Caiu dos céus – ANÁLISE TÁTICA DE ESPANHA 3X1 ÁFRICA DO SUL

Por Henrique Mathias

Na segunda partida da primeira rodada do Grupo B, Espanha e África do Sul se enfrentaram no Stade Océane, em Le Havre na França. Tivemos uma partida muito interessante em termos táticos e que diz muito, muito sobre o nível geral do grupo B.

Jorge Vilda escalou a Espanha no 4-3-3.

Vera Pauw escalou a África do Sul no 4-4-2

O treinador Jorge Vilda tem trabalhado com esse grupo, conceitos característicos do futebol espanhol, como o controle da posse de bola, uma saída sustentada e a bola se movendo com velocidade, aproveitando a progressão das atletas dentro de campo.

Variações de saída de bola da Espanha:

– Saída de maneira sustentada. Mapi León e Irene Paredes na primeira linha, Vicky Losada e Torrecilla à frente da defesa e Putellas circulando para ligar uma lateral a outra, buscando opções de criação desde uma zona mais recuada.

– Saída em 2-3 com Torrecilla em linha com as laterais, dando liberdade para Losada e Putellas avançarem em busca de receber na entre linha.

Desta maneira a Espanha buscou progredir em campo, trabalhando a bola de um lado ao outro e monopolizando a posse de bola, contudo existiram barreiras para que esse jogo não fosse positivo. A África do Sul mostrou uma grande organização defensiva partindo do 4-4-2 e trabalhando diferentes dinâmicas alternando entre o momento defensivo e o momento ofensivo.

No momento defensivo trabalhou com com Linda Motlhalo aberta na direita e Ode Fulutudilu como dupla de ataque com Thembi Kgatlana. No momento ofensivo existiu a troca com Fulutudilu retornando para ser uma compensação defensiva e Motlhalo avançando para, junto com Kgatlana, ser a responsável por acelerar as jogadas após cada roubo de bola de sua seleção. E desta maneira nasceu o gol das Banyana Banyana.
Bola recupera na linha do meio-campo, Kgatlana recebeu nas costas de Torrejón, tabelou com Mothalo, driblou Torrejón mais uma vez e bateu sem chances para Paños.

Esse gol escancarou o maior problema da Espanha na partida, a transição defensiva. A seleção espanhola atacava com muita gente e a cada vez que perdia a bola, não tinha os mecanismos necessários para realizar uma cobertura eficiente e com isso sofreu muito no primeiro tempo. Sofreu ao ponto de que ter a bola passou a ser mais importante pelo fator defensivo do que ofensivo, pois se para atacar estava com problemas para progredir depois da linha central, visto que a África do Sul trabalhou bem para evitar passes na entre linha, ficar com a bola passou a ser a melhor saída defensiva, já que não oferecia tudo que as rivais esperavam para acelerar.

Jorge Vilda buscou realizar algumas mudanças no intervalo, passando a realizar uma saída em 3 com a volante Torrecilla entre as zagueiras em certos momentos e permitindo maior liberdade posicional para Jennifer Hermoso no campo de ataque. Mesmo com essas mudanças, a Espanha continuava a não conseguir transformar sua posse de bola em chances de gol. Só que o panorama mudou com dois erros individuais da África do Sul.
Primeiro foi Janine van Wyk que colocou a mão na bola e acabou cometendo pênalti. Hermoso bateu no meio do gol e empatou a partida. Depois foi a vez de Nothando Vilakazi cometer um penalti desnecessário ao entrar com muita intensidade num duelo contra Lucia Garcia, que tinha acabado de entrar em campo. Mais uma vez Hermoso cobrou e marcou, desta vez no canto inferior esquerdo. Vikazi ainda recebeu o segundo amarelo e acabou expulsa.

Jennifer Hermoso não conseguiu muito destaque com a bola rolando, mas foi fria para cobrar os dois penaltis e garantir a vitória da Espanha. (FIFA/Getty Images)

Com uma atleta a menos em campo e com o controle emocional destrúido, a consistencia defensiva da África do Sul caiu por terra e facilitou o trabalho da Espanha, que fechou a conta com Garcia, num lindo gol. Torrecilla roubou a bola na linha central e realizou um lindo lançamento, Garcia foi bem com o desmarque e só precisou cortar a goleira antes de marcar.
Vitória fundamental para a Espanha visando a classificação, mas também um choque de realidade sobre como a transição defensiva da equipe precisa de ajustes e como as adversárias identificaram isso e trabalharam para aproveitar.

@riquemathias

Anúncios

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s