Empate ao sabor vinotinto – ANÁLISE TÁTICA DE BRASIL 0 x 0 VENEZUELA

Por Pedro Galante e Daniel Klabunde

Iniciando a segunda rodada da Copa América, Brasil e Venezuela se enfrentaram na Fonte Nova. Em um jogo de ataque contra defesa, os venezuelanos conseguiram passar ilesos. Faltou ao Brasil transformar a posse de bola em chutes no gol.

Tite fez apenas uma alteração em relação a estreia contra a Bolívia: Arthur na vaga de Fernandinho. Com a bola, Dani Alves tinha mais liberdade para atacar, enquanto Filipe Luís ficava mais ficava mais preso. Casemiro ficava a frente dos zagueiros e Arthur era o responsável por ligar defesa e ataque. Coutinho e Firmino atuavam próximos, quase em linha e sempre de costas para a o gol adversário. David Neres atuava bem aperto pela esquerda, enquanto Richarlison aparecia mais por dentro, atacando em diagonal.

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Brasil no ataque: Coutinho e Firmino trabalhando de costas. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

Com uma forte marcação, o técnico Rafael Dudamel levou à campo sua equipe postada na plataforma do 4-1-4-1 com a primeira linha formada pelas laterais e zagueiros, o homem de meio era Júnior Moreno, responsável por tirar os espaços entrelinhas de Coutinho, limitando as ações do brasileiro entre ele e a segunda linha de quatro homens, que era composta por Machís, Rincon, Herrera e Murillo. Estes quatro eram responsáveis pelo primeiro combate ao portador da bola.

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Insira umFonte: InStat / Edição: Daniel Klabundea legenda

Apesar de ocupar bem os espaços do campo, o Brasil não conseguia quebrar as linhas da Venezuela. Pelo centro, Arthur não conseguia achar passes incisivos, por isso as jogadas se desenvolviam mais pelos lados. No entanto, ainda assim não resultavam em chances, pois a Venezuela defendia muito bem a sua área e bloqueava qualquer ação em zona de chute.

Enquanto Machís e Murillo mantinha um posicionamento mais fixo nas pontas, Rincon e Herrera produziam uma marcação individual por zona juntamente com Moreno. E como isso funcionava?

Por exemplo, se Coutinho infiltrasse na entrelinhas de marcação venezuelana, Moreno rapidamente encostava no jogador brasileiro e o perseguia até a linha de quatro a sua frente, nesta movimentação Rincon ou Herrera se movimentava e ocupava o espaço deixado pelo camisa 5. Desta forma Dudamel neutralizou as melhores jogadas brasileiras, que sempre são construídas por dentro com Coutinho ou Firmino recuando para trabalhar como armador.

Faltou – e tem faltado – ao Brasil a capacidade de quebrar a defesa adversária. Isso poderia ser feito tanto com troca de passes velozes e incisivos, quanto com dribles em jogadas de mano a mano. Nenhuma jogada do tipo aconteceu.

Na volta do intervalo, Tite trocou Richarlison por Gabriel Jesus. O camisa nove entrou na ponta esquerda, fazendo com que Neres fosse deslocado para a ponta direita. Jesus entrou bem no jogo, arquitetando boas jogadas, mas sem concretizar nenhuma delas. Quando conseguiu, o lance foi invalidado pois Firmino estava impedido.

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Neres foi deslocado após a entrada de Gabriel Jesus. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

Aos 12, Casemiro saiu para entrada de Fernandinho. Fernandinho tem mais qualidade no passe que Casemiro, certamente Tite pensou na possibilidade de alguns passes entre as linhas adversárias por parte do camisa 17. No entanto, a dinâmica do jogo não foi alterada.

Mais tarde, aos 27, Everton Cebolinha entrou no lugar de David Neres. Autor do belíssimo terceiro gol contra a Bolívia, e pedido em coro pelos torcedores presentes, o jogador gremista não entrou mal, mas não também não consegui criar nenhuma chance.

Salomon Rondon foi muito importante para o time, assim que seus companheiros recuperassem a posse de bola, rapidamente era efetuado o lançamento em sua direção e utilizando de sua força física conseguia reter a bola em seus pés até que algum companheiro se aproximasse para iniciar a transição ofensiva e conter o ímpeto brasileiro no ataque.

Mas o grande destaque fica por conta de Yordan Osorio, o camisa 3 da seleção Vinotinto foi cirúrgico nos duelos 1×1, realizando vários desarmes e vencendo duelos importantes pelo alto, usando de seu porte físico acima dos jogadores brasileiros, não perdeu nenhuma disputa no corpo a corpo.

Os 68% de posse de bola, originaram 19 finalizações e somente uma delas acertou o gol. Onze foram para fora e sete foram travadas pela defesa adversária. A estatística mostra como o Brasil foi ineficiente, apesar de atacar quase que durante o jogo inteiro.

É clara a dificuldade em criar boas chances. Firmino e Coutinho mal conseguiam receber entre quatro, cinco venezuelanos. Os pontas não venceram seus duelos mano a mano. Quem criava atrás também não conseguia colocar os companheiros na cara do gol.

Existem duas possibilidades: dar mais liberdade aos jogadores, que estão muito limitados a suas zonas especificas, para tentar usar a movimentação como arma. Ou melhorar a dinâmica da equipe. Se os jogadores estão mais fixos, a bola precisa se mover ainda mais rápida e avançar no campo eliminando rivais, daí a importância de passes incisivos.

Veremos como Tite vai lidar com essa dificuldade de criação. O Brasil enfrenta o Peru no próximo sábado (22) e precisa vencer para manter a liderança.

@pedro17galante @dktricolor

(Foto destaque: Juan Mabromata/ AFP)

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