Igor Lichnovsky.

O Uruguai cresceu na partida através da figura de Fede Valverde, o “menino” colocou o meio-campo de sua seleção em outro patamar quando conseguiu circular de área a área, liberando linhas de passe e deixando que o Chile perdesse a referência defensiva em muitos momentos.

No Chile, as chegadas ao ataque eram conduzidas por Alexis Sánchez que tentou marcar nos chutes de média distância. Na bola parada, que levou tanto perigo ao Japão e a Equador, a equipe só levou perigo em uma cabeçada de Paulo Díaz, após uma cobrança de escanteio, que o goleiro Muslera defendeu.

A bola verticalizada de Pulgar era um dos motoros para equipe chegar ao ataque com maior agilidade. Já na reta final de jogo, Rueda colocou o atacante Junior Fernandes para fechar o lado direito, nas fases defensivas, criando um 5-4-1.

E foi justamente por aquele lado que o Uruguai criou a jogada para o gol de Cavani. Jonathan Rodríguez recebeu a bola, conseguiu se desvencilhar da marcação de Fernandes e Díaz, cruzou para o camisa 21 de celeste olímpica, que estava livre e sendo apenas visualizado por Jara. Com uma cabeçada perfeita ele abriu o placar no Maracanã e garantiu a primeira colocação do grupo C para o Uruguai.

SALDO CHILENO: Com um esquema bem mais defensivo, faltaram mais apoios dos alas com o meio-campo muito congestionado e com uma marcação bem pegada. Agora o adversário será o Colômbia e a equipe precisará conter o forte ímpeto ofensivo da seleção ‘cafetera’, além de conseguir furar a boa defensa montada pelo português Carlos Queiroz.

SALDO URUGUAIO: Não adianta esperar um jogo muito fluido e vivo da equipe do Tabarez. Pressão bem encaixada, coordenação para transitar entre o momento defensivo e o ofensivo e muita dedicação e vitalidade em cada dividida. Contra o Peru de Gareca, será necessário algum cuidado com Paolo Guerrero que pode tentar deslocar Godín e abrir um espaço para atacar a diagonal pelo lado esquerdo do ataque peruano.

@julianords  e @riquemathias

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