Pragmatismo eficiente – ANÁLISE TÁTICA PALMEIRAS 4 x 0 SANTOS

Por Breno Barbosa e Rodrigo Costa

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“O termo “pragmático” no futebol, é utilizado para definir um técnico resultadista. Felipão tem essa ideia como uma das suas principais características, no qual tem poucos momentos ofensivos, criatividade com a bola, pouca posse e prefere manter sua atenção e esforços para formar uma sistema defensivo sólido e impenetrável. Muitos jornalistas, analistas e torcedores não gostam dessa forma de jogo, porém, Scolari demonstrou que o pragmatismo eficiente faz a diferença, a estratégia foi excelente e a execução perfeita”, Breno Barbosa.

No confronto dos líderes, o Palmeiras fez grande partida e conquistou uma vitória com certa tranquilidade. O time de Scolari, venceu por 4 X 0 seu rival e assumiu a liderança isolada do Brasileirão. Os mandantes foram a campo no tradicional 4-2-3-1, contando com muita intensidade e velocidade para obter um resultado importantíssimo.

WhatsApp Image 2019-05-20 at 11.01.08IMAGEM: Esporte Interativo. Palmeiras postado no 4-2-3-1.

O argentino Sampaoli modificou novamente a escalação, escalando o Santos no 4-3-3 com Vanderlei; Veríssimo, Aguilar, Gustavo Henrique e Felipe Jonatan; Alison, Jean Lucas e Pituca; Sánchez, Derlis e Soteldo. Mais uma vez Lucas Veríssimo atuou como lateral direito, mas, dessa vez, teve mais participação no campo ofensivo, inclusive chegando à linha de fundo.

WhatsApp Image 2019-05-20 at 11.01.14Desenho tático santista. Fonte: Buildlineup.com.

O Alviverde foi extremamente intenso e veloz nos minutos iniciais, sufocando seu adversário e forçando-o ao erro. O verdão utilizou muito os lados do campo, explorando os espaços e encurralando a equipe de Sampaoli. Em 20 minutos, o Palmeiras estava vencendo por 2 X 0 e causando um caos na defesa santista. O primeiro gol aconteceu na bola parada, uma das características desse time, após cobrança de Dudu, o zagueiro Gustavo Gómez marcou o primeiro. Minutos depois, o Palestra manteve a intensidade e recuperou a posse no campo ofensivo com Zé Rafael, que encontrou Dudu e o extremo deu sua segunda assistência, dessa vez para Deyverson, o centroavante aumentou a vantagem.

NARRAÇÃO: @lipe_henry; COMENTÁRIOS: @brenobmarketing

  • Palmeiras recupera a posse no campo ofensivo, Dudu recebe com muita liberdade e aciona Deyverson para fazer o segundo gol palmeirense, o Alviverde soube explorar os espaços efragilidades do Santos.

Por conta da intensidade palmeirense, o Santos foi engolido nos 20 primeiros minutos. A equipe não conseguia sair jogando por conta da pressão alta do Palmeiras,por isso forçando Vanderlei a dar chutões. Saída essa que estava organizada em 2+3 jogadores (Aguilar e Gustavo Henrique + Veríssimo, Alison e Felipe Jonatan), tendo Pituca (esquerda) e Jean Lucas (direita) mais à frente, e no ataque, Soteldo gerava amplitude pela esquerda, Derlis tentava ser bastante móvel atuando de falso 9 e Sánchez pelo lado direito, mas tendo liberdade para buscar a bola mais atrás e afunilar o jogo.

WhatsApp Image 2019-05-20 at 11.01.23Fonte: TNT/Esporte Interativo e InStat. Edição: Rodrigo Costa.

Destaque negativo para Pituca e ponto positivo para Felipão, que conseguiu anular o ponto de equilíbrio da equipe santista. O meia perdeu três bolas em campo defensivo na primeira etapa (em uma saiu o segundo gol, vídeo acima). Soteldo era o único que conseguia alguns lances de perigo, nas jogadas de 1×1 contra Marcos Rocha. A equipe praiana sentiu mais uma vez a falta de centroavante que fixasse a defesa adversária e criasse associações entre os companheiros. Após os 25 minutos a equipe conseguiu equilibrar as ações, mas só chegava através de bolas paradas, que não levavam perigo.

WhatsApp Image 2019-05-20 at 11.01.30Fonte: TNT/Esporte Interativo e InStat. Edição: Rodrigo Costa.

No sistema defensivo, o Palmeiras foi compacto, sólido e contou com a contribuição de todos os jogadores. Os mandantes alternavam entre pressionar alto ou formar um bloco baixo, entretanto, todos os setores moviam-se de forma sincronizada, inibindo que o Santos tivesse espaços ou tempo para organizar às ações ofensivas. Às transições foram perfeitas, o time soube bascular (movimentar) de acordo com o setor aonde estava a bola, uma marcação consistente e intensa.

