Manhã quente, jogo morno – ANÁLISE TÁTICA SÃO PAULO 0 x 0 BAHIA

Por Pedro Galante e Kleyton Sampaio

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São Paulo e Bahia se enfrentaram no Morumbi na manhã desse domingo (19). Ainda buscando encaixar suas peças, o mandante não fez bom jogo. Já o Bahia foi sólido defensivamente, mas não conseguiu aproveitar a vantagem numérica no final da segunda etapa.

Cuca promoveu a primeira partida de Hernanes e Pato juntos como titulares. A ideia era jogar com o Profeta posicionado na entrelinha e Pato com mais liberdade.

WhatsApp Image 2019-05-19 at 21.15.25Escalação do São Paulo. (Foto: SofaScore)

O Bahia entrou em campo com Douglas, Ezequiel, Ernando, Lucas Fonseca e Moisés na linha de defesa, no meio de campo a equipe contou com uma trinca de volantes, que tinha Gregore, Douglas Augusto e Elton, no ataque os homens foram Elber, Artur e Gilberto. A equipe adotou um 4-5-1 em sua organização defensiva, variando para o 4-3-3 em suas fases ofensivas. A ideia era usar a trinca de volantes para cobrir uma maior área de campo, na tentativa de impedir a projeção do adversário, e também gerar sustentação para liberação dos três atacantes no momento ofensivo.

WhatsApp Image 2019-05-19 at 21.15.36Escalação do Bahia. (Foto: SofaScore)

No início do jogo essa postura ficou explícita dentro de campo. O Bahia montou suas linhas em bloco médio, variando entre médio alto/baixo, deixando São Paulo tomar a iniciativa, mas no momento em que a transição ofensiva adversária começava a se desenhar, a equipe tricolor já executava suas estratégias para oferecer resistência. Se o São Paulo iniciava a jogada pelo lado direito, Douglas Augusto era liberado para pressionar, no lado oposto o mesmo acontecia com Gregore, dessa forma a equipe conseguiu conter os avanços adversários.

WhatsApp Image 2019-05-19 at 21.15.52Douglas sendo liberado para pressionar. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

Após a retomada da bola, a equipe buscou sair em velocidade usando os lados do campo. Artur e Elber foram escalados na tentativa de trazer velocidade a puxada de contra-ataque. Em alguns momentos conseguiram iniciar bem a transição ofensiva, porém muitos desses contra-ataques tinham baixa efetividade em suas conclusões, isso devido à falta de aproximação de outros jogadores para participar das jogadas, consequentemente faltando uma espécie de apoio ao portador da bola.

WhatsApp Image 2019-05-19 at 21.15.59Artur prestes a puxar o contra-ataque. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

O São Paulo não conseguiu criar por duas questões: a dinâmica – ou falta dela – entre Hernanes e Pato deixava o time sem profundidade. E Reinaldo e Hudson jogavam muito avançados. Isso não seria um problema se a dupla de meio não fosse TchêTchê e Liziero. Os dois volantes são ofensivos e naturalmente avançam, o avanço dos laterais “embolava” o meio campo, além de deixar os zagueiros expostos. Liziero saiu machucado aos 13 minutos. Luan entrou no seu lugar.

WhatsApp Image 2019-05-19 at 21.16.07Meio campo embolado e falta de profundidade. São Paulo não conseguia criar. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

Ao final do primeiro tempo, o Bahia tentou sair mais para o jogo, ficar mais com a bola, na tentativa de chegar com perigo ao campo de ataque para criar chances de gol. Contou com caída de intensidade do São Paulo, que já havia se desgastado muito durante o começo da partida, e assim acabou controlando um pouco mais as ações.  Em muitos momentos a equipe tentou explorar os espaços as costas dos avançados da equipe paulista, os volantes do Bahia se projetavam para o espaço vazio as costas da linha de marcação, e os zagueiros faziam o passe vertical para quebrar o posicionamento da equipe da casa.

WhatsApp Image 2019-05-19 at 21.16.15Douglas Augusto se projetando nas costas da linha de marcação. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

Apesar de ter menos posse de bola, o Bahia conseguiu executar bem suas estratégias na primeira etapa, fechando bem os espaços, gerando resistência a criação das oportunidades por parte do adversário, além de ter finalizado o dobro de vezes na primeira metade do jogo.

