Mais uma vitória no fim – ANÁLISE TÁTICA GOIÁS 1 x 0 BOTAFOGO

Por Guilherme Monteiro

Neste domingo (19) o Botafogo foi até Goiânia encarar o Goiás no Serra Dourada. Para o Botafogo, o jogo foi um repeteco do que ocorrera no confronto contra o São Paulo – (valorizou muito a posse e quase não criou), já os goianos empurrados pelo torcedor apresentou um futebol muito interessante, sendo muito vertical e incisivo e criando diversas oportunidades. Por outro lado, o Botafogo que valorizou muito posse no e sem criar quase nenhuma chance ao gol de Tadeu. E o esmeraldino chega novamente à vitória no fim, com o gol de Kayke Moreno. Aos 42 minutos da etapa complementar.

As Equipes:

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O Goiás veio a campo com 2 alterações em relação ao duelo diante do Ceará, com as entradas de Giovanni Augusto e Jr. Brandão e as saídas de Marlone e Kayke. Ambas trocas que não alteravam muito o jeito da equipe jogar.

Já o Botafogo só trocou Pimpão por Cícero, buscando ter um jogo interno (pelo meio) mais forte e com boa capacidade de construir jogadas.

O Goiás começou com todo o gás, tendo boas oportunidades e marcando forte a saída de bola do alvinegro, num 4-3-3 com os extremos e Giovanni Augusto alternando-se bastante a frentee buscavam pressionar o portador da bola e seus possíveis recebedores.

WhatsApp Image 2019-05-20 at 18.39.324-3-3 do Goiás em bloco médio. Foto e edição: Guilherme Monteiro.

Por meio de lançamentos dos zagueiros (David Duarte ou Yago) e por vezes do lateral direito Daniel Guedes, o Goiás buscava fazer a ligação defesa-ataque. Que até os 25 minutos do 1° tempo foi o modelo mais efetivo, pois sempre encontrava Michael com bastante liberdade e com condições para poder se expropriar de suas virtudes, a velocidade e dribles. O Goiás quando precisou construir mais pelo chão encontrou dificuldades, pois o Botafogo encaixava muito bem a marcação e obrigando o goleiro Tadeu a dar chutões. O molde de saída que o Goiás utilizava quando realizava a saída era o 3+1 com:

David Duarte ou Yago como passador e Geovane como condutor.

WhatsApp Image 2019-05-20 at 18.39.38Foto e Edição: Ícaro Caldas Leite. Via: Instat.

Jefferson e Michael com boas associações fizeram uma bela partida atuando pelo lado esquerdo, o 1° atuando mais por dentro e o 2° mais por fora (linha lateral) e dando bastante amplitude (alargar o campo). Michael sendo receptor primário das bolas invertidas dos zagueiros, foi imparável pelo lado esquerdo de ataque goiano, indo muito bem ao fundo e realizando bons cruzamentos (geralmente de 3 dedos), além de vencer diversos duelos em 1×1 contra Fernando, que até os 30 minutos do 1° tempo ficava muito exposto, pois Erik não recompunha até o fundo ia somente até a intermediaria. Logo após João Paulo recompor por ali realizando uma recomposição com uma perseguição mais longa (indo até a linha de fundo). O Botafogo conseguiu “arrastar” o 0x0 até o final do primeiro tempo.

O Botafogo após um início nervoso e errando muitos passes na saída e no meio campo, aos poucos foi se ajustando e encontrando o equilíbrio, principalmente na fase defensiva, onde se portou no 4-1-4-1 com Bochecha na entrelinha e Diego Souza mais à frente. A equipe buscou fazer uma marcação alta e realizando encaixes.

WhatsApp Image 2019-05-20 at 18.39.424-1-4-1 em bloco baixo do Botafogo. Foto e Edição: Ícaro Caldas Leite. Via: Instat.

O ajuste fino foi concluído quando João Paulo fechava o lado direito de defesa do alvinegro. Com João fechando melhor os espaços, o Goiás foi forçado a atacar mais pela direita com Daniel Guedes e Barcia que não compunham um lado onde o lateral ficava mais na base da jogada (área onde se inicia a construção das jogadas) e um extremo que por ali perdia todos os duelos contra Jonathan.

WhatsApp Image 2019-05-20 at 18.39.48Diferença de posicionamento de João Paulo que foi crucial para o Botafogo conseguir amenizar o sufoco que a linha defensiva sofria pelo lado direito de defesa. Foto e edição: Guilherme Monteiro.

Em fase ofensiva o Botafogo realizava a sua saída tradicional no 3+1.

Carli, Gabriel, Fernando na linha de 3, sendo um desses 3 como passador e tendo muita diversidade e alternância em que vinha até a base da jogada. Ora Cícero, ora Bochecha como condutores.

WhatsApp Image 2019-05-20 at 18.39.54Momento em que Cícero realiza a saída. Foto e edição: Ícaro Caldas Leite. Via: Instat.
WhatsApp Image 2019-05-20 at 18.40.00Momento em que Bochecha realizava a saída. Foto e edição: Ícaro Caldas Leite. Via: Instat.

