O conceito de estratégia, em grego strateegia… – ANÁLISE TÁTICA ARGENTINA 0 x 2 COLÔMBIA

Por Ítalo Amorim

Screenshot (28)Imagem: Raul Arboleda.

Na noite desse sábado (16.06), Argentina e Colômbia estrearam pelo grupo B da Copa América em um confronto cheio de expectativas prévias, de um lado por saber como viria a Argentina de Scaloni, treinador que tem uma enorme bomba para desarmar no seu colo, e por outro lado como viria a Colômbia de Carlos Queiroz, treinador que chegou ao comando da seleção no começo desse ano depois de um ótimo trabalho na Seleção Iraniana.

PRÉ-JOGO:

ARGENTINA: 4-4-2/4-4-1-1.

WhatsApp Image 2019-06-16 at 17.52.19Modelo feito no site Chosen11.

COLÔMBIA: 4-3-3/4-4-2.

WhatsApp Image 2019-06-16 at 17.52.29Modelo feito no site Chosen11.

Nos onze iniciais de ambos os lados tivemos com poucas surpresas, mas com algumas variações: Argentina em uma 4-4-1-1, variação do habitual 4-3-1-2 de Scaloni e a Colômbia na 4-3-3, uma variação da 4-2-3-1, liberando James e trazendo Cuadrado para as linhas de centrais.

 PRIMEIRO TEMPO:

O primeiro tempo do jogo foi mais preso, a Argentina sofreu bastante e caiu em uma “falsa-liberdade” colombiana. O time de Queiroz oferecia liberdade aos argentinos na primeira linha mas fechava todas as opções de passe vertical com “zonas de marcação”.

O time de Scaloni se movimentava para forçar o recuo da linha colombiana, essa aceitava tal recuo, mas bloqueando o “próximo passo” do modelo argentino (aproximação das linhas, conceito que foi destacado no Guia da Copa América. Abaixo vemos dois vídeos que expõe um mesmo momento: a Argentina faz o seu balanço para forçar o recuo da Colômbia, pensa que tem espaço mas acaba caindo na armadilha de Carlos Queiroz.

 

Animação feita no site TacticalBoard.

Com a armadilha montada os defensores de Scaloni tinham duas opções: lançar bola buscando o escape de Di María (corredor esquerdo), Lo Celso (corredor direito) e Agüero (por dentro, numa espécie de pivô para Messi ou para os atletas de lado que vinham de trás – como foi com o Tagliafico, buscando a infiltração em algumas oportunidades -) ou esperar que algum dos centrais (Leandro Paredes ou Guido Rodríguez) venha buscar jogo (e quando isso acontecia quem passava a recuar era a Argentina, caindo então na pressão dos colombianos).

Os lançamentos falharam, Otamendi e Pezzella juntos forçaram oito lançamentos e acertaram apenas dois. O recuo dos centrais em alguns momentos deu resultado (o aproveitamento em lançamento dos dois juntos foi de 63.6%), porém sempre acabava esbarrando no espaço entre eles e os dois homens de frente (Agüero e Messi), com esse espaço Uribe, Cuadrado e Barrios avançavam sua linha e tinham superioridade numérica por dentro (2×3).

Com a Argentina caindo em sua estratégia, o time colombiano concentrou posse (54%) e comandou as ações ofensivas do fraco primeiro tempo.

SEGUNDO TEMPO:

A Argentina volta do intervalo já com uma mudança: Rodrigo De Paul no lugar de Ángel Di María. Mais agudo e mais participativo no último terço, De Paul obrigou Stefan Medina a recuar e consequentemente a linha de meias da Colômbia a se portar mais defensivamente.

Com as duas linhas da Colômbia em bloco baixo os comandados de Scaloni passaram a ter posse, o índice de acerto no passe dos centrais aumentou e o time teve mais liberdade conseguindo os seus melhores 15 minutos na partida. Essa redução de intensidade fica visível quando vemos a mudança do modelo defensivo dos colombianos, de uma 4-4-2 (primeira etapa) para uma 4-5-1 (segunda etapa).

WhatsApp Image 2019-06-16 at 17.52.44

Precisando responder Carlos lança Jefferson Lerma no jogo, mais polivalente e mais físico que Cuadrado o meia-central estabilizou o domínio de posse dos argentinos, sendo soberano principalmente sobre Guido Pizarro (que entrou no lugar de Guido Rodríguez).

A mudança surte tanto efeito que os 15 minutos de pressão dos Hermanos viraram pó, logo aos 20 minutos a Colômbia passa na frente do marcador: lançamento de James (já ocupando a antiga posição do Cuadrado).

Depois do primeiro gol a intensidade dos argentinos caiu drasticamente, com Scaloni substituindo mal (Matias no lugar do Agüero) o jogo tomou o rumo que Carlos Queiroz desejava. Rumo esse selado com o belíssimo gol de Duván Zapata.

FIM DE JOGO:

Golpe duro para a Argentina que tinha uma ótima chance de mostrar valor e um “up” imenso para a Colômbia que chegou na Copa América cheia de interrogações e se saiu bem no seu primeiro grande desafio com Carlos Queiroz no comando.

Na próxima rodada teremos Colômbia e Catar (19.06) e Argentina e Paraguai (19.06).

@italoamorim08

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