WhatsApp Image 2019-05-19 at 21.16.22Números do 1º tempo. (Foto: SofaScore)

Na volta do intervalo, Cuca trocou Alexandre Pato por Helinho. Antony veio para a ponta esquerda, Toró para o comando do ataque e Helinho na direita. Além disso, TchêTchê e Hudson trocaram seus papeis.

As mudanças melhoraram a dinâmica do time. Toró dava profundidade, o que facilitava o jogo de Hernanes. Com Hudson e Luan no meio, uma dupla mais defensiva, TchêTchê e Reinaldo conseguiam avançar e agregar ao time. No entanto, ainda faltava qualidade no último passe para criar boas chances. Com desempenho fraco, Hernanes saiu para a entrada de Nenê.

WhatsApp Image 2019-05-19 at 21.16.29São Paulo no segundo tampo: Toró dando profundidade e laterais agregando. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

No segundo tempo a equipe da casa voltou a todo vapor, se adiantou no campo e tentou pressionar para abrir o placar, porém a marcação do tricolor baiano continuou sendo efetiva. O Bahia ajustou bem as coberturas, ocupou bem os espaços, com isso o São Paulo bastante dificuldade para ganhar profundidade dentro do campo de jogo. Dessa forma a equipe paulista voltou a controlar a posse de bola, porém foram os visitantes que criaram as melhores chances na segunda etapa.

WhatsApp Image 2019-05-19 at 21.16.35Números do 2º tempo. (Foto: SofaScore)

Por parte do Bahia, Gregore teve uma manhã de destaque. O volante teve uma grande participação nas ações defensivas e ofensivas da equipe, desarmando, interceptando, cobrindo bem os espaços e sendo efetivo na puxada de contra-ataque.

WhatsApp Image 2019-05-19 at 21.16.41Números de Gregore na partida. (Foto: SofaScore)

Três minutos depois, Toró foi expulso depois de acertar o goleiro Douglas Friedrich. Com um a menos, os planos da blitz pela vitória no fim do jogo foram por agua a abaixo. O tricolor paulista se defendeu e tentou chegar em lances de bola parada, mas não teve sucesso.

Já o Bahia aproveitou a ocasião para colocar jogadores descansados em campo, avançar as linhas e pressionar o time da casa. Roger optou por Rogério para dar velocidade, Fernandão para trazer a presença de área e Ramires para melhorar a articulação de jogadas. Dessa forma o time que tinha mais a posse passou a se defender e tentar sair em velocidade, enquanto a equipe visitante que tinha menos a bola, tentou levar uma boa quantidade de jogadores para trocar passes no campo de ataque.

WhatsApp Image 2019-05-19 at 21.16.47Bahia em posicionamento médio/alto dentro do campo de jogo. (Foto: InStat/ Pedro Galante)

O Bahia passou a criar boas chances, mas contou novamente com a falta de efetividade nas conclusões. Fernandão não estava em uma manhã das mais inspiradas, pecou bastante nas conclusões e acabou contribuindo ainda mais para que o jogo terminasse sem gols.

WhatsApp Image 2019-05-19 at 21.16.53Fernandão, livre de marcação, prestes a concluir a gol. (Foto: InStat/ Pedro Galante)

Dentro do que se propôs a fazer, o Bahia praticou um bom jogo no Morumbi. Executou bem suas estratégias defensivas, porém não demonstrou qualidade na conclusão de jogadas. Nas próximas partidas, a equipe precisa melhorar o aproveitamento das finalizações, para assim converter melhor as chances que encontrar em cenários como o de hoje, e consequentemente conquistar o primeiro triunfo longe de Salvador.

WhatsApp Image 2019-05-19 at 21.17.00Aproveitamento do Bahia nas finalizações. (Foto: InStat)

Não foi uma boa partida por parte do São Paulo. Cuca ainda busca a melhor forma de encaixar os jogadores que tem à disposição, no entanto ainda sente falta de um centroavante que dê profundidade e ofereça pivôs ao time. O dilema do treinador já está estabelecido: como dar liberdade ofensiva sem perder profundidade? Toró é a melhor opção até aqui, mas estará suspenso no próximo jogo. Dor de cabeça para Cuca.

As duas equipes se reencontram na quarta feira (22) pela Copa do Brasil.

@pedro17galante e @SampaioKleyton1

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