Clássico do povo parte 1 — ANÁLISE TÁTICA CORINTHIANS 0 x 1 FLAMENGO

Por Jhonata Souza e Felipe Henriques

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Insatisfeito com o desempenho do Corinthians nos últimos jogos, o treinador Fábio Carille promoveu mudanças na equipe titular que foi a campo com a seguinte escalação: Cássio; Fagner, Manoel, Henrique e Avelar; Ralf, Sornoza, Vital e Clayson; Vagner Love e Boselli. A ideia era ter uma equipe mais ofensiva com dois centroavantes, um meio com maior poder de criação e um time veloz, rápido na transição ofensiva e bem vertical no ataque. Sem a bola a estratégia era se defender com duas linhas de quatro e realizar uma pressão alta na saída de bola adversária.

WhatsApp Image 2019-05-17 at 22.07.17Corinthians no 4-4-2 com Love e Boselli a frente das duas linhas.

Na prática as ideias de Carille acabaram não dando muito certo. A equipe se postou bem no seu campo de defesa e conseguiu impedir os possíveis estragos que Bruno Henrique e Gabriel poderiam fazer ao atacar as costas da defesa do Timão. A ideia de pressionar a saída de bola do Flamengo não deu muito certo, pois a equipe carioca conseguiu sair muito bem pressão. A linha de defesa do Timão não subia junto à linha de meio para pressionar, isso criava um espaço que o Flamengo soube utilizar muito bem para conseguir sair da pressão e se estabelecer no campo de ataque. A equipe carioca só não conseguiu causar mais estragos, pois a equipe alvinegra conseguiu fazer a transição defensiva de forma rápida.

WhatsApp Image 2019-05-17 at 22.07.23Corinthians subindo para pressionar a saída de bola do Flamengo.

A equipe do Corinthians depende bastante de Fagner e Clayson para conseguir fazer a saída de bola e criar chances de gol, os dois estiveram bem marcados pelo Flamengo, além disso, em muitos momentos também faltou uma maior aproximação dos companheiros, o que lhes deixava sozinhos contra a defesa flamenguista. Com isso a saída de bola ficava a cargo de Manoel, Henrique e Ralf, um trio que tem muita dificuldade para realizar tal saída. Essa dificuldade na saída de bola aliada a atuação ruim de Vital e Sornoza dificultou ainda mais a criação de jogadas, a consequência desse problema foi que a bola pouco chegou à dupla de ataque.

Com as entradas de Jadson e Pedrinho nos lugares de Vital e Boselli a equipe melhorou. A melhor versão de Fagner foi com Pedrinho jogando pela direita, com a entrada dele o lateral passou a ter alguém com quem dialogar por aquele lado e com isso Fagner se tornou uma arma importante no ataque corinthiano. Com Jadson o time passou a ter um jogador mais criativo no meio, que vinha buscar a bola mais atrás para fazer o jogo fluir. O período de tempo entre a entrada de Jadson e gol do Flamengo foi o melhor período do Corinthians no jogo.

Ao mesmo tempo em que as mudanças melhoraram a parte ofensiva do time, elas também deixaram a equipe mais aberta na defesa. É o Flamengo soube se aproveitar disso para criar jogadas pelos lados de campo, como por exemplo, no lance do gol marcado por William Arão, onde Bruno Henrique se aproveitou da falha na marcação no setor para fazer um belo cruzamento que encontrou William Arão entrando livre na área para marcar o gol da vitória. Depois do gol a equipe tentou fazer uma pressão em busca do empate, porém não surtiu efeito.

WhatsApp Image 2019-05-17 at 22.07.29Espaço que Bruno Henrique teve para receber e buscar o fundo para o cruzamento (cima) e espaço que William Arão teve para infiltrar na área e marcar o gol da vitória.

Retornando com os titulares ao onze inicial com Diego Alves no gol e Arrascaeta como organizador na região central do meio-campo ofensivo, o Flamengo iniciou a partida de uma forma confusa. Tanto na fase defensiva ao ceder muitos espaços principalmente pelos avanços pelos lados e a dificuldade para realizar uma saída de bola satisfatória, quanto na fase ofensiva quando teve problemas para ter uma associação bem sucedida entre Everton Ribeiro e Arrascaeta.

