Crise, incompetência e uma fagulha de esperança: o 2019 do SPFC

Por Pedro Galante

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A situação não é boa no São Paulo Futebol Clube. Eliminado sem grandes atuações nas copas Libertadores e do Brasil, o tricolor paulista vê seu terceiro técnico (contando Mancini) na temporada fazendo um trabalho fraco, sem conseguir fazer com que a equipe evolua.

Com resultados razoáveis, mas que poderiam ser bem melhores – três empates em casa, por exemplo – e um desempenho ruim, a ideia extremamente temida pelos torcedores de que o ano acabasse antes da Copa América vai se tornando cada vez mais concreta.

Apresentada a situação, surge a pergunta: o que fazer?

Temos um problema complexo. Não é fácil apontar um caminho. É ingênuo pensar que algum torcedor, alguém de fora possui a resposta definitiva, até porque o que se passa internamente é determinante. O que se pode fazer – e é esse o objetivo do texto – é apresentar uma nova perspectiva, um olhar mais amplo e sistêmico para entender melhor a situação. Um problema bem proposto está metade resolvido.

Os problemas pontuais da equipe já são sabidos e discutidos aqui a algumas semanas. Falta profundidade para que o ataque consegue ser móvel como Cuca gosta. Profundidade essa que surgiria mais facilmente com a figura de um centroavante, que o clube não tem no momento por incompetência administrativa; também poderia surgir de outras formas menos tradicionais, mas não menos conhecidas como a infiltração dos pontas, que Cuca ensaiou, principalmente contra o Bahia na Copa do Brasil, mas não seguiu com a ideia.

O treinador adotou a estratégia de concentrar jogadores pela região central, para que tabelas curtas furem a linha de marcação e gerem uma oportunidade de chute. Não tem funcionado, pois sem profundidade e com a defesa compacta, essas tabelas têm de ser bem velozes e precisas. O São Paulo não tem conseguido encaixar o passe entrelinhas do adversário para produzir essas chances.

Apesar de sua qualidade técnica, Pato não tem o perfil de liderança, de chamar a responsabilidade e servir de apoio aos companheiros. Hernanes vem atuando muito abaixo do esperado para um jogador do seu calibre, sem intensidade. Everton e Vitor Bueno tem se mostrado pouco criativos. TchêTchê que, mesmo vindo de trás, poderia acertar esse passe chave, não vem bem. Toró é jogador de ataque ao espaço. Helinho e Antony são garotos, ainda oscilam e não os cabe esse papel de liderança. Liziero machucado. Um grande drama tricolor.

A ideia que Cuca propõe não é ruim, mas precisa de entrosamento e confiança dos jogadores de ataque, e para isso é preciso tempo. A curto prazo, o tricolor paulista parece fadado à estagnação. Há só mais uma rodada até a parada para a Copa América, e a diretoria precisa avaliar suas opções.

O elenco, apesar de incompleto, não é ruim. Cuca não é mal treinador, com sequência, e principalmente com a volta de Pablo – apesar de que se deve pesar a condição física do atacante – o time deve crescer de produção. No entanto essa melhora hipotética não deve ser suficiente com um Palmeiras já abrindo vantagem. Como dito, a ideia de mais um ano sem títulos se concretiza a cada dia.

Para buscar título – que, repito, é pouco provável – ou ao menos uma boa posição no G4, respaldar o trabalho de Cuca parece a melhor alternativa. Trazer outro técnico afundaria ainda mais no time na indefinição e falta de padrão quanto a forma de jogar.

No entanto, se a diretoria reconhecer – que não significa se conformar – que esse é um ano sem chance de taças, abre-se uma possibilidade interessante para iniciar um processo visando a próxima temporada. O segundo semestre serviria de laboratório, a janela de janeiro traria as peças que parecerem necessárias e 2020 seria o ano de competir com qualidade. Cuca poderia ser o treinador a comandar esse processo, contudo parece claro que, se mantido, deve deixar o clube ao fim da temporada, independente do que aconteça.

Nessa alternativa, a ação óbvia é demitir Cuca e trazer o novo treinador, o quanto antes; de preferência antes da Copa América para aproveitar a pausa. O respaldo, independe da colocação na liga nacional, é fundamental.

A segunda opção parece mais promissora na opinião do autor.

Um planejamento pouco consciente e decisões administrativas inconsequentes colocaram o São Paulo nessa situação. De qualquer forma, há um aspecto positivo: a presença dos garotos da base. Não que nos anos anteriores não houvesse presença dos garotos, ou que os torcedores não soubessem da força de Cotia, mas nessa temporada em especifico os garotos têm tido um destaque maior, e mais importante, ao que parece, serão mantidos por um período razoável de tempo.

A base é o maior patrimônio de um clube, e o São Paulo não tem valorizado sua base como ela merece. Que essa temporada abra os olhos dos poderosos em relação a isso. Os garotos são o futuro, a esperança de dias melhores, que virão. Não se sabe quando, mas estaremos aqui quando acontecer.

@pedro17galante  

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