Classificação sem muita convicção e com pouca inspiração: ANÁLISE TÁTICA – EQUADOR 1×2 CHILE

Por Mathaus Pauxis e Juliano Rangel

O Equador foi no 4-1-4-1, com seis alterações em relação a equipe que foi goleada pelo Uruguai na primeira rodada. Quintero, Mina, Preciado, Intriago, Antonio Valencia e Caicedo saíram para as entradas de Ramirez, Arboleda, Velasco, Gruezo, Mendez e Romário Ibarra.

Disposições táticas das duas equipes. (Foto: Tacticalpad)

Já o Chile foi a campo com os mesmos 11 que iniciaram a partida contra o Japão, mas com algumas modificações em relação as movimentações dentro de campo. Ofensivo com o 4-3-3, a equipe também variava para um 4-4-2, com Fuenzalida fechando pelo lado direito a linha de meio-campo e só deixando Vargas e Sánchez mais avançados.

Chile se armava num 4-4-2 nas transições defensivas, com Fuenzalida fechando a lado direito da linha de meio-campo (Foto: Instat/Edição: Juliano Rangel)

Logo de início, a ideia do Equador foi pressionar o Chile com uma linha alta. Enner Valencia ficava mais avançado, com a linha de quatro pressionando quem estava com a bola (Mena na lateral-esquerdo do adversário, por exemplo).
Esse tipo de marcação até funcionou bem durante o jogo, impedindo a progressão chilena. Porém, o time “mordeu” tanto que cometeu muitas faltas ao tentar recuperar a posse.
Por sua vez, sem abrir mão de também avançar suas linhas e fazer pressão pós-perda ainda no campo de ataque, a equipe de Rueda contava com o trio Pulgar, Aránguiz e Vidal mais próximo na saída de bola. O camisa 13 acelerava o jogo, com seus lançamentos e nos passes verticalizados, enquanto que Vidal e Aránguiz alternavam nas descidas ao ataque.

Na fase de construção, Vidal e Aránguiz se aproximavam de Pulgar. (Foto: Instat/Edição: Juliano Rangel)

Quando tinha a bola o Equador não conseguia avançar. O problema não foi nem tanto a saída de bola, mas sim quando ela chegava ali na frente. Pouco teve organização ofensiva a La Tri e isso fez com que a equipe passasse bem longe do gol chileno. Méritos também da defesa adversária.
Já habitual no modelo do técnico colombiano, os laterais Isla e Beausejour geravam amplitude, mas se mantiveram mais defensivos na primeira etapa. O camisa 4 que costuma apoiar bastante pelo lado direito, se manteve mais posicionado no campo de defesa e deu mais liberdade para Fuenzalida abrir por aquele lado e receber mais bolas em profundidade.

Sem conseguir roubar a bola, o Equador viu o Chile chegar mais perto do gol e ser vazado logo aos 8 minutos. Em mais uma jogada de escanteio, Pulgar subiu mais alto para cabecear e, na sobra, Fuenzalida, da entrada da área chutou cruzado no canto de Dominguez para abrir o placar.

A partir daí, o Chile recuou e o Equador foi pra cima, mas ainda com seus problemas e limitações ofensivas. A tomada de decisão da equipe foi ruim e vimos muitas vezes jogadores carregando a bola sem apoio ou direção.

O atacante Enner Valencia começou a se movimentar mais pelo lado esquerdo de ataque, e foi por aquele setor que Méndez conseguiu se infiltrar para receber a bola e só parar ao ser derrubado por Arias, dentro da área. Na cobrança, Valencia deixou tudo igual.

Com o empate equatoriano, o Chile começou a perder o domínio que havia imposto no meio-campo, somado aos erros de passes nas transições ofensivas. A equipe utiliza-la da bola longa em direção a Vargas e Sánchez, numa tentativa de sair da pressão adversária.

Já pelo lado do Equador, o domínio da posse de bola passou a ser maior. Com Orejuela melhor, a equipe conseguiu controlar as ações no meio-campo, porém ainda faltava o algo a mais. O primeiro tempo terminou em 1 a 1.
Na segunda etapa, Sánchez voltou interiorizando mais e aproveitando os espaços para lançar bolas em profundidade para Vargas. Foi com o camisa 7 livre pelo lado esquerdo para chutar, após mais uma cobrança de escanteio de Aránguiz pela direita, que a seleção chilena voltou a ficar na frente do placar.

Sánchez interiorizando mais no segundo tempo e acionando Vargas nos espaços deixados pela defesa equatoriana. (Foto: Instat/Edição: Juliano Rangel)

O Chile também conseguiu recuperar o domínio das ações no meio-campo, com uma marcação mais forte. Com esse controle, a equipe passou a apostar nas bolas em profundidade para Vargas, que não conseguia concluir.

Mais uma vez o Equador se viu atrás no placar e não conseguiu reagir. Pressionou novamente, deixando espaço para o contra-ataque, mas não conseguiu acertar o gol do Chile no segundo tempo.

As limitações ofensivas da equipe apareceram de novo e todos os quatro chutes foram para fora. Destaque para o nível fraco do jogo, principalmente na reta final. Segundo dados do site Sofacore, enquanto o Equador acertou 73% dos passes na segunda etapa, o Chile ficou com 63% de acerto.
Nas transições defensivas, Rueda apostou na variação 4-1-4-1, com Fuenzalida e Sánchez fechando pelo meio, juntamente com Vidal e Aránguiz. Pulgar trabalhava mais a frente da linha de zaga e Vargas mais avançado como referência.

Dentre as variações ao longo do jogo, o Chile se apresentou num 4-1-4-1, com Fuenzalida e Sánchez fechando pelo a linha de meio-campo (Foto: Instat/Edição: Juliano Rangel)

Já na reta final da partida, o colombiano também resolveu mexer na equipe, avançando Isla pelo lado e colocando Paulo Díaz na lateral-direita. Sánchez foi centralizado, após a saída de Vargas, deixando a equipe num 4-4-2, com Pablo Hernández no meio. Ainda deu tempo de testar o esquema 5-4-1, com Jara formando o trio de Zaga com Medel e Maripán.

SALDO FINAL – Com uma partida bem abaixo em ambos os lados nos dois tempos, o resultado deixou o Equador e uma situação delicada para se pensar em classificação. Com duas derrotas na cabeça, a equipe precisará vencer o Japão e secar os outros terceiros colocados do outro dois grupos se quiser uma classificação. Já o Chile, com duas vitórias, está classificado e vai defender a liderança diante do Uruguai.

@mathauspauxis
@julianords

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