Derrota esperada – ANÁLISE TÁTICA DE AUSTRÁLIA 3 x 2 BRASIL

Por Henrique Mathias e Ícaro Caldas Leite

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No Stade de la Mosson em Montpellier, Brasil e Austrália se enfrentaram em uma partida que evidenciou o quão talentoso é nosso time individualmente e ao mesmo tempo o quão abaixo taticamente estamos.

Vadão pode contar com o retorno de Marta para a partida diante das Matildas e resolveu mudar o sistema da nossa seleção, saindo do 4-4-2 para o 4-1-4-1, trabalhando com Formiga a frente da defesa e Thaisa/Marta por dentro, com Thaisa sendo importante para pressionar e Marta trabalhando para avançar com a bola em condução.Mesmo com a mudança de esquema, Vadão manteve a ideia base, com referências individuais para a marcação.

4141 feminino

Ante Milicic manteve o 4-3-3 na Austrália, sempre trabalhando com van Egmond na saída de bola e tendo Sam Kerr como uma 9 de mobilidade.

australia femi

O começo de jogo foi marcado pela pressão alta brasileira na saída de bola australiana, com o Brasil conseguindo recuperar a bola em campo ofensivo e forçando muito o jogo exterior. Através da pressão em campo ofensivo e da posterior aceleração pelos lados do campo surgiu o 1×0 para o Brasil. Letícia foi derrubada em jogada construída e o pênalti foi marcado. Marta cobrou pênalti com qualidade e se tornou a maior artilheira da história das Copas, junto com Miroslav Klose, com 16 gols marcados.

Depois do gol sofrido, a Australia tomou o controle da partida para si, trabalhando sempre sua saída em 3 e buscando muito o jogo aéreo. Contudo, em uma das subidas das Matildas ao campo de ataque, Tamires fez uma jogada espetacular pelo lado direito, com direito a caneta da marcadora e descolou um lindo passe para Debinha cruzar na cabeça de Cristiane.

 

O cenário era ideal para o Brasil, que mesmo não realizando uma grande partida, conseguia defender sua área e levava uma bela vantagem no marcador. Só que nos acréscimos do primeiro tempo, a Austrália marcou com Caitlin Foord.

Para o segundo tempo Vadão sacou Marta, ainda sem condições ideias de jogo e Formiga, que havia recebido cartão amarelo. Com as trocas, o Brasil perdeu completamente o encaixe das perseguições, teve problemas para defender a entrada da área e ficou sem somar saídas efetivas ao ataque, o que acabou sendo o cenário ideal para o domínio da posse de bola pelo lado australiano se transformar em volume ofensivo e a produtividade aumentar. Em dois erros individuais a virada chegou, primeiro com Logarzo finalizando bem e depois com Mônica marcando contra.

Primeiro tempo

Momento ofensivo:

O Brasil buscou sempre trabalhar com Formiga recebendo a bola das zagueiras, Marta recuando para acompanhar o setor da bola e realizar a saída desde uma zona mais recuada do campo, sem com um passe ou conduzindo.

Letícia e Tamires, nossas laterais, alternando suas subidas ao campo ofensivo, com a lateral que ficava mais recuada oferecendo uma opção de saída pelo seu setor e a que avançava trabalhando muito as ultrapassagens.

Andressa Alves e Debinha trabalhando bem abertas para conceder a Cristiane a possibilidade de dar profundidade ao jogo brasileiro.

Ainda sobre Andressa Alves, somou poucas participações por dentro, mas em cada toque conseguiu oferecer muita qualidade, como no lance do segundo gol.

Com Marta afundando para buscar a bola, nossa pressão pós-perde ficou bem descoordenada, com Formiga tendo que subir para fazer as perseguições e Thaisa mais fixa, defendendo o funil.

Momento defensivo:

Os encaixes do Vadão funcionam bem no começo das partidas, com o Brasil sabendo trabalhar bem o modo como tapa os passes por dentro e como lidera uma pressão muito forte com Tamires pelo lado esquerdo e Formiga pelo lado direito.

Contudo conforme os minutos passam, as adversárias conseguem mapear nossos movimentos, atrair nossas jogadoras e o trabalho de sair da pressão passa a ficar mais simples, como foi nesse jogo com Van Egmond trabalhando muito bem os passes longos.

Segundo tempo

Momento ofensivo:

Com Luana entrando no lugar de Formiga e Ludmila no lugar da Marta, o Brasil abandonou o 4-1-4-1 e passou a jogar no 4-2-3-1, com Thaísa e Luana a frente da zaga, Debinha aberta na esquerda, Ludmila na direita e Andressa Alves por dentro, buscando se aproximar da Cristiane.

Com essa troca, nossa pressão alta perdeu efetividade, com Ludmila um tanto confusa em jogar pelos flancos e com Luana não conseguindo perseguir tão longo como Formiga.

Sem Marta, nossa saída de bola ficou complicada, com Andressa Alves buscando fazer o trabalho que foi de Marta no primeiro tempo, mas sem a mesma eficiência. Andressa é uma ponta que cria por dentro, vai melhor jogando assim.

Momento defensivo:

Sem Formiga, nossa cobertura dos espaços virou um drama, com as jogadoras australianas trabalhando com tranquilidade da ponta para o centro do campo, sem que Luana tivesse efetividade em fechar o espaço e com Thaisa precisando de muita mobilidade, o que não é a dela.

Muitos erros da seleção defendendo a área, faltando concentração em muitos momentos.

Com o cansaço e a necessidade da busca pelo empate, mais uma vez virou um drama nossa transição defensiva e a Austrália teve chances para aumentar o placar.

@RiqueMathias e @caldasicaro

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