Defensivamente o Santos se organizava no 4-1-4-1, marcando em bloco médio (a partir do meio campo), buscando pressionar o jogador que tinha a bola de forma intensa. Veríssimo pela lateral direita marca melhor que Ferraz, que é um jogador mais ofensivo, mas mesmo assim precisaria da ajuda de Sánchez para não ficar sobrecarregado, algo que aconteceu com Felipe Jonatan pela esquerda, pois não tinha a ajuda de Soteldo na recomposição defensiva, já que o venezuelano pressionava mais a defesa adversária. Pelo meio, Alison não conseguiu acompanhar a movimentação dos meias palmeirenses, concedendo diversos espaços (terceiro gol). E Deyverson como pivô conseguiu ganhar vários duelos contra a zaga santista.

WhatsApp Image 2019-05-20 at 11.01.39Nem sempre Soteldo ajudava Felipe Jonatan na recomposição, geralmente ele pressionava mais à frente. (Fonte: TNT/Esporte Interativo e InStat. Edição: Rodrigo Costa)

No segundo tempo, Sampaoli colocou Jean Mota no lugar de Jean Lucas, deixando o jogador com mais liberdade para atuar entrelinhas. Os primeiros minutos o Santos conseguiu melhorar, chegando duas vezes bem pelos lados, que foi o caminho encontrado pelo Peixe para buscar o empate. Logo após o terceiro gol, marcado por Raphael Veiga, após um contragolpe rápido e letal, Cueva entrou na vaga de Felipe Jonatan, deslocando Pituca para lateral esquerda, atuando como um lateral construtor. O peruano tentou chamar a responsabilidade para si, mas também sentiu falta de alguém para segurar a bola à sua frente.

WhatsApp Image 2019-05-20 at 11.01.46Fonte: TNT/Esporte Interativo e InStat. Edição: Rodrigo Costa.

O Peixe acabou cometendo erros antigos nas transições defensivas (quando o time perde a bola no ataque). Os zagueiros ficaram extremamente expostos, com isso os pontas alviverdes, principalmente Dudu, conseguiam criar chances claras em contra ataques (quarto gol). Alison foi infeliz nas coberturas, deixando muito espaços nas suas costas.

WhatsApp Image 2019-05-20 at 11.01.52Alison sofreu nas transições defensivas, sem conseguir acompanhar os meias palmeirenses, desprotegendo a defesa. (Fonte: TNT/Esporte Interativo e InStat. Edição: Rodrigo Costa)

Diferente de algumas partidas, o Palmeiras não recuou na segunda etapa, manteve a intensidade para pressionar o portador da bola e foi bastante vertical, acelerando às jogadas sempre que tinha a posse de bola. Foram apenas 35,5% de posse e 154 passes certos, porém teve 17 finalizaçõese foi eficiente na estratégia traçada antes do confronto. Felipão não faz muita questão de ter a bola, mas de como agir com ela, conseguir ganhar jardas (campo), chegando rapidamente a meta adversária e não dando chances para o adversário se organizar defensivamente. Além dos passes em diagonal, o Palmeiras usou o lançamento direto para quebrar a marcação adversária.

  • Weverton faz o lançamento nas costas da defesa santista, Hyoran em profundidade quase aproveitou para marcar mais um gol.

Outro ponto fundamental na goleada palmeirense, foi o fator Dudu, o ponta teve uma liberdade tremenda e aproveitou muito bem. O craque do último Campeonato Brasileirovenceu diversos duelos individuais, utilizando dribles e muita velocidade, sendo o principal protagonista da partida. Como Sampaoli poupou o lateral-esquerdo Jorge, o atacante do verdão ficou livre em diversos momentos e distribuiu assistências (foram três), além de criar jogadas perigosas e ser a válvula de escape.

  • Alguns lances de Dudu, o camisa 7 foi o protagonista do clássico paulista.

Por fim, Ferraz ainda entrou no lugar de Aguilar, para que Veríssimo fosse para a zaga, mas de nada adiantou. As duas melhores chances santistas foram em uma escapada de Derlis pelo lado direito e uma falta cobrada na trave por Sánchez. Sampaoli foi infeliz na escalação, acabou tudo dando errado, os jogadores estavam irreconhecíveis. Antes do duelo contra o Inter, o Santos terá uma semana de treino para ajustar alguns detalhes e tentar se manter na briga pelo título brasileiro.

Após o término da partida, o lateral-esquerdo Diogo Barbosa deu uma declaração que resumiu o clássico Paulista. “Nós conhecemos o Santos. É um time que gosta de trabalhar a bola, mas não gosta de marcar. Nosso time tem jogadores rápidos e que sempre vão achar os contra-ataques”, disse o jogador palmeirense. Foi justamente dessa forma que o Palmeiras comportou-se dentro de campo, deixando a posse com o rival, intenso na marcação, rápidonastrocas de passes e explorando os espaços nos contragolpes, foi uma goleada justa e uma atuação de gala do líder da competição. Além de destacar todos os jogadores que foram muito bem, temos que respeitar, parabenizar, reverenciar e aprender muito com Felipão, uma aula de estratégia e manteve a invencibilidade no torneio nacional. Um time com mais chances claras, com uma defesa compacta e muitas ideias de jogo, não pode ser taxado como “ruim, feio” ou pragmático no sentido pejorativo, é necessário entender a estratégia e o modelo, analisar e saber elogiar quando é posto em prática da forma que o Palmeiras realizou contra o Santos.

@brenobmarketing@costa_rodrigo95

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