Começando pela fase defensiva, Rodrigo Caio e Léo Duarte foram exigidos em duelos contra os atacantes do Corinthians e conseguiram se impor fisicamente para impedir finalizações perigosas e proteger bem a área. Aliás, fica claro como Rodrigo Caio tem sido o líder defensivo desse time e fundamental em desarmes e interceptações ao lado de Cuéllar, vencendo três duelos ao longo da primeira etapa.

Na saída de bola, a marcação alta do Corinthians atrapalhou um bom desempenho principalmente na região central. Com Cuellar e Everton Ribeiro centralizados e recuando para buscar o jogo e Pará muito adiantado pelo flanco direito, coube a Léo Duarte e Rodrigo Caio iniciarem a transição defesa-ataque contando com Renê aberto pela esquerda. Porém, houve dificuldade para vencer a marcação adversária o que ocasionou em erros de passes.

WhatsApp Image 2019-05-17 at 22.07.34Rodrigo Caio e Léo Duarte posicionados para realizar a saída de bola com Renê aberto e marcado pela esquerda, sem opções de auxílio pelo lado direito. Pelo meio, Everton bem marcado e o espaço bloqueado por Boselli e Vágner Love. Foto/Divulgação: Instat.

Por falar nos laterais, mais precisamente no lateral-direito, Pará atuou com o corredor aberto para avançar até a linha de fundo e realizar os cruzamentos. Entretanto, foi pouco eficiente na fase defensiva principalmente na contribuição de transição. Junto com Renê, gerou amplitude abertos pelos lados, já que Everton Ribeiro e Arrascaeta atuaram praticamente como interiores, com Bruno Henrique pisando na área e também buscando a ponta canhota.

Porém, também houve momentos em que Bruno Henrique formou uma dupla de ataque com Gabriel Barbosa em uma espécie de 2-4-2-2 no posicionamento ofensivo.

WhatsApp Image 2019-05-17 at 22.07.40Everton Ribeiro e Arrascaeta como interiores com Pará e Renê gerando amplitude, enquanto Gabriel e Bruno Henrique formam uma dupla de ataque. Foto/Divulgação: Instat.

Aliás, precisamos falar sobre Arrascaeta e como o uruguaio ficou “perdido” para encontrar um setor para atuar e render melhor. Como Vinícius Melo destacou no Análise 1981, o camisa 14 acabou perdendo espaço e profundidade já que Bruno Henrique ocupou o lado esquerdo ofensivo e Renê gerou amplitude e forneceu sobreposições. Arrascaeta teve poucas ações entrelinhas e sequer pisou na área.

Contra times que se defendem em bloco próximas à próxima área, parece atuar melhor recebendo em posição mais avançada tanto pelo lado ou nas entrelinhas. O melhor dele não é como organizador desde o início da jogada, mas como um organizador vertical capaz de jogar em espaços curtos e oferecer dribles e passes chaves a partir do último terço, mais perto da área, onde pode desequilibrar.

No segundo tempo, o Flamengo recuou suas linhas e posicionou Bruno Henrique e Gabriel para puxarem os contra-ataques mais precisamente pelo lado esquerdo. Mesmo com uma atuação bem abaixo ao longo de toda a partida principalmente na fase ofensiva, a jogada do gol foi uma clara demonstração de tentativa e erro como mostra o vídeo a seguir:

Diga-se que Abel Braga foi bem nas substituições na segunda-etapa com as entradas de Diego e Vitinho nos lugares de Arrascaeta e Gabriel. Diego foi mais objetivo em seus passes, assim como também foi na partida contra a Chapecoense e foi decisivo para um desempenho levemente superior na fase ofensiva nos últimos vinte minutos da partida.

Um exemplo disso foi o passe para Bruno Henrique finalizar na área e obrigar Cássio a fazer grande defesa. Vitinho também foi bem como lançado em contra-ataques, onde um capricho maior poderia até resultar em um segundo gol, que seria fundamental para encaminhar a vitória no confronto.

Depois de anos em que o torcedor rubro-negro viu sua equipe jogar bem e não vencer, a vitória sobre o Corinthians em plena Arena de Itaquera dá mais tranqüilidade para jogadores e técnico trabalharem ao menos até o jogo de volta.

Na primeira parte do duelo, venceu quem transformou a simplicidade de suas idéias em gol.

@jhonny14souza@lipe_henry

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