Do receio ao título – ANÁLISE TÁTICA TOTTENHAM 0 x 2 LIVERPOOL

Por Daniel Klabunde, Lucas Mateus, Rafael Maciel e Davi Magalhães

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Depois de um vice campeonato na temporada 18/19, Jürgen Klopp chegou a mais uma final, mas desta vez com um certo receio por parte de torcida e imprensa, não somente por causa de o treinador nunca ter conseguido um título da Champions, mas também pelo longo tempo de jejum dos Reds em se falando de grandes títulos (o último havia sido em 2007, justamente uma Champions League). Do outro lado um estreante em finais da maior competição europeia, o Tottenham, o qual não efetuou nenhuma contratação sequer para esta temporada, tendo como foco a finalização do seu mais novo estádio.

E foi assim se desenvolveu os 90 minutos desta final:

Logo aos 20 segundos de partida Mané recebe um belo lançamento de Henderson, domina e tenta o cruzamento, a bola acaba escorregando no braço do meio campista Sissoko dentro da área, pênalti marcado para os Reds, convertido por Salah.

A partir dai era esperado que o Tottenham agredisse mais os Reds em busca do resultado, mas não foi o que aconteceu, muito pela forte e eficiente marcação exercida na defesa dos Spurs, onde o Liverpool aplicava a sua marcação pressão em bloco alto como de costume, colocando 6 homens no campo de ataque forçando a bola longa dos Spurs. Com a marcação homem a homem e fechando as linhas de passe, os Reds foram eficientes a jogo todo na organização estabelecida no último terço do campo.

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Quando não obtinha êxito na marcação pressão o Liverpool se organizava no 4-1-4-1 em bloco médio, com Firmino efetuando o primeiro combate no portador da bola e Mané e Salah se juntando aos homens de meio, e com Fabinho as suas costas negando espaços no jogo entrelinhas do adversário. Este posicionamento de Fabinho foi o grande diferencial na organização defensiva, aplicando uma forte marcação em Eriksen, tirando o jogador dinamarquês da partida, e assim não conseguindo acionar os homens de frente.

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Se a marcação em bloco médio não surtisse efeito os Reds passavam para a fase 3 na marcação se postando no 4-5-1, e assim bloqueando os avanços de Rose e Trippier pelas laterais e não cedendo oportunidades para os cruzamentos dos bons laterais, tirando uma das principais jogadas de Kane, que é o cabeceio.

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Cedendo a bola para o Tottenham e obtendo êxito nas fases defensivas, os Reds se apoiavam nas transições rápidas para o campo de ataque, onde os acionados eram Mané pelo lado esquerdo e Salah pelo lado direito. E em mais uma bola longa para Mané os Reds levaram grande perigo à defesa dos Spurs conseguindo escanteio em cruzamento do senegalês.

Na organização ofensiva os Reds se mantiveram no 4-3-3 característica de Klopp, com Firmino bem centralizado e Mané e Salah bem abertos fazendo com que a defesa do time de Londres ficasse mais espaçada, proporcionando assim as infiltrações de Henderson e Wijnaldum.

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O que faltava aos Reds era o apoio mais centralizado nas jogadas, utilizando pouco da movimentação de Firmino, onde o brasileiro faz o recuo para receber a bola e acionar os seus companheiros de ataque. Foram apenas 25,5% de posse no meio campo, com os laterais e as bolas longas sendo mais acionadas.

No final do segundo tempo apareceu o oportunismo e bom posicionamento de Divock Origi, que se posicionava na segunda trave em cobrança de escanteio e depois do bate rebate ficou com a bola e concluiu de esquerda com perfeição no canto Lloris.

TOTTENHAM

63% de posse de bola e apenas SÓ DUAS FINALIZAÇÕES. Essa foi a estatística do Tottenham no primeiro tempo. Dado que mostra muito a ineficácia ofensiva da equipe na primeira etapa. Não conseguindo traduzir a sua posse de bola em chance de gol. Claro qur o futebol, não é só técnica e tática. O lado emocional também é muito importante, e o gol sofrido logo no primeiro minuto de jogo tem grande peso no desempenho da equipe. Era notável a diferença anímica entre as duas equipes. Até pela experiência que o Liverpool já possuí. Vale lembrar que a equipe de Klopp era a atual vice-campeão da Champions, e o treinador alemão possuí mais experiência nesses jogos do que Mauricio Pochettino.

