Em ritmos diferentes – ANÁLISE TÁTICA BAHIA 1 x 0 SÃO PAULO

Por Pedro Galante

WhatsApp Image 2019-05-30 at 18.11.12

Depois de vencer por 1 a 0 no Morumbi, o Bahia recebeu o São Paulo na Fonte Nova, pela Copa do Brasil. A partida foi semelhante à da ida e não só pelo placar, mas também pelas estratégias de Roger Machado e Cuca.

Roger repetiu o 4-5-1 que já havia funcionado bem contra o São Paulo. Em relação à ida, pode contar com Gilberto, que agrega mais no momento de transição, recebendo a bola e sustentando o ataque sozinho até a chegada dos pontas. Em relação à última partida no brasileirão, colocou Elber na vaga de Arthur Caíke, ganhando presença de área e Elton na vaga de Eric para preencher melhor o meio campo.

Cuca surpreendeu deixando Alexandre Pato no banco para a entrada de Helinho. O tricolor paulista atuou no 4-3-3, que com a bola virava um 3-2-5 graças ao avanço dos laterais e o recuo de Hudson. Apesar de usar estruturais posicionais, o São Paulo não fez um ataque posicional clássico.

O Bahia dominou os 15 minutos iniciais, não pela posse, mas pelo ritmo. Fazia uma marcação alta e intensa, inclusive usando de encaixes individuais. Depois desse ímpeto inicial, o tricolor baiano diminuiu o ritmo e recuou um pouco suas linhas, dando espaço para que o visitante crescesse.

WhatsApp Image 2019-05-30 at 21.00.30Bahia impondo ritmo alto através da marcação nos primeiros minutos. (Foto: Instat/Pedro Galante)

Buscando formar diferentes de gerar amplitude desde o início do Brasileirão, o São Paulo testou mais uma abordagem: atacava com cinco jogadores bem avançados. Os laterais avançam bastante e bem abertos e os pontas ficavam por dentro, formando a linha de cinco. Além de ter por objetivo empurrar a linha de defesa baiana, esses cinco jogadores buscavam fazer infiltrações, oferecendo opção de passe nas costas da linha de defesa.

WhatsApp Image 2019-05-30 at 21.00.47São Paulo atacando com cinco para empurrar a linha adversária. (Foto: Instat/Pedro Galante)

A partir dos 20 minutos, o Bahia diminuiu o ritmo e Hernanes começou a aparecer. O Profeta fez bom primeiro tempo recuando até a base e acelerando com lançamentos para acionar algum dos cinco jogadores de frente. Faltou participação parecida de TchêTchê.

Atuando avançado, o São Paulo estava sujeito aos contra-ataques. Para se defender dessas jogadas, quando o Bahia roubava a bola, ao invés de recompor, os zagueiros buscavam pressionar para recuperar a bola ainda no campo de ataque.

WhatsApp Image 2019-05-30 at 21.01.03São Paulo pressionando após a perda da bola. (Foto: Instat/Pedro Galante)

O Bahia se defendia bem, negando espaço entrelinhas e buscando equiparar o número de jogadores na defesa com o recuo dos pontas. O time de Roger esperava ferir o adversário nas transições, mas não conseguiu encaixar boas jogadas em função de tomadas de decisões ruins.

WhatsApp Image 2019-05-30 at 21.01.18Pontas do Bahia voltando para igualar o número de jogadores. (Foto: Instat/Pedro Galante)

Para o segundo tempo, Everton saiu lesionado para a entrada de Pato e o comportamento foi alterado. Toró foi deslocado para a ponta esquerda e Pato atuou centralizado. Com essas mudanças o time passou a circular melhor a bola e viu TchêTchê melhorar aparecendo mais à frente. No entanto, perdeu os apoios em profundidade da linha de cinco no ataque.

WhatsApp Image 2019-05-30 at 21.01.32São Paulo pós-mudança: Pato por dentro e TchêTchê aparecendo a frente. (Foto:Instat/Pedro Galante)

Aos 9 minutos, o Bahia encaixou uma transição e o zagueiro Ernando apareceu muito bem para finalizar e marcar. Um gol merecido para um time que executava muito bem a sua proposta.

Precisando ir ainda mais para cima, Cuca colcou Igor Gomes e Nenê nas vagas de Hudson e Helinho, respectivamente. O time passou a jogar no 4-2-3-1, com Hernanes e TchêTchê na base do meio campo, perdendo o poder de chegada dos dois.

WhatsApp Image 2019-05-30 at 21.01.484-2-3-1: Tchê e Hernanes mais fixos. Igor, Toró e Nenê criando. Pato a frente. (Foto:Instat/Pedro Galante)

Roger trocou Elber por Arthur Caíque para dar folego novo nas pontas e aproveitar ainda mais as transições. Também trocou Douglas Luiz amarelado por Flávio, para reforçar a marcação.

O São Paulo rodava a bola, mas não conseguia quebrar o bloco do Bahia. Faltaram recursos para o time de Cuca, sem cruzamentos, sem jogadas de pivô, poucos chutes a média distância, nenhum drible ou passe para eliminar rivais; apenas circulação de bola inofensiva.

Antes do fim da partida, Gilberto saiu para a entrada de Fernandão, que sofreu falta na entrada da área rendendo cartão vermelho para Arboleda.

O São Paulo sofre uma desclassificação que é consequência de todos os outros fracassos (em campo ou administrativos) do clube na temporada. Cuca testou alternativas, fez tudo que pode a nível estratégico, mas sem a força de comportamentos assimilados e bem executados – o que precisa de tempo, que o treinador não teve – e sem a figura de um nove que permitisse profundidade de forma muito mais fácil não conseguiu furar uma defesa bem armada.

Já o Bahia conquista uma classificação importantíssima, que coroa o bom trabalho de Roger até aqui. Apesar de sua ideia predominantemente ofensiva, o treinado está sabendo se adaptar aos contextos e colocando um time reativo e efetivo.

O São Paulo se afunda em crise e o Bahia coroa uma boa fase. Cenários opostos, que refletem diretorias com projetos de futebol e modo de operar distintos; e que colhem os frutos de seus trabalhos.

@pedro17galante

2 comentários sobre “Em ritmos diferentes – ANÁLISE TÁTICA BAHIA 1 x 0 SÃO PAULO

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s