Apesar de conseguir realizar a saída pelo chão, Bochecha foi quem mais teve dificuldades em ter sucesso ao fazer a ligação dos setores por errar muitos passes. No entanto quando trocava de posição com Cícero e atuava mais à frente foi quem conseguiu fazer o Botafogo ser mais criativo com a bola, distribuindo alguns bons passes e lançamentos e por vezes pisando na área e finalizando.

No Botafogo ocorriam diversas trocas de posição, especialmente no meio campo, formando tripés variados, como: Cícero, Bochecha e Alex Santana, ou Bochecha, João Paulo e Alex Santana e por fim Cícero, João Paulo e Alex Santana. Este último que sofreu bastante no princípio de jogo, pois realizava uma função (atuando como um extremo pelo lado esquerdo) que não é de costume e não teve a adaptação esperada.

WhatsApp Image 2019-05-20 at 18.40.08WhatsApp Image 2019-05-20 at 18.40.13WhatsApp Image 2019-05-20 at 18.40.18Variações dos tripés do Botafogo na partida. Foto e edição: Ícaro Caldas Leite. Via: Instat.

Uma mudança que ocorreu em relação aos últimos jogos foi em relação a amplitude nos lados do campo. O Botafogo fez de Erik o fator determinante onde iria estabelecer o conceito. Por exemplo: Quando ele (Erik) abria pela esquerda tem-se a amplitude por aquele lado, contudo pelo lado direito o lateral não subia e ficava mais na base da jogada e o interior do lado direito se somava aos jogadores da esquerda, tendo como objetivo final obter superioridade numérica no setor da bola e organizando-se em prol da movimentação da mesma (bola).

WhatsApp Image 2019-05-20 at 18.40.24Conceito de amplitude sendo determinado por Erik. Note que não há ninguém avançado pelo lado direito. Há somente Fernando que exerceu uma função de lateral base. Ou seja, aquele que fica responsável por fechar a linha caso o adversário roube a bola e puxe um contra-ataque. Foto e Edição: Ícaro Caldas Leite. Via: Instat.

A atuação de Diego Souza foi pobre e nula, pelo fato de a equipe alvinegra ter realizado poucos chutões (ligações diretas) e optado por um jogo construído com a bola no chão. Erik, apesar de taticamente ter correspondido, foi mal no aspecto técnico e errou bastante.

No segundo tempo o cenário do início se repetia, porém o Goiás foi bem mais efetivo no perde-pressiona, e com um Botafogo cada vez mais acuado e que errava cada vez mais na saída.

Geovane que apesar de ser o condutor na saída de bola da equipe esmeraldina na partida, no primeiro tempo não se notabilizou pelos lançamentos e passes importantes para equipe goiana, pois bem na etapa complementar aconteceu o oposto, ou seja, se destacando nessas áreas. E com o Botafogo mais retraído, ele tinha campo aberto e suporte de Yago Felipe (ex-Vitória) para progredir e acionar bem Michael pela esquerda e Barcia pela direita.

WhatsApp Image 2019-05-20 at 18.40.29Via: Footstats.

Assim como no primeiro tempo, o Goiás atacou majoritariamente pelo lado esquerdo, com Michael e Jefferson. No entanto o Goiás não abaixou o ritmo e não teve uma baixa importante com seus atletas em campo, como o Botafogo teve com saída de Diego Souza, após um choque de cabeça.

Com o Botafogo retraído, sem marcar alto e sem uma referência, O Goiás promovia alterações, e levou a campo: Marlone e Kayke, ambos para recuperar o folego perdido com os desgastes de Giovanni Augusto e Jr. Brandão, respectivamente. Kayke foi muito bem nos desmarques de apoio e ofereceu boa profundidade, mas fez o crucial: O gol! Após uma boa jogada pelo lado direito.O Botafogo também realizou algumas alterações, contudo nenhuma que realmente se mostrou efetiva para mudar a história do alvinegro na partida. Foram a campo: Igor Cássio, Rodrigo Pimpão e Luiz Fernando. Nos lugares de Diego Souza, João Paulo e Alex Santana, respectivamente.

Logo após o gol esmeraldino, já no abafa o Botafogo buscou o gol de forma incessante, e até teve uma chance, mas a cabeçada de Jonathan foi defendida por Tadeu.

O Goiás novamente sai vencedor em uma partida no Brasileirão e vem somando pontos importantes na busca pela permanência na elite do futebol brasileiro. A equipe esmeraldina também vem sendo consistente em suas atuações, e mostrando que tem jogadores com potencial para destaque do campeonato, como o extremo Michael, que disparadamente foi o melhor em campo.

WhatsApp Image 2019-05-20 at 18.40.34Via: Footstats.

Barcia apesar de um pouco abaixo hoje, já fez alguns bons jogos e merece ser observado com uma boa atenção. Por parte do Botafogo, a resposta à péssima atuação de hoje é vencer os próximos dois jogos contra: Sol de América e o líder Palmeiras. Para o torcedor alvinegro, não há necessidade de se criar tempestade em copo d’água, Deve-se dar tempo e crédito a Eduardo Barroca, não só pelos resultados conquistados, mas também de ter reconquistado o animo da equipe e também de boa parte da torcida.

@Guizaomb19

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