Com o gol sofrido muito cedo, o Tottenham teve que tomar as rédeas da partida. Atuando no 1-4-2-3-1, o grande trunfo do Spurs era o ataque pelos lados do campo, um dos pontos fortes do time. Além de uma ótima forma de explorar os espaços que o adversário deixa por ali. Uma vez que os extremos Mané e Salah não fazem a recomposição até o final.

Por isso, as inversões de jogo eram a grande arma do time. Pelo lado esquerdo, Son atuava aberto fazendo a dobradinha com Rose, pela direita, Eriksen se deslocava em direção ao meio, deixando o corredor para Trippier ocupar.  Como tinha mais jogadores pelo lado esquerdo, o time construía mais o jogo por ali, para finalizar do outro lado com o avanço do lateral Trippier. Entretanto, o time teve muito pouco sucesso nessa estratégia.

Por que?

Porque a construção ofensiva da equipe esteve muito mal. À começar pela saída de bola, que encontrava muita dificuldade de sair dessa marcação pressão que o Liverpool exerce no campo rival. Os volantes Winks e Sissoko não conseguiam fazer o time progredir com a bola. Os zagueiros ficavam apenas no toque de lado, e acirculação de bola era feita de forma lenta. Facilitando o trabalho defensivo dos Reds, e assim Eriksen, Alli e Son não recebiam a bola com boas condições de criar chances de gol.

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De 2 para 14 finalizações. Na segunda etapa, o discurso do treinador argentino repercutiu no desempenho do time. Que voltou com outra postura. Mesmo com o mesmo time, o desempenho do time mudou. E o Tottenham passou a finalizar mais à gol. Sobretudo de fora da área. Nesse momento, os extremos Son e Eriksen começaram a movimentar-se mais, dando opções de passe, se apresentando para o jogo. Son utilizava de sua habilidade e finta que possuí para quebrar as linhas do adversário. O coreano saía da esquerda, fazia a diagonal, e é quem dava profundidade ofensiva ao time. Tornando a posse mais agressiva. Apesar de uma pequena melhora do dinamarquês no segundo tempo, Eriksen ficou devendo e não conseguiu agregar o quanto poderia na construção ofensiva.

Muito pelo mau desempenho dos volantes, sobretudo, Sissoko, abalado com o toque de mão que rendeu um pênalti para o Liverpool. Com isso, o camisa 17 sempre muito importante, não conseguiu sobressair-se no meio-campo, ganhando duelos físicos para o time. Nem na física, nem na técnica, Sissoko conseguiu agregar ao time. Mesmo caso de Winks.

ALTERAÇÕES DE POCHETTINO

Vendo isso, Pochettino sacou os dois volantes. Colocou Lucas Moura, dando mais força ofensiva, mais um jogador para atacar a área e dar profundidade ao time. Com isso, Eriksen passaria a jogar mais recuado na criação ofensiva. Por isso, o time criou muito mais chances de gol no segundo tempo. E para concretizar esse volume de jogo em gol, o atacante Llorente entrou no lugar de Alli, que jogou muito mal também, tomando muitas decisões erradas na partida. O time passou a ter 5 jogadores ofensivos, mais os avanços dos laterais, com o volante Dier dando equilíbrio ao time.

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Porém, de nada adiantou a ousadia e coragem do treinador argentino. Já que a equipe tomou o segundo gol nos acréscimos e viu o sonho do título acabar. Entretanto, vale ressaltar o ótimo trabalho de Pochettino e a histórica campanha do time londrino. Que sempre será marcado pelo bom futebol, coragem, união e a força desse coletivo.

@dktricolor, @magalhaesDavi_, @LucaM008 e @rafaellomaciel

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