Correria, ineficiência e equivalência – ANÁLISE FORTALEZA 1 X 1 VASCO

Por Gêra Lobo e Ricardo Leite

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Pode-se dizer, sem sombra de dúvidas, que, depois da estreia desastrosa contra o Palmeiras, a partida deste domingo (26) contra o Vasco foi a partida mais irregular e abaixo da média do Fortaleza no Brasileirão. A sequência pesada de jogos pode estar sendo um fator, mas o time de Rogério Ceni errou bastante contra o time carioca, principalmente em dois fatores primordiais: passes errados no seu próprio campo e transição defensiva, bastante lenta, algo que os visitantes souberam aproveitar, já que todas as suas investidas de perigo foram explorando estes erros citados.

Em relação a compactação defensiva, as linhas do Fortaleza não foram um problema, com a equipe se comportando bem quando o Vasco tentava circular a bola com velocidade, de um lado para o outro, mas parava na boa barreira montada pelo time cearense. O grande problema era, realmente, os inúmeros passes errados no seu campo, que, inclusive, iniciou a jogada do pênalti vascaíno, e a transição defensiva, muito bem aproveitada pelos velozes Marrony e Rossi, esse segundo o melhor em campo.

WhatsApp Image 2019-05-28 at 08.15.02Compactação defensiva não foi um problema para o Leão.

O 4-4-2 chegou para ficar mesmo e isso não é segredo para nenhuma pessoa que acompanha o Fortaleza. O jogo segue sendo, algumas vezes, previsível quando o time tem a bola, só que a velocidade que a equipe imprime, ainda mais com a dupla Juninho e Felipe sendo extremamente importantes por serem dois jogadores de excelente passe, que ditam o ritmo do time e quebram linhas com passes, ainda é algo a se ressaltar. Muitas das chances criadas saem de passes/lançamentos dos dois, seja buscando desmarques dos pontas ou passagem em profundidade dos dois laterais.

WhatsApp Image 2019-05-28 at 08.15.20A importância do Felipe no modelo de jogo do Leão.

Pela versatilidade do elenco, Ceni nunca vai colocar dois atacantes “pesados” neste esquema. Por que? Simplesmente porque, mesmo jogando com duas referências, ele necessita de uma movimentação intensa desses caras, com um descendo para buscar o jogo entrelinhas, servindo exatamente como, em tese, um “10”, com a função de, também, puxar um zagueiro para criar espaço ao seu companheiro. Podemos perceber jogo a jogo que pode sempre existir um “9” mais “fixo”, mas com um companheiro mais móvel. Nunca veremos um time com Wellington Paulista e Kieza, por exemplo, por serem jogadores semelhantes e mais “pesados”.

Porém, mesmo assim, eles tem uma participação importante na fase ofensiva, pois, mesmo não sendo lá caras tão móveis, tem como descer para ativar seu companheiro de ataque. Contra o Vasco, algumas vezes foram visto espaços entre as linhas, e isso tem que ser melhor aproveitado. Kieza tentou uma vez ou outra, assim como Júnior Santos. Em alguns momentos, também, víamos Júnior Santos caindo para a direita, Edinho centralizando e encostando em Kieza, mais a frente. Algo que poucos percebem é essa intensa movimentação em determinados momentos do jogo pelo ataque do Leão. Ceni tenta, jogo a jogo, deixar o time mais versátil, imprevisível e menos mecanizado.

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Lá se foram seis partidas no Brasileirão de 2019, e o Vasco ainda não sabe o que é vencer. Já tomou goleada, já empatou merecendo perder, já teve troca de treinador, já teve estrela saindo, turbulência lesões… teve quase tudo, menos vitória. Neste domingo, foi ao Castelão, enfrentar o Fortaleza, equipe do promissor Rogério Ceni, que tem ideias bem claras, elenco na mão e confiança para trabalhar. Tudo que ainda o Vasco não possui.

Luxemburgo fez apenas seus segundo jogo e já foi possível ver pensamentos bem diferentes entre um jogo e outro. Ainda não se sabe o que pensa o novo treinador, e o tempo de trabalho é muito curto. Mas é preciso se decidir e seguir um caminho com convicção o mais rápido possível. É imprescindível que o Vasco pontue e vença antes da Copa América. E aí o Luxa terá tempo de pensar e construir seu “pojeto”.

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Para a partida de domingo, Luxa fez duas coisas que sugerimos algumas vezes aqui. Jogar com 3 volantes (Raul – centralizado, Marcos Junior – pela direita, e Mineiro pela esquerda, foram os escolhidos). E usou Marrony centralizado, como também rende. A frente dos volantes, Yan Sasse ganhou a vaga após treinar bem durante a semana (mas ficou só no treino mesmo, esse desempenho). Ele jogou ora flutuando como meia central, ora caindo pela esquerda. Rossi, um dos melhores jogadores vascaínos até aqui, pela direita, Pikachu mantido na lateral e Danilo Barcelos, voltando à lateral esquerda.

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A presença de 3 volantes melhorou a equipe. Melhorou a compactação, o apoio aos laterais, o preenchimento do meio campo (tanto na hora de marcar, como para saída de bola). Marrony foi muito bem centralizado. Saindo da área, dando velocidade, infiltrando, criando. Deu mais alternativas a uma equipe pouco criativa. Essa falta de criação já é rotineira, mas dessa vez ficou na responsabilidade da péssima partida de Lucas Mineiro, que deve ter errado até seu nome na hora de assinar a súmula, e de Yan Sasse, o leão de treino, que foi mais uma vez no mínimo apagado.

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O Vasco se defendeu, bem na maioria das vezes, num 4-1-4-1 bem claro. Com Raul como elo entre as linhas, e os “pontas recuando” para linha central. Marcos Jr e Rossi auxiliavam Pikachu. Mineiro e Sasse, auxiliavam Danilo, e com isso os laterais e o meio estavam mais protegidos. Dificilmente Fortaleza conseguia gerar superioridade ofensiva.

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Outra melhora substancial, foi ao traçar estratégias mais claras de contra ataque. Pikachu e Rossi foram os principais articuladores deste tipo de jogada e tiveram bom desempenho no fundamento. A velocidade de Marrony também ajudou bastante. Uma pena que algumas boas chances foram desperdiçadas.

O Vasco não teve mais posse, não teve mais finalizações, não foi criativo, tomou gol de empate aos 44 minutos, tendo um jogador a mais, mas por incrível que pareça mostrou evolução. Isso é preocupante, pois o Vasco fez uma partida apenas regular do ponto de vista tático e organizacional, mas é que agora há indícios de que o treinador sabe e está se articulando para suprir as principais necessidades e também conseguiu incluir alguns lampejos de organização e ideias de jogo. É pouco, é incerto, e tem sido demorado, mas nada mais nos resta do que torcer e avaliar jogo a jogo o desempenho. Neste último jogo, não foi tão ruim quanto pintam, mas também não foi nem metade do que o necessário.

@gerinhalobo_ e @analisesvasco

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